Folha de S. Paulo
Ministros, que andavam desorientados sobre
como ajudar na campanha, agora perguntam aos empresários: 'Do que que vocês
precisam?'
Petista pegou carona na janela aberta pelas
novas tarifas e aproveitou para reforçar a defesa incondicional do Pix
Um ano após o primeiro tarifaço do governo
dos Estados
Unidos, o senador Flávio Bolsonaro deu um baita presente para o
presidente Lula ao
estimular que o balcão de negócios de Donald Trump virasse
tema eleitoral no Brasil.
Na antessala do início oficial da campanha política, no dia 16 de agosto, Lula voltou a abraçar o discurso da soberania depois que o pré-candidato do PL foi até os Estados Unidos participar da negociação comercial e pediu ao governo Trump que adiasse a decisão do tarifaço para depois do resultado das eleições.
Lula, que já tinha obtido ganhos políticos no
ano passado com o tarifaço num momento de baixa popularidade do seu governo,
pegou carona na janela aberta pelas novas tarifas e aproveitou
para reforçar a defesa incondicional do Pix, sistema que é
praticamente uma unanimidade no Brasil.
Os ministros de Lula, que andavam
desorientados sobre como ajudar o presidente na campanha eleitoral sem ferir as
regras do defeso eleitoral, que
impõem restrições à ação do governo nos três meses que antecedem as eleições,
estão agora sentados com os representantes dos setores afetados pelo tarifaço.
Eles podem perguntar aos empresários: do que
vocês precisam? Muitas dessas lideranças empresariais são de setores que tinham
pouca relação com esse governo. Em alguns casos, até aversão.
As negociações passam a ser de novas
políticas compensatórias ao tarifaço, o que dá poder à equipe do presidente de
negociar e acionar medidas de estímulo fiscal e de crédito sem que isso seja
visto como medida eleitoreira. Os ministros ganharam uma pauta.
Fora a Fiesp, que divulgou
uma nota responsabilizando o governo pelo novo tarifaço, os
empresários não compraram até o momento a narrativa de que a diplomacia
brasileira teria colocado a ideologia acima dos interesses do país –embora
apontem que algumas falas do presidente Lula não ajudaram a selar a paz.
O maior risco que o Brasil enfrenta hoje é o
governo não perceber o tamanho do presente e retaliar, produzindo uma escalada
que dê medo na galera.

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