domingo, 12 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

É urgente proteger juízes que atuam contra facções

Por O Globo

De acordo com Fachin, pelo menos cem magistrados temem represálias por combaterem crime organizado

É preocupante a situação dos juízes que atuam contra o crime organizado, exposta pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, ao participar da instalação de novas varas especializadas em organizações criminosas no Tribunal de Justiça de São Paulo. O Brasil, disse Fachin, tem hoje ao menos cem magistrados exercendo atividades consideradas de risco, sob temor de represálias. Desses, 79 contam com medidas protetivas, como escolta armada ou guarda-costas. As ameaças, segundo ele, se expressam principalmente por meio de ataques cibernéticos, exposição de dados pessoais e perseguição digital.

Flávio mentiu para os americanos, por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Filho de Bolsonaro quer comprar ajuda de Trump com nosso dinheiro

Bolsonarismo tenta vender facilidade aos brasileiros após ter criado dificuldade

Flávio Bolsonaro foi a Washington pedir que Donald Trump suspenda o tarifaço temporariamente. O tarifaço, para quem não se lembra, foi organizado por Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio. Na questão do tarifaço, o bolsonarismo está tentando vender facilidade aos brasileiros depois de ter criado a dificuldade, uma tática clássica no mundo da corrupção.

É como se Lula tivesse pedido, e obtido, sanções chinesas contra o Brasil depois da vitória de Jair em 2018, só para aparecer em 2022 dizendo: olha, prometo resolver esse negócio de sanções chinesas, realmente terrível isso, quem será que fez, se vocês me elegerem eu as reduzirei pela metade.

Lula não fez isso. Os Bolsonaros fizeram.

Direita sente, em Flávio Bolsonaro, o bafejo de maus ventos, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Resistências e falta de empenho da direita contrastam com os bons índices do senador nas pesquisas

Contratempos da candidatura comunicam que hipótese de derrota é fava que se conta sem grandes lamentações

Políticos, quando hesitam em embarcar numa canoa ou ameaçam desembarcar dela, fazem isso porque vislumbram no horizonte a possibilidade de naufrágio. A acurada percepção sobre a direção dos ventos é uma das habilidades inerentes à atividade.

Projetos com presumida taxa alta de sucesso atraem adesões por gravidade. Foi assim que a direita aderiu pragmaticamente aos governos do PT, até abandonar o partido no governo Dilma Rousseff 2, e foi assim também que Jair Bolsonaro (PL) conseguiu transformar sua inicialmente desacreditada candidatura à Presidência num êxito eleitoral que deu nome a um movimento.

Ruge um tigre de papel, por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Cansaço dos colombianos com a progressão da violência e do crime organizado ajuda a explicar fenômeno Espriella

Avanço internacional da ultradireita tem elementos que indicam mudança na relação de políticos com as massas

Fato patibular não é só que os colombianos tenham elegido um presidente de extrema direita, mas que Abelardo de la Espriella seja um outsider da política e da realidade do país, terceira economia sul-americana, fornecedor de dois terços da cocaína consumida no mundo. Advogado, empresário, milionário, com dupla nacionalidade (colombiana e americana), residente entre Florença e Miami, em meio a rumores de ligação com a CIA, ele atraiu multidões a seus comícios com camisa amarela da seleção, rugindo como um tigre. Citando Trump, Bukele e Milei para garantir que pode administrar o Estado como uma empresa, diz que, em seu governo, "bandido que não se submeter será abatido".

Muitos times para um coração, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Perguntei à IA por qual time torcia o comediante Zé Trindade. Respostas: por nenhum e vários

Dependendo da formulação da pergunta, a IA, sem nenhum caráter, responde de modo diferente

Uma das qualidades da IA é que, ao lhe fazer uma pergunta, você terá direito a uma resposta múltipla. Só depende da maneira como formulou a dita pergunta. Outro dia, em meio a uma pesquisa sobre comediantes brasileiros do passado, perguntei à IA qual era o time de coração do genial Zé Trindade. Para quem não se lembra, Zé Trindade (1915-1990) foi um astro do estúdio Atlântida, em chanchadas deliciosas hoje proibitivamente incorretas até nos títulos, como "Mulheres à Vista" (1959), "Mulheres, Cheguei!" (1959), "Marido de Mulher Boa" (1960), várias outras.

Da Doutrina Monroe ao Make America Great Again: nada de novo no front, por Roberto Amaral*

Os EUA completam 250 anos de independência. Nada mais significativo e próprio celebrarem a efeméride sob a regência de Donald J. Trump, o presidente que, em pleno século XXI, representa, fortalece e atualiza a essência arrogante, colonialista e imperialista de sua história, como povo, nação e país. Essa essência ilumina a pretensão ideológica do destino manifesto, definido por Henry Kissinger como “a obrigação dos EUA de disseminar seus valores por todo o mundo” (Sobre a China, 2011).

As bases objetivas do imperialismo estão expressas na Doutrina Monroe (1823), consolidada pelo que ficou conhecido como “Corolário Roosevelt”. Refere-se à era da política do big stick do presidente Theodore Roosevelt (1901-1909), resumível na frase: “Fale com suavidade e carregue um grande porrete”, revista por Trump com a omissão da primeira parte.

O atual governo — intervencionista na América Latina, na Palestina, e no Irã, honrando o legado de seus antecessores — não pode ser visto como “um ponto fora da curva”.

Poesia | Festa da poesia, de Marcelo Mário de Melo

Vou à festa da poesia

festa de entrada franca

ninguém é dono nem manda

ninguém promove ou banca.

 

Nela os portões são abertos

por nuvens de passarinho

e o recepcionista

é um cavalo marinho.

 

Para iluminar o espaço

as estrelas se abaixaram

e as cores do arco-íris

se soltaram pra pintá-lo.

Música | Geraldo Azevedo - Dia Branco