quinta-feira, 23 de julho de 2026

A contenção dos Bolsonaros, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Representantes do PIB já olham para 2030

Depois dos dois tarifaços de Trump contra o Brasil, existe a percepção de que algo perigoso ronda a elite empresarial

A manchete da Folha foi cirúrgica: "Flávio Bolsonaro repete o pai e propaga dado falso sobre urnas em reunião com embaixadores". O presidenciável do PL tentou amenizar a fala, mas o estrago já está feito.

A repercussão nos meios político e econômico foi péssima para ele, e será maior quando começar a campanha eleitoral após as convenções partidárias.

Boa parte do PIB e do mercado financeiro, que nunca apoiou o presidente Lula e preferia o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no Palácio do Planalto, parece ter fechado as portas para Flávio.

Flávio nunca foi um moderado, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Seus atos indicam e aplaudem a interferência direta dos americanos nas eleições brasileiras

A moderação estava nos olhos de quem o percebia como a única opção viável à direita pós-Lula

Deveras, os eventos históricos ocorrem duas vezes, a primeira como tragédia, a segunda como farsa. A cerca de três meses da eleição de 2022, Bolsonaro reuniu diplomatas no Palácio da Alvorada e mentiu sobre a confiabilidade do processo eleitoral, sendo por isso condenado à inelegibilidade por oito anos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A três meses da eleição de 2026, Flávio Bolsonaro, o filho, reuniu diplomatas em Brasília e mentiu ao afirmar que as urnas eletrônicas brasileiras tinham a mesma origem de uma empresa venezuelana, vociferando falsamente contra a confiabilidade do processo eleitoral. O paralelo é evidente.

TSE propõe 'Selo Maria Vai com as Urnas', por Conrado Hübner Mendes

Folha de S. Paulo

Kassio Nunes Marques teve um eureka regulatório e quer premiar institutos de pesquisa

Pode parecer incentivo à competição, mas está mais para confusão; há equívoco conceitual

Se você foi defensor do "voto impresso e auditável" e com base nesse grito se inscreveu no histórico movimento de 8 de janeiro de 2023, o presidente do TSE tem ideia a lhe oferecer: o "selo de acurácia eleitoral". Não tem a ver com promoção de eleições livres e justas, mas com a inoculação de um novo apito de desconfiança artificial contra o voto popular. Nas entrelinhas da esperteza populista, o apito traz escondido, de novo, a solução de ruptura. Duas ideias com o mesmo código genético.

O selo de acurácia eleitoral tem um contexto. O ministro Kassio Nunes Marques, a pedido do PLsuspendeu divulgação de pesquisa eleitoral da AtlasIntel após vazamento de áudios entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. Alegou que a sondagem teve perguntas enviesadas.

Morre Luiz Carlos Barreto, um dos maiores produtores de cinema do Brasil, aos 98, por Inácio Araujo

Folha de S. Paulo

Ele foi um dos nomes responsáveis por sucessos como 'Dona Flor e seus Dois Maridos' e 'Vidas Secas'

Atravessou diferentes períodos do audiovisual brasileiro, do cinema novo à retomada

Quando Luiz Carlos Barreto nasceu, em Sobral, no Ceará, em 1928, apenas 3 em cada 10 crianças chegavam a completar um ano de vida. Ele dizia que tinha sido um desses três. E a persistência parece lhe ter feito bem. Não apenas se tornou um produtor de cinema, como persistiu, desde os anos 1960, como o mais longevo e um dos mais importantes produtores de cinema no Brasil.

Barreto, ou Barretão, como era chamado por amigos e adversários, morreu na madrugada desta quarta-feira (22), no Rio de Janeiro, aos 98 anos. Ele deixa uma obra monumental, em títulos como "Vidas Secas""Terra em Transe""Dona Flor e seus Dois Maridos", entre tantos outros. Foi ainda colunista deste jornal durante a Copa do Mundo de 2002.

A informação foi confirmada por sua filha, Paula Barreto. Barretão havia sofrido um acidente há dois anos e quatro meses e estava paraplégico desde então. Ele estava internado desde segunda-feira no Hospital Copa Star. Detalhes sobre o que motivou a internação não foram divulgados.

Ele deixa a mulher, a também produtora Lucy Barreto, e os filhos Paula, produtora, e Bruno, cineasta, além de netos.

Ainda adolescente, iniciou-se no jornalismo em O Democrata, jornal do Partido Comunista cearense que fechou as portas em 1947, quando a legenda foi extinta para efeitos legais. Não se abateu. Foi para o Rio de Janeiro, onde conseguiu emprego na revista O Cruzeiro, o veículo de circulação nacional mais célebre e influente daquela época, onde se tornaria repórter e fotojornalista.

Maquiavel. Elementos de política, por Antonio Gramsci*

Deve-se mesmo observar que os primeiros a serem esquecidos são precisamente os primeiros elementos, as coisas mais elementares; estes, por outro lado, repetindo-se infinitas vezes, tornam-se os pilares da política e de qualquer ação coletiva. Primeiro elemento é que realmente existem governados e governantes, dirigentes e dirigidos. Toda a ciência e a arte políticas baseiam-se nesse fato primordial, irredutível (em certas condições gerais). As origens deste fato são um problema em si, que deverá ser estudado em si (pelo menos poderá e deverá ser estudado como atenuar e fazer desaparecer o fato, alterando certas condições identificáveis   como atuantes neste sentido), mas permanece o fato de que existem dirigentes e dirigidos, governantes e governados. Dado este fato, será necessário ver como se pode dirigir da maneira mais eficaz (dados certos fins) e como, portanto, preparar da melhor maneira os dirigentes (e nisto consiste mais precisamente a primeira parte da ciência e arte política), e como, por outro lado, conhecem-se as linhas de menor resistência ou racionais para obter a obediência dos dirigidos ou governados. 

Poesia | Ode Triunfal, de Fernando Pessoa (declamado por Paulo Autran)

 

Música | Chico Buarque - Todo o Sentimento