sábado, 7 de março de 2026

Espantos e turbulências do caso Master apenas começaram, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Além da fraude bilionária, há mais a ser descoberto, o que apavora Brasília

Buraco negro da máfia financeira devora de pastores evangélicos a sugar babies

Buraco negro que a todos envolve e devora —golpistas financeiros, pastores evangélicos, magistrados, governadores, parlamentares de diversas cores (com predominância para os de direita e extrema direita), servidores do Banco Central, jornalistas e influenciadores, hackers, sugar babies—, o escândalo Master está longe de terminar. Além da fraude bilionária, há mais jogadas a serem descobertas, e é isso o que apavora Brasília na temporada eleitoral.

A Polícia Federal analisou aproximadamente um terço do conteúdo de apenas um dos celulares de Daniel Vorcaro. O suficiente, porém, para devolvê-lo à cadeia, por decisão do ministro André Mendonça, do STF, que também mandou prender seu braço direito e cunhado, o pastor Fabiano Zettel, responsável pelo núcleo político e financeiro da quadrilha. Nas eleições de 2022, Zettel foi, entre pessoas físicas, o maior doador da campanha de Tarcísio de Freitas (R$ 2 milhões) e Jair Bolsonaro (R$ 3 milhões).

Ainda aguardam perícia mais de cem dispositivos, celulares, computadores e HDs externos apreendidos pela PF. Investigações recentes, com exemplos dentro do Palácio do Planalto, mostram que criminosos são bocudos por natureza e, confiantes na impunidade, não resistem ao vício de zapear, construindo provas contra si mesmos. Há quem deteste celulares, mas às vezes eles são uma bênção.

História de gângsteres e milicianos engravatados que se infiltram nos Poderes e nas instituições —o que deixou de ser novidade no país—, o filme do Master já tem um cadáver. Velho conhecido da alta sociedade de Belo Horizonte, Luiz Mourão, de apelido "Sicário" (matador de aluguel), era o encarregado de planejar ataques violentos ("quebrar os dentes") contra adversários e invadir sistemas de órgãos federais e até do FBI. Recebia um salário de R$ 1 milhão por mês. Segundo o noticiário, ele se matou numa cela da Superintendência da PF, enforcando-se com a camiseta. Espantoso e estranho.

Quem conhece Vorcaro de suas festinhas íntimas diz que ele não aguenta a cana dura. Vai abrir o bico?

 

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