Mesmo considerando a antológica frase do ex-ministro da fazenda Pedro Malan de que “No Brasil, até o passado é incerto”, oferecemos projeções consistentes sobre a evolução das principais variáveis econômicas e fiscais, dadas as atuais regras do jogo, sem evidentemente considerar mudanças e reformas estruturais que possam ser introduzidas no futuro.
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
sábado, 4 de julho de 2026
Déficits recorrentes, dívida crescente, por Marcus Pestana
Entre trancos e barrancos, por Murillo de Aragão
Revista Veja
Eleição não será decidida por méritos, mas
pelos erros de cada um
A campanha segue entre trancos e barrancos.
Tudo indica que será decidida menos pelos méritos dos candidatos e mais pelo
volume de erros que cada um cometer. Quem errar menos, ganha. Não há abundância
programática. Ao contrário: o debate é paupérrimo.
Lula se
apoia no que foi e no que diz ter feito. Flávio Bolsonaro se ampara no que o
pai representa. Um disputa a memória de governos anteriores. O outro disputa a
herança política do sobrenome. Um pede ao eleitor que se lembre. O outro pede
que transfira.
Após governar o país por três vezes, Lula flerta com a velha explicação segundo a qual obstáculos externos impedem o desenvolvimento nacional. O argumento lembra Brizola e sua insistência nas perdas internacionais como explicação para os males brasileiros. Ataca ricos, o mercado financeiro e o agronegócio. Enquanto isso, bate recordes o número de brasileiros que mudam de residência fiscal.
Trem para o futuro, por Cristovam Buarque
Revista Veja
A elite dirigente brasileira freia a ideia do
bom ensino para todos
Nos anos 1840, o príncipe herdeiro de Hanôver, que depois se tornaria rei Ernesto Augusto, opôs-se à implantação de ferrovias em seu país porque “não queria qualquer sapateiro ou alfaiate viajando tão rápido quanto ele”. A frase é citada por Orlando Figes no livro Os Europeus, ao tratar do impacto da revolução ferroviária na política, na cultura e na economia da Europa. Pois o príncipe mudou de posição e transformou-se em defensor das ferrovias, colocando a Alemanha na vanguarda do desenvolvimento. Não tivesse adotado os trilhos, o país teria ficado para trás entre as nações do continente.
Sem futuro? Por Felipe Augusto Machado*
CartaCapital
Se não repensarmos a estratégia nacional,
muitas gerações morrerão sem viver o sonho de um Brasil desenvolvido
No fim dos anos 1980, um chinês próximo dos
50 anos chamado Chen Yizi acompanhou uma delegação do seu país em visita
oficial ao Brasil. Ele era uma pessoa influente e respeitada na China. Assessor
especial do primeiro-ministro e do secretário-geral do Partido Comunista, foi
protagonista nas reformas econômicas de Deng Xiaoping naquela década.
Em 2013, em exílio após demitir-se em protesto pelo Massacre da Praça da Paz Celestial, Yizi escreveu um livro de memórias, no qual contou detalhes daquela visita ao Brasil. Segundo ele, a delegação chinesa ficou fascinada com a capital modernista Brasília, as rodovias, os prédios estilosos, as fábricas, as moradias de vanguarda, os carros compactos para as massas. Especulou que o Brasil deveria ter, naquele momento, uma renda per capita dez vezes superior à da China. Não era para tanto, mas a reação é reveladora.
Bolsonarismo 2.0, por Pedro Serrano
CartaCapital
Associados ao trumpismo e com grande
capacidade de mobilização, os discípulos de Bolsonaro dissimulam o autoritarismo
de outrora com singulares artifícios
A história humana não ocorre através de fases estanques, como às vezes a descrição didática em períodos transparece ao inadvertido. Ao contrário, ela se revela por meio de processos complexos, nos quais elementos de conformação política e social do período anterior podem ser – e comumente são – identificados nos subsequentes. Não há, inclusive, garantias contra retrocessos e involuções civilizatórias. Só há ordem na mera descrição histórica, bem como nas tentativas de sua compreensão pelos manuais da didática clássica. Na história vivida prevalece o caos.
Flávio foi para a frigideira, por Maria Inês Nassif
CartaCapital
Michelle e Valdemar Costa Neto ganham mais se
o filho 01 de Jair perder a eleição
O que está em jogo no lar bolsonarista não é quem vai disputar as eleições presidenciais de outubro – o príncipe ou a rainha, o peão ou o cavalo. Hoje, e depois do Escândalo Master, ninguém consegue definir o verdadeiro valor de face do bolsonarismo. O ex-capitão está na cadeia, cumprindo pena por golpe de Estado. A ideia de um líder forte, encantador de serpentes, sumiu atrás das grades. A reiterada exposição de suas fragilidades físicas desmonta a imagem do Mussolini jabuticaba, do super-herói que vai “livrar o País” de alguma coisa. Seu filho Flávio, autodenominado sucessor político do pai, registra nas pesquisas perdas crescentes entre eleitores antes cativos de Jair. Aquele que se nomeia candidato a presidente por direito de sucessão foi engolido pelo mar de lama do banco de Daniel Vorcaro e de uma relação antipatriótica com os Estados Unidos, a quem só falta pedir explicitamente que lidere um golpe de Estado no Brasil.
Pacote de bondades, por André Barrocal
CartaCapital
Em um esforço para melhorar a imagem, Lula
faz um sprint final no lançamento de obras e programas de apoio
A campanha presidencial começa só em agosto, com o registro das candidaturas na Justiça e o início da propaganda eleitoral, mas a pré-campanha entra em nova fase. De 4 de julho em diante, exatos três meses antes de os brasileiros irem às urnas, os postulantes à reeleição ficam proibidos de inaugurar obras, contratar servidores ou fazer publicidade dos atos de gestão. Daí o presidente Lula ter se empenhado nos últimos dias nos derradeiros anúncios de novas medidas do governo. Agora, terá de combinar o expediente burocrático no Palácio do Planalto com atividades político-partidárias fora da agenda oficial, em particular à noite e nos fins de semana. Com palanques definidos em 24 estados, o petista dedicará parte do tempo a reuniões com candidatos a governador e senador que o apoiam e a gravar vídeos para eles, entre outras.






