domingo, 19 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Copa do Mundo sai vitoriosa com diversidade

Por O Globo

Ponto negativo do torneio ocorreu fora de campo, com Fifa cedendo à pressão de Trump por anulação de cartão

Quando a Fifa anunciou a realização da Copa do Mundo de 2026 com 48 seleções — a maior da História — nos Estados Unidos, Canadá e México, havia dúvidas se o aumento do número de participantes, que levaria a campo equipes de pouca ou nenhuma tradição, funcionaria. Depois de 39 dias e mais de cem partidas em que jogadas antológicas de craques como Lionel Messi, Kylian Mbappé, Lamine Yamal, Harry Kane, entre outros, se misturaram a pisadas de bola do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do comandante da Fifa, Gianni Infantino, parece certo que, ao menos dentro de campo, a maratona do futebol passou no teste.

O Brasil entre soberania, democracia e seus velhos problemas sociais, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A retaliação de Trump pode fortalecer uma narrativa nacionalista, mas o custo de vida, a insegurança, os juros, a qualidade dos serviços e a esperança continuarão orientando o voto

Quem quiser que se iluda, estamos diante de um novo ciclo político de longa duração, no qual os velhos problemas do país já não podem ser enfrentados da mesma forma, num contexto de crise da democracia ocidental, revolução tecnológica e desestruturação dos pactos diplomáticos pós Segunda Guerra Mundial. É nesse contexto que o Brasil chega às eleições de 2026, com uma combinação complexa de problemas sociais e econômicos, de radicalização política e de mudança da ordem internacional.

Ninguém pode desconsiderar que o nosso subdesenvolvimento, para usar uma expressão clássica, decorre da baixa produtividade, da desigualdade de oportunidades, da precariedade da educação básica, da expansão do crime organizado, dos deficits de saneamento e de habitação, do alto custo do capital e da fragilidade fiscal. Esse é o diagnóstico que alimenta o debate e divide opiniões por parte de quem busca soluções para o país em bases democráticas.

Ciranda política, por Merval Pereira

O Globo

Vença quem vencer a eleição deste ano, seremos reféns do passado até pelo menos 2030, quando haverá uma nova safra de políticos à disposição dos eleitores.

Vença quem vencer a eleição deste ano, seremos reféns do passado até pelo menos 2030, quando haverá uma nova safra de políticos à disposição dos eleitores, o que não acontece desde 1994, quando Fernando Henrique, um presidente ocasional como ele gosta de se definir, surgiu no cenário nacional fruto de uma visão moderna da política trazida pelo PSDB, que rompeu com o desgastado MDB devido aos mesmos problemas que vivemos hoje, especialmente a corrupção.

O hoje presidente Lula envelheceu no poder, de um renovador apresentado ao eleitorado em 1989 a um velho oligarca que hoje comanda um partido político, o PT, que caminha para a obsolescência assim que seu único líder se retirar da política, pela derrota este ano ou até 2030, ao terminar um possível quarto mandato presidencial. Se alguma intercorrência, de saúde ou política, impedir que termine o eventual mandato, seu substituto será o vice Geraldo Alckmin, outra raposa política vinda dos tucanos para o petismo, capaz de cantar a Internacional Socialista com a mesma entonação monocórdica com que acusava Lula de ter roubado na eleição presidencial que disputaram entre si em 2006.

Novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham critica neoliberalismo e promete guinada à esquerda, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Fantasiado de lixeira, candidato de protesto ameaça derrotar líder da ultradireita populista

Nesta segunda-feira, Andy Burnham cruzará os portões do Palácio de Buckingham para uma audiência com o rei. Charles III vai perguntar se o novo líder do Partido Trabalhista aceita formar um governo em seu nome. O rito se repete há mais de três séculos — mas nunca foi encenado tantas vezes em tão pouco tempo.

Ex-prefeito de Manchester, Burnham se tornará o sétimo primeiro-ministro britânico em uma década. A instabilidade começou quando a população da ilha foi às urnas e tomou uma decisão estúpida: abandonar a União Europeia.

Elisabeth, a menina de Renoir, por Elio Gaspari

O Globo

Acaba de sair no Estados Unidos o livro “The Renoir girls”, com a trágica história das irmãs retratadas pelo pintor francês

Um dos mais admirados quadros do Museu de Arte de São Paulo é do pintor francês Renoir: chama-se “Rosa e Azul”. Retrata duas meninas: Alice (a de vestido rosa), de 5 anos, e Elisabeth (de azul), de 6, filhas do casal Louis e Louise Cahen d’Anvers, estrelas da granfinagem parisiense. Renoir recebeu 1.500 francos pelo serviço, não ficou muito satisfeito, mas o quadro foi bem de crítica. Acaba de sair no Estados Unidos o livro “The Renoir girls”, com sua história.

No fim do século XIX os Rothschild, com seu banco e seus castelos, eram conhecidos como os reis dos judeus, e os d’Anvers (também judeus) estavam ligados aos Ephrussi, os reis do trigo. Faziam parte da elite francesa ou supunham fazer parte dela, pois o ranço antissemita sempre estava pronto para mais um bote.

O mais importante sobre o novo tarifaço não é a tarifa, por Matias Spektor*

O Globo

O objetivo não pode ser apenas exportar mais, mas usar a integração comercial para elevar a produtividade da economia

O erro mais comum na discussão sobre as novas tarifas americanas contra o Brasil é tratá-las como mais um episódio da turbulenta relação entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. Essa dimensão existe. Mas ela esconde a transformação mais importante.

Os Estados Unidos passaram a reorganizar sua política comercial em torno do poder nacional. O comércio tornou-se instrumento de competição estratégica — controles de exportação de tecnologia sensível, exigências de conteúdo local para subsídios industriais, triagem de investimentos por segurança nacional. Quando a Suprema Corte anulou parte das tarifas de 2025, o governo Trump reconstruiu sua política tarifária sobre bases jurídicas mais sólidas. As novas tarifas contra o Brasil são parte dessa estratégia mais ampla.

EUA apostam em testosterona para vencer, por Dorrit Harazim

Por O Globo

Esteroide é a receita de Pete Hegseth para reverter a incapacidade de Trump de ganhar as guerras que inicia

O operador de teleprompter Gabriel Pérez trabalhou para Donald Trump por dez anos. Conseguia engordar o salário de US$ 170 mil anuais fazendo apostas na Kalshi (maior concorrente da Polymarket) sobre a duração, os temas e determinadas palavras que o chefe usaria em discursos. A barbada tinha lucro garantido, pois são notórias a esqualidez, vulgaridade superlativa e previsibilidade do vocabulário de Trump.

A jogatina do funcionário foi descoberta poucas horas antes da fala presidencial da semana passada, levando à sua demissão. De todo modo, Pérez teria perdido a aposta. O discurso anunciado por Trump como de importância capital e com revelações tonitruantes durou menos de meia hora em horário nobre —uma merreca para a verborragia habitual. Sequer foi transmitido na íntegra por Fox News, ABC e CNN. É possível que o próprio Trump não aguentasse ouvir por mais tempo sua ladainha de que houve fraude na eleição de 2020, em benefício do democrata Joe Biden. Em fala arrastada, listou um cipoal de “evidências novas” de interferência da China, com respingos até contra a infeliz Venezuela, e deu o recado central: diante da falência do sistema eleitoral americano, será preciso antecipar-se às inevitáveis fraudes no pleito de novembro próximo. Tradução: vale tudo para impedir que os democratas reconquistem maioria na Câmara e/ou no Senado, como apontam as pesquisas de opinião mais recentes.

A inegável motivação política de Trump, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Os Bolsonaros atacaram, Lula tentou defender e perdeu. Trump ganhou a guerra

A palavra de ordem na crise das tarifas entre Brasil e EUA é negociação, mas isso depende de algo básico: combinar com os adversários. Não há conversa se um dos lados fecha portas e ouvidos e esse é o caso de Donald Trump e Marco Rubio, que não estavam e não estão dispostos a conversar governo a governo. Quando um não quer, dois não brigam. Quando um não quer, ninguém negocia.

O presidente Lula não passa ileso de críticas, desde que, apesar da “química” com Trump, insistiu em dar caneladas no presidente americano. Uma ou outra eram indispensáveis, mas a insistência foi além do necessário. Isso, porém, não significa que o Brasil não tenha se esforçado para negociar.

O Brasil e outra oportunidade perdida, por Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo

Na ofensiva tarifária de Trump a lição para os brasileiros é: não seja eficiente, seja dependente do governo

A tarifa americana de 25% aprofunda a escolha do Brasil de privilegiar setores ineficientes, sacrificar os eficientes, elevar o protagonismo do Estado, intensificar a transferência silenciosa de riquezas para grupos privilegiados e a dependência da China. Antes da ofensiva de Donald Trump, os EUA impunham alíquota média de 3%; a União Europeia, de 4%; o Mercosul, 11%.

Empresas com mais poder político usufruem de proteções ainda maiores: 18% para o etanol, 20% para produtos industrializados, 35% para automóveis e 63% para resinas termoplásticas, se consideradas as ações antidumping.

Ucrânia e Oriente Médio, por Celso Lafer*

O Estado de S. Paulo

O desafio de calibrar as respostas do País a este cenário internacional é a primeira prioridade da política externa brasileira

As guerras, assim como a paz que delas pode resultar, são camaleônicas. Mudam de aspecto e de caráter em função de sua duração, dos beligerantes envolvidos, da pluralidade das armas, das constelações diplomáticas e da dinâmica do poder e da força em ação.

As guerras na Ucrânia e no Oriente Médio têm especificidades próprias e distintos atores. Representam o paradigma do uso da força como meio de solução de tensões e conflitos.

Ambas têm como horizonte uma reconfiguração geopolítica das regiões em que vêm sendo travadas, e vêm tendo um impacto significativo na dinâmica da vida internacional, que vai muito além do de seus espaços próprios.

Lula chama Trump para guerra no teatro do ufanismo, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

O presidente ganhou o lance do tarifaço, mas corre o risco de passar do ponto na exploração da vitória

O embate da soberania não se sustenta se contraria o interesse nacional e ignora demandas urgentes do país

Flávio Bolsonaro (PL) perdeu de lavada para Luiz Inácio da Silva (PT) no quesito tarifaço e disso deu notícia completa a pesquisa Quaest em que o senador gabaritou negativamente o questionário feito sobre o assunto. O eleitorado deu razão a Lula de A a Z.

No universo da política, a avaliação também foi ruim, a começar pelo candidato que já havia reconhecido o prejuízo no pedido do adiamento para não favorecer o adversário. Quem não criticou, calou, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Se é isso que a direita faz com o Brasil acima de tudo, o Deus acima de todos que se cuide, por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Toda vez que Flávio Bolsonaro cai nas pesquisas, pede para a Casa Branca punir os brasileiros

Se tarifaço fosse de esquerda, todas as legendas mais ou menos progressistas já teriam perdido registro

Toda vez que Flávio Bolsonaro cai nas pesquisas, pede para a Casa Branca punir os brasileiros. Do jeito que a coisa vai, temo que o Brasil seja alvo de um ataque nuclear americano se vazarem vídeos do filho do Jair pelado na festa do Vorcaro.

Os sucessivos tarifaços americanos são a maior agressão à soberania brasileira desde que os nazistas afundaram navios em nossa costa. O bolsonarismo é o único movimento da história brasileira que tentou roubar uma eleição presidencial por intervenção aberta de superpotência estrangeira.

E o máximo que pode acontecer a essa turma é perder dois ou três pontos nas pesquisas presidenciais.

Um conto ao pé da letra, por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Ficção de Margaret Atwood ganha veracidade na trama político-social dos EUA; alvo inicial é o voto feminino

O mais grave é que as próprias mulheres possam concordar com essa autodestruição da liberdade

"O Conto da Aia", uma das ficções mais influentes da literatura distópica contemporânea, é, em princípio, uma crítica de Margaret Atwood aos regimes totalitários, com foco no controle político sobre o corpo feminino, na perda dos direitos civis e na dominação religiosa. A história: na República de Gilead, teocracia que substituiu o governo americano após um golpe, uma grave crise de fertilidade obriga mulheres férteis a se tornarem "aias", reprodutoras de membros da elite dirigente.

Aventureiros e larápios, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Livro traz perfil de 15 pessoas responsáveis por quebras espetaculares de mercados

Há desde visionários que agiram com boa-fé até facínoras que recorreram a métodos mafiosos

Os manuais de direito penal asseguram que não existe estelionato ou fraude culposos. Não é possível aplicar um golpe "sem querer". A própria definição do crime já exige a intenção de cometê-lo. Mas "Aventureiros e Larápios", de Roberto Teixeira da Costa e Fábio Pahim Jr., mostra que o mundo tende a ser mais complicado do que querem nossas teorias.

O livro traz o perfil de 15 personagens que quebraram os mercados. Alguns, os aventureiros, eram visionários que cometeram erros de boa-fé e tentaram sair honradamente da encrenca. Um bom exemplo é Irineu Evangelista de Souza, o barão de Mauá. Apesar da espetacular falência, deixou um legado positivo para o país.

A grande final, por Tostão

Folha de S. Paulo

Seleção argentina joga com lucidez e troca passes com precisão, superando adversários

Espanha pode colocar Argentina na roda com posse de bola e passes em círculo

Contra a Inglaterra, a Argentina foi novamente um time alucinado, sem perder a lucidez, a capacidade de trocar passes, de fazer as escolhas certas, de superar as dificuldades e de ultrapassar os limites.

futebol é muito mais que um jogo de talentos individuais e de planejamento tático. É um jogo de emoções, teatro da vida.

Messi é um supercraque ao lado de excelentes jogadores. Todos se entendem pelo olhar e pela consciência coletiva. Além de genial, Messi é uma pessoa simples, discreta, com muita seriedade profissional e sem os trejeitos e idiotices das celebridades e dos fictícios personagens.

Poesia | Resíduo, de Carlos Drummond de Andrade, voz Paulo Autran

 

Música | Beth Carvalho - O que é o que é, de Gonzaguinha