sábado, 4 de abril de 2026

Legado de Ibaneis para Brasília e o BRB é o pior possível, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Situação do BRB se agrava com inação do governo do DF

Ex-governador do DF não conseguirá se distanciar do escândalo Master

Investigado por suspeitas de envolvimento no escândalo Master, Ibaneis Rocha (MDB), ex-governador do Distrito Federal, conseguiu o que queria. Saiu do cargo no último dia 30 para se candidatar ao Senado antes de o BRB ser obrigado a anunciar ao mercado que não iria mais publicar o seu balanço de 2025 dentro do prazo.

Ibaneis conseguiu empurrar a bola para a sua sucessora, a vice-governadora Celina Leão (PP), que também dá sinais de não querer resolver a crise com a urgência necessária para o tamanho do problema do banco.

O descumprimento do prazo legal de 31 de março para as companhias de capital divulgarem o balanço do ano anterior é resultado direto da incapacidade do governo do DF de buscar uma solução satisfatória para o BRB, após o envolvimento do banco público no fracassado projeto "Vértice" montado com Daniel Vorcaro para aquisição de parte do Master e patrocínio de Ibaneis.

A violação do prazo, pela segunda vez consecutiva, não é um mero problema contábil, que vai gerar multas diárias ao banco. É a constatação de que a situação do BRB, um dos únicos cinco públicos regionais que restaram no país (o governo federal tem outros cinco), está se agravando pela inação.

A direção do banco queria publicar o balanço —ruim devido às perdas provocadas pelas compras de carteiras fraudadas pelo Master— mas já com a solução para a capitalização. Não deu. O BRB perde mais um naco da sua credibilidade no mercado.

O próprio presidente do BRB, Nelson Souza, admite problemas de liquidez e fala das estratégias lançadas para gerir o caixa do banco. Após a saída de Ibaneis, o BC também cobra compromisso da atual governadora com a capitalização, como fez com Ibaneis. O governo Lula já avisou que não vai socorrer.

O ex-governador acha que, com a sua saída do cargo conseguirá se distanciar do Master para os eleitores, uma vez que, na hipótese do pior —uma eventual intervenção do BC— não terá acontecido mais sob a sua gestão.

Não vai conseguir. O seu legado para Brasília e o BRB é pior possível.

 

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