Folha de S. Paulo
Governadores Ratinho Jr. e Eduardo Leite têm
dificuldades para emplacar sucessores
Caiado ainda negocia aliança com o PL, mas
tem o cenário mais confortável dos três
Os governadores Eduardo Leite,
do Rio Grande do Sul, e Ratinho Júnior, do Paraná, enfrentam dificuldades
com o bolsonarismo em seus estados e correm o risco de perder o
comando local para a direita após ensaiarem candidaturas presidenciais. O
impasse tem sido levado em conta nos planos nacionais de ambos, segundo
aliados.
Dos três presidenciáveis do PSD, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, é o que tem a situação mais confortável na eleição regional. Seu vice, Daniel Vilela (MDB), já figura em pesquisas como primeiro em intenção de votos e tem como principal adversário o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), que perdeu força após ser citado na Operação Lava Jato.
Em Goiás, a aliança com o PL ainda não está
descartada, mas a discussão
se arrasta há mais de um ano. A sigla está dividida entre se aliar a Vilela
e lançar o deputado Gustavo Gayer ao Senado na chapa ou disputar o governo com
o senador Wilder Morais. A decisão passa pela formação do palanque de Flávio
Bolsonaro (PL) no estado.
O cenário nacional também
pesa na eleição do Paraná. Ratinho Júnior está dividido entre três nomes
para sua sucessão: o secretário de Cidades, Guto Silva (considerado o favorito
do governador), o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, e o
ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, todos filiados ao PSD.
A escolha pode rachar o grupo do governador.
Republicanos e PP negociam com Curi e Greca caso eles sejam preteridos. O prazo
de filiação acaba em 4 de abril.
Em nota à Folha, Ratinho pregou a
unidade de seu campo político. "Tenho ouvido da grande maioria das pessoas
do partido esse mesmo compromisso, de querer continuidade. Pensando não na
questão do cargo ou projeto pessoal, mas pensando no estado. A minha
preocupação é ter alguém que pense no estado."
A possibilidade de que o governador concorra
à Presidência contra Flávio também fez o primogênito do ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL) acenar
com o rompimento do acordo para que o PL apoie o sucessor escolhido
por Ratinho, com o deputado Filipe Barros (PL) em uma das duas vagas ao Senado
da chapa.
No lugar, o PL apoiaria o senador Sergio Moro (União Brasil),
que lidera as pesquisas de intenção de voto, mas tem
dificuldade de reunir uma estrutura partidária mais robusta –o PP, que
está numa federação com o partido de Moro, é contra a candidatura. O partido de
Flávio acena até com a filiação do ex-juiz da Lava Jato.
De acordo com aliados do governador, esse
cenário tem preocupado, pelo risco de fortalecer o palanque de seu principal
adversário. Ele e Flávio combinaram uma reunião em Brasília nos próximos dias
para discutir o assunto.
Parte dos aliados dele afirma que a campanha
ainda está longe e que o escolhido para sucedê-lo ganhará força quando a
eleição começar, principalmente quando associado ao nome do governador. Já
outros dizem que a candidatura de Moro com apoio do bolsonarismo abriria um
flanco que exigiria mais atenção e presença dele no estado.
Já Leite enfrenta o cenário mais desafiador.
Ele deve renunciar ao governo para abrir espaço para seu vice, Gabriel Souza
(MDB), ganhar mais protagonismo. O emedebista figura nas pesquisas atrás dos
candidatos de esquerda e de direita, mesmo após ganhar destaque com a entrega
de obras e na reconstrução do estado após
as enchentes que destruíram parte do Rio Grande do Sul em 2024.
Numa aliança nacional costurada pelo PL, o PP
já abandonou a base aliada do governador e passou a apoiar a candidatura do
deputado federal Luciano Zucco (PL) –atual líder das pesquisas. Já a esquerda
tenta uma aliança entre o presidente da Conab (Companhia Nacional de
Abastecimento), Edegar Preto (PT), e a ex-deputada estadual Juliana Brizola
(PDT) para disputar contra o grupo do governador.
"Neste momento, a eleição nacional
canaliza a maior parte da atenção do eleitorado e impacta também a percepção da
eleição local. Mas, no momento adequado, o eleitor vai prestar atenção no
cenário local e o grande volume de entregas e transformações que fizemos no
estado vão contar a favor do nosso candidato. Tenho muita segurança
disso", disse Leite à Folha.
O próprio governador viveu essa dificuldade
em 2022, quando tentou se lançar à Presidência pelo PSDB, mas perdeu as prévias
do partido para o ex-governador de São Paulo João Doria (hoje sem partido). Ele
passou ao segundo turno com apenas 2.441 votos à frente do candidato petista e,
no final, acabou ganhando de Onyx Lorenzoni (PL).
Leite usa esse exemplo para defender a
competitividade de seu candidato, apesar das pressões internas para trocá-lo
por um nome mais conhecido. "Ousamos, por convicção, não aderir a nenhum dos
polos que protagonizam o debate eleitoral. Naturalmente, isso impõe desafios.
Em 2022 tivemos um primeiro turno desafiador. Mas fomos ao segundo turno e
vencemos as eleições",
afirmou.
Atualmente, as pesquisas apontam Leite com a
maior intenção de voto na disputa pelo Senado, mas adversários como Marcel Van
Hattem (Novo) e Manuela D'ávila (PSOL) seguem em seu encalço. O governador diz
que seu foco é liderar um projeto presidencial, mas que a candidatura a senador
"é natural e uma real possibilidade" se o PSD optar por um dos outros
dois presidenciáveis.

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