Folha de S. Paulo
Ele foi um dos nomes responsáveis por
sucessos como 'Dona Flor e seus Dois Maridos' e 'Vidas Secas'
Atravessou diferentes períodos do audiovisual
brasileiro, do cinema novo à retomada
Quando Luiz
Carlos Barreto nasceu, em Sobral, no Ceará, em 1928, apenas 3 em cada
10 crianças chegavam a completar um ano de vida. Ele dizia que tinha sido um
desses três. E a persistência parece lhe ter feito bem. Não apenas se tornou um
produtor de cinema,
como persistiu, desde os anos 1960, como o mais longevo e um dos mais
importantes produtores de cinema no Brasil.
Barreto, ou Barretão, como era chamado por
amigos e adversários, morreu
na madrugada desta quarta-feira (22), no Rio de Janeiro, aos 98 anos. Ele deixa
uma obra monumental, em títulos como "Vidas
Secas", "Terra
em Transe", "Dona
Flor e seus Dois Maridos", entre tantos outros. Foi ainda colunista
deste jornal durante a Copa do Mundo de 2002.
A informação foi confirmada por sua filha,
Paula Barreto. Barretão havia sofrido um acidente há dois anos e quatro meses e
estava paraplégico desde então. Ele estava internado desde segunda-feira no
Hospital Copa Star. Detalhes sobre o que motivou a internação não foram divulgados.
Ele deixa a mulher, a também produtora Lucy
Barreto, e os filhos Paula, produtora, e Bruno, cineasta, além de netos.
Ainda adolescente, iniciou-se no jornalismo
em O Democrata, jornal do Partido Comunista cearense que fechou as portas em
1947, quando a legenda foi extinta para efeitos legais. Não se abateu. Foi para
o Rio de Janeiro, onde conseguiu emprego na revista O Cruzeiro, o veículo de
circulação nacional mais célebre e influente daquela época, onde se tornaria
repórter e fotojornalista.