Folha de S. Paulo
A ampliação do acesso do povo às
universidades se reflete nas esferas econômica, social e cultural
Multiplicam-se os ataques contra as ações
afirmativas, especialmente contra cotas étnico-raciais
Ouso dizer, sem medo de errar, que a
democratização do ensino superior com a implementação
das cotas é a política pública mais eficiente e eficaz já
adotada pelo Estado para enfrentar as inequívocas e múltiplas desigualdades que
separam as elites das camadas populares da sociedade brasileira.
A ampliação do acesso do povo às universidades produziu um efeito que supera o campo da política educacional e se reflete nas esferas econômica, social e cultural ao abrir portas que historicamente estiveram cerradas aos mais pobres —em especial aos negros.
Graças às cotas, "filho de pedreiro não
quer mais ser pedreiro", pois sabe que deixou de estar predestinado a
reproduzir a trajetória de baixa remuneração e nenhum reconhecimento
profissional a qual seu pai foi condenado.
Mas como "alegria de pobre dura
pouco" (diz o ditado), multiplicam-se os ataques
contra as ações afirmativas —especialmente contra cotas
étnico-raciais. Por ironia, as investidas de deslegitimação partem de setores
das ditas "Casas do Povo".
Felizmente as investidas parlamentares
motivaram uma das maiores mobilizações de Movimentos Sociais Negros nos últimos
tempos. Cerca de 20 mil pessoas se reuniram no Sambódromo do Anhembi (SP) no
dia 31 para cobrar a ampliação do acesso ao ensino superior, num ato em defesa
de uma "Universidade com
a cara do povo brasileiro".
Entre as medidas anunciadas
pelo governo federal estão o aumento do apoio à Rede Nacional
de Cursinhos Populares, a criação do Programa Escola Nacional de Hip-Hop, e a
assinatura de um decreto que modifica o Prouni permitindo que os cotistas
possam concorrer inicialmente às bolsas destinadas à ampla concorrência.
"As medidas formam uma cadeia causal de
ação afirmativa, ajudando no acesso, na representatividade e no protagonismo
das camadas populares dentro da universidade", resumiu Zara Figueiredo,
Secretária de Educação Continuada,
Alfabetização de jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão, do MEC. Por uma
Universidade com a cara do povo brasileiro.

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