domingo, 12 de julho de 2026

Direita sente, em Flávio Bolsonaro, o bafejo de maus ventos, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Resistências e falta de empenho da direita contrastam com os bons índices do senador nas pesquisas

Contratempos da candidatura comunicam que hipótese de derrota é fava que se conta sem grandes lamentações

Políticos, quando hesitam em embarcar numa canoa ou ameaçam desembarcar dela, fazem isso porque vislumbram no horizonte a possibilidade de naufrágio. A acurada percepção sobre a direção dos ventos é uma das habilidades inerentes à atividade.

Projetos com presumida taxa alta de sucesso atraem adesões por gravidade. Foi assim que a direita aderiu pragmaticamente aos governos do PT, até abandonar o partido no governo Dilma Rousseff 2, e foi assim também que Jair Bolsonaro (PL) conseguiu transformar sua inicialmente desacreditada candidatura à Presidência num êxito eleitoral que deu nome a um movimento.

O chamado bolsonarismo, contudo, dá sinais de fragilidade na ausência do chefe. Ao contrário do petismo, que se manteve vivo mesmo com a prisão de Luiz Inácio da Silva, em 2018, e na ausência de postulantes a substitutos a ponto de ir pela quinta vez ao Palácio do Planalto em 2022, a corrente se dispersa sob a administração dos herdeiros.

atrito com Michelle é só o gesto mais atrativo, do ponto de vista da intriga midiática. Outros menos chamativos têm significado político que indica franca indisposição da direita —seja ela extrema ou moderada— com a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).

O natural, dada a condição de competitividade do senador nas pesquisas de opinião, seria a adesão desse campo sem contestações. No entanto, o que vemos é o Republicanos condicionar a aliança a apoios ao partido nos estados e a federação União Brasil-PP optar pela neutralidade.

Do coordenador da campanha em São PauloTarcísio de Freitas (Republicanos), não se vê empenho; em Minas Gerais, Nikolas Ferreira (PL) tampouco se esforça; em Santa Catarina, parte da direita se revolta com a invasão territorial de Carlos Bolsonaro; no Rio de Janeiro, o palanque local desmoronou ao peso de condenações, prisões e inelegibilidades de aliados.

Tais contratempos podem não resultar em desembarques, mas comunicam que a hipótese da derrota é uma fava que se conta sem grandes lamentações.

 

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