O Estado de S. Paulo
Senador do PL vai aos EUA para discutir
‘business’ com Donald Trump
A mensagem de Marco Rubio para Flávio
Bolsonaro foi cheia de recados subliminares, mais grave do que parecia à
primeira vista e pode transformar a ida de Flávio ao país para uma audiência
pública com o Escritório de Comércio, no dia 6, em mais um tiro no pé. Ou em
mais uma peça de marketing, não para a campanha dele, mas para a de Lula.
O que importa é que Rubio agradeceu “a generosa oferta” de Flávio de, se eleito, montar uma equipe de transição exclusiva entre Brasil e EUA. Soa como uma hipoteca. Trump interfere a seu favor nas eleições e ele “paga”, depois, entregando os interesses e a independência do Brasil às conveniências dele.
A ideia de hipoteca é reforçada pela própria
personalidade de Trump e seu governo: o jogo em Washington hoje tem nome,
“business”. O que importa não são alianças estratégicas entre nações soberanas,
comércio legítimo e justo, valores, cooperação, direitos. Só os negócios.
Pior: que tipo de apoio os Bolsonaro esperam
de Trump? Tarifaço, Lei Magnitsky, suspensão de vistos de autoridades, sanções
com base na Seção 301 de Comércio e uso do PCC e CV como pretexto para ações no
Brasil, além de intervenção nas eleições de outubro?
Por mais que Flávio e seu irmão Eduardo digam
que a ida a Washington é para defender o Brasil, evitar as novas sanções e
salvar o Pix, ninguém esquece que foram eles que criaram todos esses problemas,
não para Lula, mas para produtores, exportadores, empregos e a economia do
Brasil.
Ficou fácil colecionar material de campanha
contra Flávio, com vídeos, áudios, mensagens e provas contra si produzidas pela
família e aliados, incluindo as deixadas por Jair Bolsonaro. O vídeo em que
ridiculariza pessoas morrendo por falta de ar na pandemia é imbatível.
A bola da vez é Michele, a nova queridinha da
esquerda, ao acusar Flávio de a “humilhar, desrespeitar e maltratar”. Curioso é
que ninguém duvidou, todo mundo assumiu como verdadeiro que Flávio seria capaz
disso.
Como foi, aliás, de negar que Daniel Vorcaro
financiasse o filme “Dark Horse”, às vésperas de o Intercept Brasil divulgar o
áudio em que ele cobra “parcelas em atraso” do “Daniel”. A sua risadinha
dizendo que era “mentira”, é tão forte, ou quase, quanto a gravação em que ele
fala com o “Daniel”. O áudio envolve dinheiro, o vídeo confirma o caráter.
Quem mais concorre com Jair em gols contra e
material para os adversários é Eduardo, o 03, achando que ajuda o irmão. Não é
o que as pesquisas dizem, o Planalto avalia e os próprios aliados acham. A
sensação é de que, quanto mais ele e Flávio se metem com Trump e submetem o
Brasil aos EUA, mais munição dão a Lula.

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