O Estado de S. Paulo
Ele é a figura central e o principal símbolo na comunicação do governo
Os últimos resultados de pesquisas reiteram
que o problema do governo não é de comunicação, mas de quem o chefia. Lula
cobra de seus ministros e especialmente de seu marqueteiro uma marca ignorando
que ela já existe: é ele mesmo.
A marca enfrenta uma tempestade perfeita. O presidente é maior que seu partido e o conjunto de forças de esquerda. Ocorre que, nesse lado do espectro político, conforme bem demonstrado nas eleições municipais, tudo encolheu, enquanto as forças adversárias sociais e políticas se expandiram.
Há, porém, elementos indicando que é
substancial o fenômeno de fadiga de material. Nas broncas que Lula distribui a
ministros, ele mesmo admite que seu governo não é original (não tem “marca”),
não é eficiente (“não está entregando”) e não desfruta de confiança (“não
comunica bem”).
Lula 3 insistiu de saída em decisões
políticas que criaram a armadilha fiscal na qual se encontra, e que está na
raiz das pressões inflacionárias – o ácido corrosivo de popularidade. Essas
decisões vieram do apego do presidente a ideias erradas, especialmente a de que
basta injetar dinheiro para fazer a economia crescer.
Crenças desse tipo explicam, em boa parte, a
insistência de Lula em caminhos que não trouxeram benefícios político-eleitorais.
A ausência de um Estado-Maior digno do nome e a teimosia de um ancião
embevecido de si mesmo produziram a tal “desconexão com a realidade” – para
Lula e seus auxiliares, é impossível sequer aceitar a hipótese de que uma
parcela enorme e crescente do público o rejeita como figura política.
Políticas assistencialistas que antes
impulsionavam a “marca” Lula hoje são vistas como política de Estado. O Brasil
registra uma importante mudança social, que está fora dos cálculos políticos do
presidente e de seus especialistas em comunicação. É um mix complicado de
valores que ressaltam a centralidade de escolhas por parte do indivíduo e não
as benesses providas pelo Estado.
Para enfrentar esse conjunto adverso Lula
comparece quase que diariamente a palcos montados com público organizado.
Algumas performances foram contraproducentes, ou até patéticas, se comparado o
Lula cansado e repetitivo de hoje ao encantador de multidões de 20 anos atrás.
Sim, inflação é ruim para qualquer governante. Pior ainda quando ele não é mais capaz de vender um “sonho”, um futuro. Desse ponto é muito rápido para ser visto como pesadelo.
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