sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Eliane Cantanhêde - Para onde correr?

O Estado de S. Paulo

Sem se mover, resta a Bolsonaro que ‘segundo turno é outra eleição’. Será?

Mais uma pesquisa atestando a estabilidade favorável ao ex-presidente Lula e capaz de desestabilizar a campanha do presidente Jair Bolsonaro: o Datafolha confirmou ontem que o petista se mantém firme e forte na faixa dos 45% e o presidente não sai do lugar, oscilando não mais para cima, mas para baixo.

A situação continua rigorosamente igual, mostrando, semana a semana, que Bolsonaro não atingiu o alvo de ultrapassar Lula nem reduziu a diferença. A nova pesquisa só não é um total desastre para ele porque a hipótese de segundo turno permanece real. Com a frustração de disparar em junho, julho, agosto, setembro... resta o consolo de que “o segundo turno é uma nova eleição”. Será?

Com mudanças de estratégia e movimentos erráticos, a campanha de Bolsonaro dá sinais de que não sabe mais o que fazer. E é exatamente no meio disso que Bolsonaro vai torrar seis decisivos dias, indo a Londres e a Nova York. E continuam os erros.

Ele e aliados atacam jornalistas mulheres e falam sobre “princesas” e que mulheres “não são insubmissas e livres”, num país em que a maioria da população (logo, das mulheres) é pobre, luta bravamente pela sobrevivência, não quer “beijinhos e rosas”, como diz o presidente, mas, sim, emprego, renda, respeito, dignidade, saúde e educação para os filhos e, claro, comida na mesa.

Bolsonaro fala humildemente num dia que tem 67 anos e, se perder, passa a faixa, desiste da política e “não tem mais nada a fazer nessa Terra”. No dia seguinte, volta a atacar tudo e todos. E ele decidiu investir tudo em São Paulo, no interior, com seus 18,2 milhões de eleitores, mas sua situação lá também não parece confortável.

Pelo Datafolha, o petista Fernando Haddad tem 36% e o bolsonarista Tarcísio de Freitas, 22%, mas o governador Rodrigo Garcia, neotucano, cresceu quatro pontos, está com 19% e ameaça ultrapassar Tarcísio.

Isso reflete as dificuldades do próprio Bolsonaro no principal Estado e as coisas não vão bem também em Minas, segundo colégio eleitoral, onde o presidente não conseguiu apoio formal do governador Romeu Zema, que pode vencer em primeiro turno, e tem um candidato, Carlos Viana, com míseros 5%.

Com Bolsonaro engessado, Lula investe em duas frentes: o voto útil dos eleitores de Ciro Gomes e Simone Tebet e uma supercampanha para os eleitores “não pegarem seus carrinhos e irem para a praia no dia da eleição”. Além de mais agressivo, o eleitor de Bolsonaro é mais obstinado e vai votar. Se a abstenção bater novo recorde, tende a ser à custa dos votos de Lula e matar de vez a vitória no primeiro turno.

 

3 comentários:

Anônimo disse...

De novo sai um monte de pesquisa dizendo Bolsonaro à frente ou empate técnico mas você jornalista esperam só o Datafolha , pesquisa do Datafolha, a Datafolha definiu quem vai vencer no primeiro turno
O Luladrão!

Anônimo disse...

Bolsonaro não sai do lugar, e cada vez mais se enterra um pouco, no mesmo atoleiro para onde conduziu nossa nação e onde o genocida nos imobilizou nos últimos quase 4 anos. Cadeia para o genocida!

ADEMAR AMANCIO disse...

O eleitor bolsonarista é mais agressivo,concordo.Santo ninguém é,lugar de santo é no céu e não na terra.