sábado, 11 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Petro repete reação antidemocrática de Trump e Bolsonaro

Por O Globo

Ao contestar resultado das urnas, colombiano mostra que agressão à democracia não está restrita à direita

O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, cancelou no início desta semana o processo de transição de poder conduzido com a equipe do presidente Gustavo Petro. Mesmo depois que a autoridade eleitoral oficializou a vitória por margem apertada do ultradireitista Espriella sobre o esquerdista Iván Cepeda, candidato do governo, Petro continuou a contestar o resultado (o próprio Cepeda reconheceu a derrota).

A semelhança com o que fizeram Donald Trump nos Estados Unidos e Jair Bolsonaro no Brasil é evidente. É uma prova de que a veia antidemocrática não está restrita aos populistas de direita. Sem apresentar um única prova, Petro afirma que houve fraude, nega-se a passar a faixa presidencial no dia da posse em agosto e marcou uma manifestação de rua para o dia 20 de julho, que vem sendo descrita como um replay do 6 de Janeiro de Trump ou do 8 de Janeiro de Bolsonaro. Não surpreende que Espriella acuse Petro de tramar um golpe de Estado e peça às Forças Armadas que protejam a Constituição e a democracia.

Obsessão por Trump vai derretendo candidatura do filho 01, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Ao defender o tarifaço, Flávio Bolsonaro se afasta do meio empresarial e rompe com 'direita limpinha'

Para reduzir rejeição feminina, ele quer transformar a mulher, Fernanda, numa espécie de Michelle 2

Alguém pôs na cabeça de Flávio Bolsonaro –provavelmente o pai– que, sem a ajuda ou a interferência direta de Trump e a propaganda e as teorias da extrema direita internacional, ele não ganha a eleição. Até agora a sugestão teve um efeito contrário.

Na sua sexta viagem aos EUA neste ano, mais do que o número de idas a estados-chave durante a pré-campanha (cujo objetivo é o Palácio do Planalto, não a Casa Branca, é bom lembrar), o filho 01 esteve em uma audiência promovida pelo Escritório de Comércio para defender o tarifaço 2.0 –desde que a chantagem político-econômica entre em vigor só depois das eleições. Pediu o prazo de 90 dias, alegando que a medida pode vir no "pior momento possível" e beneficiar Lula. Um cálculo de quem teme não chegar ao segundo turno.

STF deveria ler Maquiavel, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Corte deveria permitir que ministros envolvidos no caso Master sejam investigados

Medida, mesmo que não passe de simulação, ajudaria a recuperar imagem do Judiciário

A grande sacada de Nicolau Maquiavel foi ter separado a política da moral, o que lhe deu liberdade para analisar as relações de poder como elas são e não como gostaríamos que fossem. Não é uma coincidência que ele seja considerado o fundador da ciência política.

Está faltando ao STF ler um pouco de Maquiavel. Se os ministros da corte querem deixar para trás a crise de credibilidade em que se meteram, muito por causa do escândalo do Master, estão fazendo tudo errado.

IPCA mais baixo mostra que ruído contra BC foi exagerado, Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Pelos dados da inflação, o BC teria errado se tivesse parado o corte ou até subido a Selic

Que estrago adicional teria sido uma precipitação do Banco Central para uma economia que sofre com juros altos

dA desaceleração da inflação para 0,16% em junho, após marcar 0,58% em maio, mostrou que foi exagerado o barulho criado pelo mercado financeiro após a decisão do Banco Central de cortar os juros na última reunião do Comitê de Política Monetária.

Há menos de um mês, o cenário instalado no mercado era de fim do mundo com a decisão do Copom de continuar afrouxando a taxa Selic em um momento em que os índices inflacionários seguiam subindo para além do teto da meta de inflação.

Será um admirável mundo novo? Por Marcus Pestana

Ninguém é totalmente revolucionário, nem absolutamente conservador. O cidadão médio comum não gosta de instabilidade, rupturas radicais, mudanças desestabilizadoras. O novo, às vezes, assusta. Mas a história da civilização humana é tudo, menos a repetição monótona de um equilíbrio estático. Crises ocorrem ciclicamente. Se as pessoas gostam da conservação de tradições e estabilidade, por outro lado, a inquietação humana sempre persegue transformar a realidade. Se não fosse isso, não teríamos chegado, vindos da Idade da Pedra, à atual configuração do mundo contemporâneo. O medo do que é novo e a compulsão pela inovação convivem dialeticamente no desenvolvimento civilizatório.

Sobe o risco Brasil, por Murillo de Aragão

Revista Veja

Fatores ligados à política, economia e geopolítica criam viés de alta

A normalização dos eventos extravagantes de nossa conjuntura institucional é um grave risco. Pior do que qualquer crise isolada é ignorar o empilhamento dos pontos polêmicos que se apresentam no presente e se anunciam no futuro. Nos anos 1930, Winston Churchill era ridicularizado por alertar para o perigo nazista — e por pouco a Inglaterra não sucumbiu. O acordo do então premiê Neville Chamberlain com Hitler em 1938 parecia trazer paz à Europa; Churchill não acreditou e preparou-se para o pior.

No Brasil, guardadas as proporções de comparação com uma guerra mundial, a situação é mais ou menos parecida. Aos riscos de sempre (rombo fiscal, conflito entre os Poderes, sanha tributária e decisões contraditórias do Judiciário) soma-se a deterioração externa. A química entre Trump e Lula está em baixa: afagos e elogios deram lugar à ameaça de tarifaço e, pasmem, ao temor oficial do Itamaraty de que os EUA possam ensaiar alguma operação militar em território brasileiro.

O inferno astral dos Bolsonaro, por Cláudio Couto

CartaCapital

A autofagia familiar e a subserviência ao governo Trump corroem o capital político do clã

A família Bolsonaro vive um inferno astral há semanas. Primeiro, a revelação das nada republicanas conversas de seu candidato, Flávio, com Daniel Vorcaro, pedindo ao pivô do escândalo do Banco Master mais de 134 milhões de reais para, supostamente, financiar o filme sobre a ascensão política do patriarca. Depois vieram novas revelações sobre contatos mantidos entre o senador e o banqueiro, consolidando o desgaste da candidatura e o declínio de suas intenções de voto.

Em clima de mata-mata, por Maurício Thuswohl

CartaCapital

Enquanto se defende das pautas-bombas, o governo corre para destravar a PEC do fim da escala 6×1

Em meio à frustração da sexta eliminação consecutiva do Brasil em uma Copa do Mundo, o governo redobrou seus esforços para também não sair derrotado em mais um confronto com o Congresso Nacional. Ao longo da semana, líderes governistas na Câmara e no Senado buscaram avançar em dua­s frentes consideradas fundamentais: a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) pelo fim da escala 6×1 e a reversão de nove projetos identificados pelo Executivo como “pautas-bombas”, que podem resultar em um impacto anual de 111 bilhões de reais nos cofres públicos. O presidente Lula deseja ver os dois nós desatados até 17 de julho, último dia antes do recesso legislativo, mas para conquistar essa vitória o time do Executivo terá que furar a retranca de Hugo Motta e Davi Alcolumbre.

A bola e a vida, por Luiz Gonzaga Belluzzo

CartaCapital

Em sua universalidade, o jogo desencanta brasileiros, franceses, alemães…

A Seleção Brasileira foi machucada e eliminada por dois golaços de Haaland. Assim como todos os brasileiros, padeci as dores da derrota. Esporte universal e carismático, o futebol encanta e desencanta a vida de brasileiros, noruegueses, franceses, alemães e tutti quanti. Em sua universalidade, o jogo da bola imita a vida. Desencanta as almas nas derrotas e, logo depois, empolga os espíritos apaixonados dos torcedores com reviravoltas vitoriosas.

Nos anos 30 do século passado, os campeonatos mundiais de futebol e as Olimpíadas serviram de palco para a competição entre sistemas políticos rivais. Correm rumores de que Benito Mussolini teria enviado uma mensagem à seleção italiana. A ordem do Duce clamava aos jogadores: “Ganhar ou morrer”.

Seleção sem alma, por Aldo Fornazieri

Carta Capital

O fiasco brasileiro na Copa também é resultado de uma crise de liderança

A Seleção Brasileira não tem alma. Perdeu-a na Copa de 2014, disputada em casa, na fatídica derrota por 7 a 1 para a Alemanha. Uma seleção sem alma não tem ânimo, ímpeto, empenho, entrega, ousadia, brio nem determinação. A bronca não é porque o Brasil não vence um Mundial desde 2002. É natural que outras seleções conquistem o título, sobretudo em uma era de futebol globalizado. O problema está na forma como joga e reage – ou deixa de reagir – diante de uma situação adversa.

Poesia | A uma mulher que passa, de Charles Baudelaire

 

Música | Jura Secreta | Sueli Costa e Nelson Faria