segunda-feira, 6 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editorais / Opiniões

Não faz sentido renovar subsídio ao carvão mineral

Por O Globo

Transição energética exige plano para desativar geração elétrica dessa fonte poluente e superada

É um paradoxo que o Brasil, país onde 88% da eletricidade é gerada por fontes renováveis — um dos percentuais mais altos do planeta —, ainda mantenha em sua matriz energética usinas térmicas a carvão mineral, que estão entre os maiores emissores de gases de efeito estufa. Embora respondam por algo como 1,4% da geração no país, elas custaram no ano passado R$ 1,22 bilhão em subsídios. Para piorar, um Projeto de Lei (PL) que tramita no Congresso, dos deputados Afonso Hamm (PP-RS) e Lucas Redecker (PSDB-RS), pretende estender tais subsídios até 2050, sob a alegação de que as usinas são um instrumento de segurança energética e econômica nas regiões carboníferas do Sul do país.

Os EUA inventaram o presidencialismo, so what? Por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

Medeiros e Albuquerque viu na abolição brasileira e na Guerra Civil americana os efeitos de dois sistemas de governo

Aos 250 anos, a mais influente invenção institucional americana continua a dividir os estudiosos da democracia

Os Estados Unidos inventaram o presidencialismo e difundiram-no quando o modelo parlamentarista ainda não havia se consolidado na Inglaterra, onde surgiu. Os 250 anos dos EUA servem para perguntar se sua exportação institucional foi uma boa ideia. Tocqueville reverenciou o modelo institucional do país em "A Democracia na América" (1835). Mas a América aqui era a Nova Inglaterra, uma sociedade fortemente igualitária de camponeses livres, não o Sul escravocrata, que mais se parecia com o Brasil.

O Sul, à época, representava apenas 28% da população total dos EUA, e sua população livre, apenas 16%. O Sul permaneceu, assim, um enclave na democracia americana. E a escravidão, o contencioso central da Constituição que, com as dez primeiras emendas (Bill of Rights), é um marco do constitucionalismo moderno. Embora minoritários, os estados do Sul lograram vetar mudanças no status quo na região.

Combinaram de nos matar, por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Pretos e pardos representam 86% dos mortos em razão da intervenção policial

Para vergonha nacional, esse é um padrão que se repete

"O Estado tirou o direito de ver meu filho crescer" (Bruna Silva). "Como confunde marmita com revólver"? (Fabiana Hoytil da Silva); "O Estado acabou com a minha vida." (Rosicleide Cruz Bispo de Jesus).

As declarações saíram das bocas de três mulheres que perderam filhos para a violência policial no Brasil nos últimos anos. Além da juventude, Marcus Vinícius da Silva (14), Gabriel Hoytil Araújo (19) e Michel Cruz (21) tinham outro traço em comum: a negritude.

Para vergonha nacional, esse é um padrão que se repete. Os números falam por si e demonstram, ano a ano, que o futuro é um tempo marcado para não se realizar nas vidas de parcela expressiva de brasileiros.

‘I couldn’t care less’, digo eu, por Ruy Castro

O Globo

Em português educado, significa 'Não dou a mínima'; é como Trump se sente sobre Lula e o Brasil

É como também me sinto sobre ter meu visto recusado e não poder voltar a Nova York

Há pouco ("Trump gagá", 18/6), listei uma série de traços recentes da personalidade de Donald Trump —comportamento aloprado, falas sem nexo, cochilar em público e fazer da Casa Branca um puxadinho de Mar-a-Lago—, típicas talvez do stress provocado pelas guerras sem sentido em que ele mete os EUA e das quais não consegue sair. Ou das medidas presidenciais que toma e que, por acaso, multiplicam sua fortuna e a de seus filhos. Enfim, nada de que a própria imprensa americana não fale diariamente.

Poesia | Revolta, de Guimarães Rosa

 

Música | Monica Salmaso - A terceira margem do Rio (Milton Nascimento / Caetano Veloso)