sexta-feira, 24 de julho de 2026

O que querem os Bolsonaros? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Investida de Flávio contra as urnas eletrônicas arranha tentativa de posar de moderado

Se o clã fracassar em mais uma disputa, a marca Bolsonaro já não valerá muito

pregação contra as urnas eletrônicas de Flávio Bolsonaro representa um desafio hermenêutico. Com tal gesto, o jovem Bolsonaro anula ou ao menos enfraquece a imagem de moderação que se esforçava para construir. E esse era um cálculo que fazia sentido, já que, para vencer um eventual segundo turno contra Lula, ele precisará do apoio de eleitores independentes normalmente avessos a radicalismos.

A interpretação mais plausível para a mudança de atitude é que, diante dos percalços por que passa a campanha, Flávio já prepara o discurso para uma derrota. Se Lula triunfar, não terá sido porque recebeu mais votos, mas sim porque o sistema, o "deep state" tupiniquim, conspira contra os Bolsonaros. Uma punição do TSE pelas mentiras sobre as urnas só reforçaria esse discurso.

Direita profissional acha Flávio amador, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Família Bolsonaro acreditou que o centrão daria apoio de graça, por gravidade e identidade ideológica

Enganou-se ao não considerar que esse pessoal atua no mercado futuro da política, de olho na melhor oferta

PL chega à sua convenção nacional sem conseguir atrair parceiros para formar uma coligação. O fato em si não é determinante para o desempenho de candidaturas. Em 2018, o PSDB de Geraldo Alckmin formou a mais ampla das alianças e terminou a eleição com menos de 5% dos votos.

O problema é a razão pela qual a campanha de Flávio Bolsonaro tem recebido explícitas e constrangedoras negativas de adesão por parte da direita profissional, que não se dá bem com amadorismos. Veterano no ramo, Valdemar Costa Neto chamou atenção para o despreparo. O senador e companhias podem ser bons de lacrações, mas são ruins no jogo da política.

Fala golpista e lamaçal no Rio não ajudam Flávio Bolsonaro, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Insinuações sobre urnas eletrônicas repetem mentira do pai que tentou desacreditar eleição

Senador terá de responder sobre relação com acusados de corrupção na política fluminense

A conversa de Flávio Bolsonaro com diplomatas, na qual repete mentiras de seu pai para questionar as urnas eletrônicas e as eleições no Brasil, não pode deixar de ser vista em sua dimensão golpista. O senador, que já havia perdido o entusiasmo de setores da direita democrática, deu mais um passo para despertar desconfianças sobre sua candidatura. Não por acaso, vemos direitistas empurrando suas fichas para 2030.

Além do pedido de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro (que será investigado pela PF), das relações com a Casa Branca e dos atritos com a madrasta Michelle, que geraram problemas com parte do eleitorado feminino e evangélico, a situação de Flávio não é favorecida pelo quadro de contaminação da política do Rio pelo crime organizado.

Poesia | Caso Pluvioso, de Carlos Drummond de Andrade (por Paulo Autran)

 

Música | Milton Nascimento - Comunhão ( Milton Nascimento & Fernando Brant