Folha de S. Paulo
Para desgosto de nossos cartolas, será difícil
tirar do presidente da Fifa o título de 'rei do tapetão'
Apoteose de vaias para o dirigente foi um dos
momentos inesquecíveis deste Mundial
Em meio ao baile com olé que a
Espanha deu na França na semifinal da Copa, os telões do estádio dos Dallas
Cowboys, no Texas, mostraram o presidente da Fifa nas tribunas.
Imediatamente Gianni
Infantino recebeu o carinho da galera: apupos, assobios e xingamentos.
Uma apoteose de vaias, para citar Nelson Rodrigues.
Ainda não se sabe se o programador de imagens da Fifa continua no cargo. Se dependesse de mim, o homem ganharia uma gratificação salarial. Foi um dos momentos inesquecíveis da Copa de 2026. E, por sorte, sem a interferência engessante do VAR.
Comparável ao lance plasticamente mais bonito
da competição: o
gol de Cabo Verde contra a Argentina, numa jogada iniciada com troca de
passes no meio de campo até a conclusão de Sidny Lopes Cabral, o drible no bico
da grande área e o chute no ângulo do goleiro Dibu Martinez. Lembrou o passado
de glórias de certa seleção, que hoje assumiu o papel de coadjuvante.
Vaiado, Infantino sorriu amarelo. Mas logo
fez cara de paisagem. De quem ganha US$ 4,8 milhões (fora as mordomias, os
mimos e as mutretas) e não dá a mínima para os torcedores. De quem está pouco
se lixando para os protestos contra o preço dos ingressos e as reclamações
de profissionais do esporte sobre a parada obrigatória para hidratação —desculpa
para mais publicidade. A ideia de dividir a partida em quatro tempos,
aliás, foi
de João Havelange ainda na década de 1990 e só agora implantada.
Ao aceitar a pressão
de Trump para que fosse suspenso o cartão vermelho de Folarin
Balogun, artilheiro da seleção dos Estados Unidos, Infantino conseguiu a
façanha de superar os expedientes da Justiça desportiva brasileira. Para
desgosto de nossos cartolas, será difícil tirar dele o título de "rei do
tapetão".
Infantino confirmou a presença do presidente
dos EUA na final deste domingo (19) entre Espanha e Argentina. A lembrança de
Nelson Rodrigues se impõe de novo. No melhor estilo "grã-fina das narinas
de cadáver", Trump vai perguntar quem é a bola e levá-la para casa.
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário