A terceira face de Janus está aí, convertido num terceiro ator que se une à conjuntura mundial, onde estados e sociedades podem regredir para uma estrutura anacrônica internacional, na qual a força prevalece sobre a razão, e tornou-se mais difícil conviver com base em regras acordadas, que permitem um contexto de acordos multilaterais que geram uma realidade com imperfeições. mas capaz de se desenvolver de forma civilizada, sem a ameaça, o medo e a liquidação do outro.
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
sábado, 18 de julho de 2026
A terceira face de Janus, por Ricardo Marinho*
A globalização e a Copa, por Marcus Pestana
Nem tudo foram flores. México e Canadá deram aula de acolhimento e simpatia. Já Trump e seu governo envergonharam a opinião pública internacional com atitudes explícitas de preconceito e xenofobia. Submeteram seleções africanas e asiáticas a revistas humilhantes, impuseram à seleção iraniana uma situação absurda, barraram a entrada do juiz somali Omar Artan, eleito o melhor da África em 2025, por supostas ligações com organizações terroristas. E a subserviência da FIFA foi vergonhosa.
Psicodrama eleitoral, por Murillo de Aragão
Revista Veja
A plateia não está gostando nada do que está
assistindo
As eleições percorrem uma trilha novelesca que transita pelo gangsterismo clássico, ora passando pelos crimes de colarinho branco, quase sempre envolvendo histórias de corrupção. Tudo regado a fortes doses de influência política e advocacia administrativa. Em 2026, o enredo vai além: inclui brigas de família no arraial bolsonarista e ameaças entre presidentes. Vale dizer que as relações de Lula com Trump sempre foram permeadas de bravatas de lado a lado.
Permanência com aprendizado, por Cristovam Buarque
Revista Veja
A escola precisa louvar o prazer de estar
numa sala de aula
Em 1994, a Editora Paz e Terra publicou A Revolução nas Prioridades: da Modernidade Técnica à Modernidade Ética. Além de formular o conceito das duas modernidades e apresentar um capítulo sobre os dez erros da modernização brasileira, o livro propunha 100 medidas para orientar o futuro do Brasil. A primeira era o pagamento de uma renda mensal às mães para que seus filhos não faltassem às aulas; a segunda, o depósito anual de um valor em poupança ao final de cada ano se o aluno fosse aprovado, a ser liberado quando ele concluísse o ensino médio. Em 1995, o governo do Distrito Federal adotou essas duas medidas, com os nomes de Bolsa-Escola e Poupança-Escola. Cinco anos depois, a primeira foi levada para todo o Brasil pelo governo Fernando Henrique Cardoso; em 2004, o presidente Lula a transformou no Bolsa Família, retirou sua gestão do MEC e ampliou seus beneficiários a todos que precisavam de ajuda; em 2003, seu então ministro da Educação apresentou um projeto de lei para estender a Poupança-Escola a todo o Brasil, mas somente 21 anos depois, graças à deputada Tabata Amaral, a proposta foi finalmente adotada, com o nome Pé-de-Meia.
Guerra contra a Justiça, por Jamil Chade
CartaCapital
Trump age para desmantelar o Tribunal Penal
Internacional
Donald Trump declarou guerra contra a Justiça internacional. Em uma operação diplomática de chantagem e de ameaças, o governo norte-americano colocou em prática a maior ofensiva contra a ideia do direito internacional e a perspectiva de criminosos de guerra não ficarem impunes. Na segunda-feira 13, de maneira solene, o secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou que sua missão passou a ser a de desmantelar o Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia.
Casos de família, por Pedro Serrano
CartaCapital
O perigo persiste, pois os dramas do clã
Bolsonaro tendem a produzir pouca ou nenhuma repercussão em base eleitoral,
acometida por uma cegueira deliberada
Nos últimos dias, revivemos, pelo noticiário,
os conflitos da família Bolsonaro. Em vez de coalizões republicanas, que
naturalmente antecedem os processos eleitorais, as movimentações têm se
assemelhado a programas de televisão nos quais as desavenças familiares são
expostas de forma crua.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou um vídeo em que expõe desentendimentos com Flávio Bolsonaro, apontado pré-candidato à Presidência da República. Em resposta, o senador tornou pública uma carta escrita pelo pai. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, entendeu que houve violação da medida cautelar imposta ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que o proíbe de utilizar redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros, e proibiu Flávio de visitá-lo por 90 dias.
Presente de grego, por André Barrocal
CartaCapital
De volta à berlinda por causa das emendas, o
Parlamento aprova pautas-bombas e entra em recesso
O Congresso sai de recesso e volta para valer ao batente apenas após a eleição de outubro. Até lá, haverá duas semanas de “esforço concentrado”, em agosto e setembro, um costumeiro faz de conta com o qual deputados e senadores tentam mostrar ao eleitor que não estão com a cabeça somente na própria campanha. Antes de fechar as portas, o Legislativo aprovou (mais) uma “bomba” financeira para o governo. É a aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde. Cerca de 400 mil trabalhadores serão beneficiados, caso o Supremo Tribunal Federal dê sinal verde. A equipe econômica pretende recorrer ao STF pois, em um julgamento anterior, a Corte decidiu que o Legislativo precisa apontar fontes de receita sempre que criar despesa nova, o que não ocorreu neste caso. Estima-se um gasto extra de 2,7 bilhões de reais por ano em uma década com essa inatividade especial. Por se tratar de mudança constitucional, o Parlamento tem de marcar uma sessão para promulgá-la. Ainda não há data, depende do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre.
A relação financeira Brasil-China, por Luiz Gonzaga Belluzzo
CartaCapital
A emissão de Panda Bonds pelo mercado
brasileiro é mais um passo rumo à mudança do sistema monetário
Registram o China Daily e o Global Times,
jornais chineses: em reunião em Pequim, autoridades do país e brasileiras
celebraram o acordo que permite a emissão de Panda Bonds. Os Panda são títulos,
públicos e privados, denominados em renminbi nos mercados financeiros da China.
O Brasil foi a primeira nação autorizada a emitir títulos Panda. Outras
certamente estão na fila.
Isso nos faz recordar os trabalhos elaborados para as reuniões que precederam as reformas de Bretton Woods em julho de 1944. John Maynard Keynes formulou a proposta mais avançada e internacionalista de gestão da moeda internacional. Com base nas regras de administração da moeda bancária, o Plano Keynes previa a criação de uma entidade pública e supranacional encarregada de controlar o sistema internacional de pagamentos e de providenciar liquidez aos países deficitários. Tratava-se não só de contornar o inconveniente de submeter o dinheiro universal às políticas econômicas do país emissor, como observamos agora, mas de evitar que a moeda internacional assumisse a função de perigoso agente da instabilidade financeira internacional.







