segunda-feira, 20 de abril de 2026

Voto negro tem poder, por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Qual o projeto político dos candidatos para a população negra brasileira?

A realidade já deixou evidente que a falta de consciência social e de letramento étnico-racial afeta diretamente o povo

Com a proximidade das eleições gerais, a pergunta que não sai da minha cabeça é: Ei, senhor(a) candidato(a), qual o seu projeto político para a população negra brasileira?

Indagação semelhante me ocorre em relação a propostas voltadas à proteção, segurança e bem-estar das mulheres. Como se sabe, o público feminino vem sendo atacado sistematicamente em nosso país —a média de feminicídios foi de 4 mortes ao dia em 2025.

No meu entendimento, esses são questionamentos dos mais relevantes a se fazer a quem pretende disputar e exercer postos de comando e gestão com poder suficiente para definir (ou redefinir) os rumos de uma nação.

Sempre é bom lembrar que a maioria dos brasileiros (56%) se autodeclara preta ou parda. Por óbvio, isso também revela o perfil da maior parte dos eleitores. Pelas estatísticas do TSE, 64,96% do nosso eleitorado é negro e 52 % é feminino.

Além disso, a realidade já deixou evidente que a falta de consciência social e de letramento étnico-racial afeta diretamente o povo. Em alguns casos, trata-se, sem exagero, de questão de vida ou morte que se coloca para os cerca de 115 milhões de pessoas autodeclaradas negras.

Não sei vocês, mas eu lembro bem de máximas racistas, preconceituosas e discriminatórias proferidas por governantes movidos por lemas como "mira na cabecinha" e "primeiro atira, depois pergunta".

Em menos de seis meses —o primeiro turno das eleições está marcado para o dia 4 de outubro— teremos na ponta dos dedos o poder de escolher presidente da República, deputados federais e senadores que irão compor o Congresso Nacional (Câmara e Senado), governadores dos estados e deputados estaduais e distritais que integrarão as assembleias legislativas.

Essa gente vai pautar e definir temas que irão impactar as nossas vidas pelos próximos quatro anos —ao menos. Então, fique atento. Valorize seu voto. Pesquise sobre as propostas dos candidatos. Preze o poder que a democracia nos delega a cada eleição.

 

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