Correio Braziliense
Os Estados Unidos são um país que vive em
guerra. Seu dispositivo militar determina a política externa e provoca
conflitos que, para eles, são rentáveis
As duas bombas atômicas que os Estados Unidos jogaram sobre Hiroxima e Nagazaki, no Japão, em 1945, acabaram com a Segunda Guerra Mundial, na sua fase asiática. Mas também serviram para avisar à União Soviética do poder devastador de suas forças armadas. Os russos explodiram sua bomba em 1949 e devolveram o aviso. Agora, a inesperada ação militar combinada de Estados Unidos e Israel contra o Irã tem por objetivo defender a nação judia e avisar a China que o país está cercado por eficientes equipamentos de ataque. É a advertência de que a guerra continua e o Império do Meio enfrenta concorrentes poderosos.
Os Estados Unidos detêm a liderança da
economia mundial segundo a medição do Produto Interno Bruto. São US$ 33
trilhões contra US$ 22 trilhões da China. Os dois maiores são seguidos, nesta
ordem, por Japão, Alemanha e Índia, que, nos próximos anos, deverá chegar ao
terceiro lugar entre as maiores economias do mundo. O desempenho do Brasil é
decepcionante. Cresceu 2,3% no último ano e desceu para o décimo primeiro entre
as maiores economias do planeta. Já foi o sexto maior. Agora, está atrás de
Canadá, Rússia e até da Itália. Desempenho muito fraco para quem pretende ter
diplomacia influente.
O desenvolvimento econômico espetacular da
China assustou o mundo e, particularmente, os norte-americanos. Eles já foram
vencidos em várias áreas da alta tecnologia. No campo da inteligência
artificial (IA), os chineses estão longe. A China transformou-se numa fábrica
do mundo. Há produto chinês em quase tudo que o consumidor utiliza aqui, nos
Estados Unidos e nos países europeus. O governo de Washington assiste a tudo
isso com muita preocupação. Sua liderança está ameaçada. Enquanto as forças
armadas norte-americanas massacravam o povo no Iraque durante nove anos, os
chineses avançavam sobre os mercados de todo o mundo.
Mas há um detalhe que explica a liderança dos
Estados Unidos. É seu formidável poder bélico, sem paralelo no mundo. É um país
que vive em guerra. Seu dispositivo militar determina a política externa e
provoca conflitos que, para eles, são rentáveis. Seja pela venda contínua de
novos equipamentos, seja pela obrigação de persistir nas pesquisas para
aprimorar as máquinas de matar e de dominar áreas rentáveis, como são os campos
de petróleo na Venezuela, no Iraque e no Irã.
Não há objetivo estratégico na guerra contra
a antiga Pérsia. Existe a preocupação de defender Israel e tomar os apetitosos
campos de petróleo daquele país. Foi o que os ingleses fizeram em 1953, quando
o primeiro-ministro Mohammad Mossadegh nacionalizou a empresa de petróleo
Anglo-Iranian Oil Company. Um golpe militar derrubou o regime e colocou no
poder o Xá da Pérsia, Reza Pahlevi, que entregou o ouro negro aos ocidentais e
deu início, com apoio de Washington, ao programa de enriquecimento de urânio,
agora contestado pelos próprios norte-americanos.
O governo dos Estados Unidos mantém 750 bases
militares fora do seu território continental, com presença em 80 países e
territórios. Algumas instalações são pequenas (estações de radar, depósitos,
centros logísticos), outras são temporárias ou secretas. Eles possuem bases
militares no Japão, com 50 mil militares, baseados em Okinawa. Na Alemanha,
onde funciona importante centro de logística com 35 mil militares. Na defesa da
Coreia do Sul, contra o inimigo do norte, com 28 mil militares. Em Itália,
Reino Unido, Espanha, Portugal (base de Lajes nos Açores). No Oriente Médio, em
Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Turquia. Além dessas, nas
Filipinas e na Austrália.
O governo dos Estados Unidos mantém cerca de
1,3 milhão de militares na atividade. A reserva e a Guarda Nacional adicionam
outros 800 mil militares. O total combinado indica 2,1 milhões de homens e
mulheres preparados para a guerra. No exterior ficam, de maneira permanente,
177 mil militares. A comparação entre quantidades de militares das grandes
potências resulta no seguinte: Estados Unidos, 2,1 milhões (total mobilizável);
China, 2 milhões; Índia, 1,4 milhão; e Rússia, 1 milhão na ativa. O Orçamento
de Defesa aprovado para 2026 é de US$ 901 bilhões. O planejamento indica que,
em 2027, as verbas para gastos militares dos Estados Unidos deverão alcançar
US$ 1,5 trilhão.
Há dinheiro suficiente para manter a máquina
de matar funcionando. A morte de militares e civis é evento colateral
desimportante diante do gigantismo dessa operação. O que importa é o lucro
final. É ilusão imaginar que o presidente brasileiro poderá ter algum ganho na
sua relação com o bronzeado chefe de governo em Washington. Sorte do Brasil
que, além de pobre, é apenas um razoável produtor de petróleo.

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