quinta-feira, 29 de março de 2012

Palpite infeliz:: Dora Kramer

Não há presidente da República que não queira e no mais das vezes consiga influir na eleição dos presidentes da Câmara e do Senado.

O gesto é institucionalmente deformado, mas não há nada de novo na pretensão de Dilma Rousseff de se imiscuir nos assuntos do Congresso tentando emplacar o atual ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, no comando do Senado a partir de 2013.

De inédito, contudo, há a forma. Nunca antes neste país se viu uma operação tão atabalhoada. Pela antecedência, pela falta de sutileza e pelo excesso de audácia referida na autoconfiança plena de imprevidência.

Para começo de conversa, há uma incongruência. Dilma busca firmar a imagem de intransigente que não abre mão de suas prerrogativas para ceder às exigências de divisão de poder almejada pelos integrantes de sua coalizão.

Não quer interferências, mas não se peja em interferir no funcionamento do Parlamento, subtraindo dos partidos a autonomia para decidir questões que dizem respeito à instituição, cujo compromisso primeiro é (ou deveria ser) com a sociedade.

Oficialmente não há essa tentativa de ingerência de que se fala. O Palácio do Planalto divulgou uma nota politicamente correta desmentindo "tais referências" que "desrespeitam a independência do Poder Legislativo e afrontam as prerrogativas dos senhores parlamentares". Mui respeitoso o texto.

Só que o mesmo "Palácio" passa recibo no sentido oposto quando ensaia uma operação casada e orienta o secretário executivo do ministério das Minas e Energia, Márcio Zimmermann – homem de confiança da presidente – a se filiar ao PMDB, a fim de liberar o titular (Edison Lobão) para voltar ao Senado como candidato à presidência.Na prática tiraria a pasta do partido e, em tese, manteria a participação pemedebista no governo. De fachada.

Não fosse apenas o caráter intervencionista da manobra, resta ainda sua natureza rudimentar aliada ao fato de a ação de Dilma resultar na compra de mais uma briga.

A proposta que faz ao PMDB é a de aceitar mais uma vez cumprir o papel de barriga de aluguel, como já ocorreu com a da filiação do ministro da Saúde no governo Lula, José Gomes Temporão (hoje no PSB), com Henrique Meirelles (hoje no PSD) e com o próprio Lobão quando saiu do antigo PFL (DEM) para o PMDB a fim de atender ao mesmo tipo de conveniência.

A presidente tem o direito e o dever de controlar seus ministérios, mas não ao custo de uma intervenção em um Poder autônomo segundo os preceitos da República, como se a delegação recebida nas urnas lhe conferisse credenciais para presidir também o Congresso.

O artista. Candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita firmou pacto de não agressão e promessa de aliança no segundo turno com Fernando Haddad, mas seu objetivo obviamente é chegar na frente do petista.

Isso tomando por base o cenário desenhado pela campanha do pemedebista de que haverá dois turnos devido ao grande número de candidatos, e que José Serra tem vaga garantida.

Chalita aposta no tempo de televisão – para atrair aliados e tirar o melhor proveito de seus atributos, digamos, artísticos – e no discurso voltado para os problemas da cidade. Correria em faixa própria enquanto PT e PSDB travariam uma luta política de caráter nacional.

Na decisão de manter a candidatura pesaram dois fatores: a necessidade do PMDB nacional de voltar a crescer em São Paulo e a inigualável exposição proporcionada por uma campanha eleitoral

Exemplos levados em conta: Haddad foi ministro da Educação durante oito anos e tem 3% nas pesquisas; Celso Russomanno (PRB) foi candidato ao governo estadual em 2010 e agora aparece com índices entre 17% e 19% para prefeito.

Prova cabal. O acordo firmado na ausência de Dilma para a votação da Lei da Copa esclarece a dúvida: a crise realmente viajou.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Tolerância máxima:: Eliane Cantanhêde

É nessas horas que a gente fica com pena de quem tem de julgar: quando os dois lados têm razão e ninguém tem razão. Foi o que ocorreu ontem na votação do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que enterrou a lei do bafômetro por resultado bem apertado, 5 a 4.

De um lado, os formalistas, digamos assim, alegaram que a lei aprovada estabelece um padrão objetivo para determinar se o motorista está ou não embriagado: quando há seis decigramas ou mais de álcool por litro de sangue. Fora isso, qualquer critério seria "subjetivo".

Na prática, só o bafômetro ou um exame de sangue podem determinar a quantidade. Uma testemunha ou um simples olhar médico não teriam condições de estabelecer se eram três, quatro ou sete decigramas.

De outro lado, os realistas, digamos assim, ponderaram que as leis não podem ser interpretadas no seu sentido "puramente gramatical" e há outras formas, sim, de apurar se o sujeito (ou sujeita) está incapaz ou não de dirigir e capaz de botar a vida dele e de outrem em risco.

O relator, Marco Aurélio Belizze, votou com os realistas -a favor de permitir que outros indícios pudessem ser considerados além do bafômetro e do exame de sangue.

Numa linguagem quase coloquial, disse o que para nós, leigos, parece óbvio: "Não pode ser tolerado que um infrator, com uma garrafa de bebida alcoólica no carro, bafo e cambaleando, não possa ser preso porque recusou o bafômetro".

Não poderia tolerar, caro ministro. Agora, pode. Venceram os formalistas, perderam os realistas. A lei do bafômetro, que tem salvado vidas, foi mais uma que deslizou para a gaveta das inutilidades. Sim, porque ninguém é obrigado a produzir provas contra si. Bafômetro? Exame de sangue? Eu, hein?! Tim-tim!

"Imprensa é oposição, o resto é armazém de secos e molhados." Essa é dez. Grande Millôr!

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Ao sabor do próprio veneno:: Raquel Ulhôa

Demóstenes Torres sempre agiu em público como se não tivesse rabo preso. Articulado, conhecedor da Constituição e das leis, costumava tratar com firmeza colegas acusados de corrupção ou irregularidade. Todo mundo tem uma história para contar, ilustrando a "coragem" e a "ousadia" do senador.

Como quando atuou pela cassação de Renan Calheiros, então presidente da Casa. Ou por ter sido o primeiro a usar a expressão "mensalão do DEM", seu próprio partido, e pedir a expulsão do então governador José Roberto Arruda (DF) da legenda. Mais recentemente, por ter dito que ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estavam "dançando na boquinha da garrafa", na análise do registro do PSD.

Até o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, foi vítima. Quando as representações contra Antonio Palocci foram arquivadas, Demóstenes disse que Gurgel havia se "acovardado", com receio de não ser reconduzido ao cargo.

Em dezembro, o senador, ao microfone, acusou José Sarney, presidente do Senado, de "burlar", de maneira "torpe", acordo entre as lideranças, para facilitar a votação da Desvinculação de Receitas da União (DRU). Dedo em riste, Sarney cobrou "respeito". A reação foi um pedido de desculpas.

O presidente do Senado já havia sido cutucado com vara curta por Demóstenes, quando a imprensa revelou que, sob seu comando, a administração do Senado adotou "atos secretos" para nomear parentes, criar cargos e aumentar salários. Da tribuna, o demista defendeu que Sarney se afastasse do caso, porque não ter condições de comandar a apuração.

Ex-procurador-geral de Justiça de Goiás por duas vezes e secretário de Segurança Pública do Estado em gestão anterior de Marconi Perillo (PSDB), Demóstenes foi eleito a primeira vez senador em 2002, aos 41 anos. Articulado, logo ganhou espaço na mídia. Sua gestão à frente da Comissão de Constituição e Justiça é elogiada até por adversários.

Por essas e outras, Demóstenes cumpria papel importante para a oposição, já abatida pela drástica redução numérica em 2010 e pela perda de figuras destacadas no enfrentamento ao governo, como Arthur Virgílio, Tasso Jereissati e Heráclito Fortes. Aliados mais empolgados falavam até em candidatura de Demóstenes para presidente da República.

Hoje, ele luta para não perder o mandato. Quem o vê, constrangido, envergonhado, quatro quilos mais magro desde que surgiram os primeiros vazamentos de informação mostrando sua proximidade com Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira - acusado de chefiar exploração ilegal de jogos em Goiás -, pensa que Demóstenes não tem estrutura para aguentar o que vem por aí: inquérito no STF e provável processo por quebra de decoro parlamentar.

A hipótese mais considerada é a de uma renúncia. Ou cassação, se ele enfrentar o processo. O demista se indispôs com tantos colegas, que há um gostinho - inconfessável- de vingança por parte de alguns. Ele está nas mãos de quem acusou e de outros que se sentem traídos. Por telefone, está pedindo compreensão e prometendo dar, em momento oportuno, explicações para os sinais de proximidade com Cachoeira e ter tirado vantagem dessa relação.

A contratação de Antônio Carlos de Almeida Castro, mais conhecido como Kakay, advogado de políticos bem encrencados, revelou o tamanho da preocupação. Não se sabe o que revelam as cerca de 300 escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal de conversas entre ele e Cachoeira. O volume de ligações, por si só, é estranhíssimo. O senador não explicou por que ganhou celular habilitado nos Estados Unidos, com sistema antigrampo, exclusivamente para falar com o "amigo", a quem pede dinheiro em uma conversa.

Para Randolfe Rodrigues, líder do PSOL, é grave o "provável envolvimento junto a uma organização criminosa". Ontem, protocolou representação na Mesa Diretora para que o Conselho de Ética abra processo disciplinar, que pode levar à cassação. O conselho nem tem presidente. E o regimento dá brechas a várias manobras protelatórias. Mas, lançar ou não mão delas depende dos interesses políticos.

Demóstenes está isolado. Depende da proteção de Sarney, que comanda a Casa, e Renan, líder da maior bancada. O DEM tem apenas cinco senadores e o comando do partido, abatido por mais esse escândalo, não está disposto a sofrer o desgaste da defesa do seu ex-líder.

Para a oposição, a ruína de Demóstenes - que já aconteceu, independentemente do seu destino - é mortal. "Não podia ser pior para a gente", diz Jarbas Vasconcelos, único pemedebista que é oposição ao governo do PT. Jarbas lembra a redução numérica da oposição em 2010, a perda de pessoas importantes no enfrentamento do governo - como Arthur Vigílio, Tasso Jereissati e Heráclito Fortes - e a morte do ex-presidente Itamar Franco, com seis meses de mandato, período no qual se destacou na oposição.

"E agora acontece isso com Demóstenes? É de clamar aos céus", diz o pernambucano.

O Senado já deu muito vexame. Um presidente da Casa aliou-se ao então líder do governo para fraudar a violação do painel eletrônico, na votação de uma cassação de mandato. Outro presidente sofreu processo por quebra de decoro ao ser acusado de ter contas pessoais pagas por lobista de empreiteira. Um senador foi cassado e vários renunciaram. Cada novo caso aumenta o descrédito nos políticos. E fica a expectativa sobre quem será o próximo a ter que deixar o Senado pela garagem, para fugir dos fotógrafos.

FONTE: VALOR ECONÔMICO

Festa brasileira:: Merval Pereira

De todo o conjunto de premiações da noite de terça-feira na festa anual do GLOBO do Faz Diferença, ficou a percepção de um país que vai para a frente, apesar de todos os percalços, e que pelo menos já identificou que sem investir em educação no seu sentido mais amplo - aí incluídas ciência e tecnologia - não realizará seu destino de grande Nação.

O melhor exemplo de mobilidade social se deu na pessoa de Getúlio Fidélis, coordenador do Invest, curso de preparação para o vestibular para alunos carentes do qual fez parte.

Vindo da Rocinha, ele hoje faz mestrado em Ciências Sociais e estava pisando no Copacabana Palace, local da festa, pela segunda vez na vida.

Na primeira, na qualidade de office-boy, para entregar uma correspondência a um hóspede. Ontem, para receber seu prêmio, nove anos depois, "de terno e gravata", como fez questão de frisar.

O fato de que nada menos que três cientistas tenham sido agraciados, inclusive com o prêmio principal dado ao neurocientista Miguel Nicolelis, foi comemorado pela comunidade científica como um reconhecimento da importância fundamental do setor para o desenvolvimento do país.

Um país que Nicolelis descreveu como "radiante", que afinal encontrou seu futuro no presente. O país tropical louvado por Nicolelis teve na premiação de Carlos Saldanha, autor do filme "Rio", seu intérprete, com a arara-azul protagonista do filme surgindo no telão reclamando um prêmio só para ela.

A percepção de que vivemos um momento especial no país, aliás, foi ressaltada em diversas oportunidades durante a cerimônia.

O empresário Eike Batista, premiado na categoria Economia, desenhou uma linha do tempo unindo os governos de Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma como uma continuidade virtuosa que está levando o país a realizar seu destino de grande potência. Sexto homem mais rico do mundo, Eike se disse disposto a financiar projetos na área de ciência e tecnologia.

Essa continuidade de linhas de ação governamental, mesmo que separadas por práticas políticas distintas, era ressaltada nas conversas de bastidores, marcadas pelo acontecimento daquele dia, a visita do ex-presidente Fernando Henrique ao também ex-presidente Lula no Hospital Sírio-Libanês em São Paulo.

A imagem dos dois sorridentes refletia uma possibilidade de distensão política cujo caminho havia sido aberto pela presidente Dilma logo no início do seu governo, quando chamou o ex-presidente tucano para participar de cerimônias oficiais e reconheceu sua importância para o atual estágio de desenvolvimento do país.

A importância dada à educação e à ciência na premiação certamente não foi um acaso. Os diversos júris formados por jornalistas, e reforçados pelos votos dos leitores pela internet, estavam conectados com os anseios do país.

E não se diga que foi uma noite alienada da realidade, pois os temas tratados tinham a ver com o dia a dia da sociedade, desde os policiais que recusaram suborno para não prender o traficante Nem da Rocinha até Tião Santos, presidente da associação de catadores do lixão de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, principal personagem do documentário "Lixo extraordinário", de Vik Muniz, que também estava presente.

Mas o clima de felicidade e emoção não impediu que a realidade se impusesse. O neurocientista Stevens Rehen, coordenador do Laboratório Nacional de Células-Tronco (Lance) do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde é feita grande parte das pesquisas sobre células-tronco embrionárias no país, registrou a necessidade de maior financiamento para as pesquisas e criticou os cortes sofridos no orçamento do setor, apesar de ressaltar que nunca se sentiu tão feliz profissionalmente.

A noção de que setores estratégicos como a pesquisa científica e a educação são fundamentais para "a hegemonia" do país perpassou diversos discursos, inclusive os referentes ao Rio de Janeiro, cujos problemas centrais, segurança e educação, foram destacados na premiação.

Os representantes do curso Invest, por exemplo, basearam seu agradecimento na certeza de que, através da educação em comunidades carentes, ajudarão a "mudar a História desse estado".

Um aspecto paralelo da festa que este ano se manifestou com mais intensidade foi o espírito familiar que dominou boa parte dos discursos de agradecimento.

O quilombola Damião Santos, que recebeu o prêmio de Educação, chamou a mulher e os pais ao palco para dividir a honraria com ele. "Não conseguiria nada sem a ajuda da minha família."

Também o catador Tião Santos chamou toda a família para o palco e ressaltou que viera de roupa esporte porque queria que seus irmãos "brilhassem muito mais" do que ele. "Eles trabalharam muito para fazer do lixo um luxo."

Tião e sua família, aliás, foram responsáveis pelas melhores frases da noite. Tião, entre lágrimas, disse que "reciclagem não é coisa de pessoa pobre, é de gente inteligente".

E um irmão seu, que estava de smoking, deixou um texto com o colunista Ancelmo Gois, que apresentou a cerimônia junto com Míriam Leitão. Ancelmo leu a primeira frase: "Difícil não foi viver no lixo. Difícil foi não virar lixo."

Os tenentes da PM Ronaldo Cadar e Disraeli Gomes, que recusaram suborno de R$ 1 milhão para que não revistassem o carro em cuja mala se escondia o traficante Nem da Rocinha, também colocaram a família em primeiro plano.

O tenente Disraeli disse: "Recebemos o prêmio pela moral, que não é a moral ensinada pela polícia, mas por nossos familiares."

Os pais do rapper Criolo receberam o prêmio por ele, assim como o representante de Neymar foi seu pai, e o de Carlos Saldanha, sua irmã.

FONTE: O GLOBO

Desprotecionismo e desindustrialização :: Luiz Carlos Bresser-Pereira

O Brasil vem se desindustrializando prematuramente desde 1980, primeiro, devido à crise da dívida externa e à alta inflação; depois, a partir de 1990, com a abertura comercial e financeira. Estas, além de permitir entradas de capital que apenas apreciavam o câmbio e aumentavam o consumo, implicaram na eliminação do imposto sobre exportações que existia implícito no sistema cambial e tarifário.

O Brasil ficou, assim, à mercê da tendência cíclica à sobreapreciação da taxa de câmbio que caracteriza os países em desenvolvimento que não a administram adequadamente. E sua taxa de câmbio tornou-se apreciada ciclicamente (depreciações ocorrendo nas crises financeiras) e cronicamente, ou seja, no longo prazo. A consequência de tudo isto foi a perda de competitividade da indústria manufatureira brasileira e um grave processo de desindustrialização.

As organizações representativas dos empresários industriais compreenderam esses fatos e desde 2005 passaram a colocar o câmbio como um problema central para o setor. Mas uma associação perversa da ortodoxia neoliberal com os restos do desenvolvimentismo dos anos 1950 vem dificultando uma ação mais decisiva do governo. De um lado temos rentistas e financistas, preocupados com a queda do juros, e representantes do agronegócio, preocupados com a volta do necessário imposto sobre exportações de commodities, e, de outro, desenvolvimentistas, preocupados com a pequena e temporária redução de salários reais que implica levar a taxa de câmbio para o nível de "equilíbrio industrial" (a taxa de câmbio que torna competitivas empresas utilizando tecnologia no estado da arte mundial). Enquanto isso, o governo, calado sobre a questão, buscou baixar os juros e limitar as entradas de capitais, mas, não tendo apoio na sociedade, suas ações foram tímidas e os resultados, incompletos.

As evidências, entretanto, se acumulavam. A participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 35,8% em 1984 para 15,3% em 2011; o saldo da balança comercial de manufaturados, que era positivo de US$ 29,8 bilhões em 2006 transformou-se em um enorme déficit de US$ 48,7 bilhões em 2011. O PIB cresceu apenas 2,7%, e a principal responsável por esse mau resultado foi a indústria que cresceu 0,3% do PIB.

A causa desse óbvio processo de desindustrialização prematura foi, naturalmente, a sobreapreciação do real - uma sobreapreciação que, segundo a macroeconomia estruturalista do desenvolvimento, é cíclica e crônica. Segundo estudo de André Nassif, Carmen Feijó e Eliane Araújo, "The trend of the real exchange rate overvaluation in open emerging economies: the case of Brazil", a taxa de câmbio em abril de 2011 estava valorizada em 80% em relação a seu nível "ótimo", ou seja, em seu nível "de equilíbrio industrial". O número pode ser discutido, mas o trabalho desses competentes economistas mostra que a sobreapreciação da taxa de câmbio no Brasil é muito grande.

Diante do acúmulo das evidências, foi necessário afinal reconhecer o problema da desindustrialização. Mas o câmbio continua a não ser o culpado para os analistas. Para a ortodoxia neoliberal, o culpado é o velho custo Brasil, é a infraestrutura insuficiente, são os impostos altos demais, é a oneração excessiva da folha de salários com direitos trabalhistas. E qual é a solução neoliberal? Resolver esses problemas. Ou seja, nada fazer além do que já está sendo feito, porque esses são problemas antigos e permanentes que todos os governos procuram resolver. Não são fatos novos que são necessários para explicar um fato novo: a desindustrialização.

Já os desenvolvimentistas de mercado interno têm uma outra solução. Ao invés de mexer no câmbio, que implicaria aceitar o "modelo exportador", vamos proteger o mercado interno: vamos fazer política industrial, vamos subsidiar as empresas envolvidas no PAC, vamos desonerar as empresas do IPI e de encargos trabalhistas.

O governo sabe que está em dificuldade, mas hesita em adotar uma política mais firme de depreciação cambial, não compreendendo que a dicotomia crescimento puxado pelo mercado interno ou pelas exportações não faz sentido. O governo Lula distribuiu renda com sucesso. Assim, ele teria "defendido" o mercado interno para a indústria nacional. Engano: defendeu por pouco tempo, até que as importações de bens industriais, que sempre apresentam uma defasagem em relação à apreciação da moeda, chegaram e o mercado interno foi entregue aos exportadores. O governo Dilma tenta replicar o êxito do governo anterior, no qual a distribuição prevaleceu sobre o crescimento, não compreendendo que isto só foi possível devido ao enorme aumento do preço das commodities.

Não obstante, o governo é taxado de "protecionista" pela primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, e o jornal "O Estado de S. Paulo" (26/3) descobriu 40 "medidas protecionistas" no governo Dilma. Não, senhora primeira-ministra, não, velha ortodoxia, o Brasil, com sua taxa de câmbio sobreapreciada, pratica, desde os anos 1990, desde que deixou de abrir em excesso sua economia, uma política econômica desprotecionista. As medidas de política industrial e de controle das entradas de capital que tem tomado nos últimos anos são acertadas, mas ficam longe, muito longe, de compensar uma taxa de câmbio que deveria girar em torno de R$ 2,30 e R$ 2,40 por dólar para ser uma taxa de câmbio equilibrada ou competitiva. E, assim, o Brasil continua a se desindustrializar e a crescer a taxas modestas, muito inferiores às dos países asiáticos dinâmicos.

Luiz Carlos Bresser-Pereira - Professor emérito da Fundação Getúlio Vargas. Autor de "Globalização e Competição"

FONTE: VALOR ECONÔMICO

As espumas flutuantes da "crise":: Vinicius Torres Freire

Favores, assopros do poder, puxões de orelha de líderes empresariais e calma geral dissipam "crise política"

Como se resolve uma crise política que não passava de espuma? Não é preciso nem morder. Basta assoprar. A espuma se desvanece.

Ontem, parlamentares governistas derrubaram meia dúzia de tentativas de convocação de ministros e dirigentes de megaestatais para depoimentos no Congresso.

Acertou-se a votação do fundo de pensão dos servidores públicos e da Lei da Copa. Está quase certo que a divisão do dinheiro do petróleo (royalties) entre Estados e municípios fica para depois da eleição.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, gerente do cofre, assoprou lideranças da Câmara, com quem teve reunião de impacto imediato (sinal de acerto prévio). A ministra de Relações Institucionais, gerente política, Ideli Salvatti, foi a tiracolo, e no colo ficou. Os ares da Fazenda são mais inspiradores.

Enfim, parece que os ministros com caixa ou chaves de cofre vão circular mais entre os parlamentares. Nem se pode dizer que tal coisa seja ilegítima. Mas mostra como um pouco de conversa e favores dissipam a espuma da crise.

Lideranças empresariais e industriais assopraram palavras no ouvido de parlamentares importantes, nas orelhas do PMDB "rebelado". Esses gerentes de fundos de campanhas eleitorais disseram que não estavam satisfeitos com a confusão.

As lideranças empresariais ora fazem fila diante da tenda dos milagres, a pedir reduções de impostos e outras providências com o fim de melhorar-lhes a rentabilidade.

Como seria possível haver "crise política" quando um governo dispõe de tamanha rede de alianças sociais e econômicas? Talvez com um escândalo que acertasse o coração da presidente ou de um ministro forte. E olhe lá. Lula e membros do núcleo central de seu governo levaram tiros em 2005 e 2006. Alguns caíram. Mas o consórcio liderado pelo PT fica no governo até 2014. Pelo menos.

Não há conflito social ou econômico real e/ou importante, nem manifestação disso no Congresso. No máximo, há por exemplo o Código Florestal, contenda dura, de interesses divergentes legítimos -mas o Congresso está aí para isso. Não é "crise", mesmo que o governo meta os pés pelas mãos nesse caso.

No mais, o governo conta com a tolerância da finança (quando não franca simpatia de pelo menos parte da banca). Acertou-se ou se acerta com a indústria e com parte pesada do empresariado agroindustrial. Continua a expandir os programas de subsídios sociais para miseráveis, pobres, "classe C", nanoempresários etc., coisa na qual não se presta atenção, mas resolve ou amenina a vida de muita gente.

Do que se trata? Da continuidade e das extensões do Bolsa Família, de bolsas universitárias, de dinheiro para escola em tempo integral nas cidades mais pobres, dos programas de microcrédito rural e urbano e outros tantos projetos capilares, que estendem o acesso a serviços públicos.

Como evidência anedótica recente e adicional, considere-se o caso das ONGs. Dilma Rousseff ora promete lei geral para o setor e vai criar fundos com dinheiro estatal e de estatais (rir, rir) para bancar as organizações não governamentais. Recorde-se que ONGs enroladas estiveram na origem da crise da derrubada de ministros no ano passado.

As espumas flutuantes da crise se dissipam com o sopro do poder.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Taxação do câmbio?:: Celso Ming

Por enquanto, leva jeito de não passar de balão de ensaio. Mas, se não forem prontamente rechaçadas, essas tentativas de enfiar mais impostos goela abaixo do setor produtivo nacional acabam virando fato consumado.Informações publicadas nesta quarta-feira no Estado apontam que setores do governo, mais particularmente do Ministério do Desenvolvimento, querem porque querem taxar com IOF todas as operações de venda de moeda estrangeira no Brasil.

O Ministério da Fazenda prontamente desmentiu a existência de estudos nesse sentido. Mas tanta lambança econômica já começou assim no Brasil, com desmentido e tudo, que é bom desconfiar.

Como ainda são notícias preliminares, não dá para aprofundar análises. Mas as primeiras indicações são de que essa taxação viria para controlar o fluxo de capitais. Assim sendo, capitais especulativos que entrassem disfarçados de investimento produtivo deveriam ser "pesadamente taxados". Como dinheiro não chega carimbado e é difícil distinguir o que é capital produtivo de especulativo, a intenção dessa gente é taxar tudo pesadamente para, depois, comprovado o cumprimento do interesse nacional, devolver o que viesse a ser arrecadado. Essa nova taxação alcançaria também as exportações e os Investimentos Estrangeiros Diretos.

O diabo é que nem sempre é possível cumprir um cronograma inicialmente traçado. A Petrobrás, por exemplo, está atrasada nos seus investimentos devido a fatores que não dependem dela. É a demora para liberação de uma licença ambiental; é o descumprimento dos prazos por parte de fornecedores tanto internos como externos; é um acidente qualquer que exige outros procedimentos... Enquanto esperam para serem desembolsados, esses recursos têm mesmo de ficar aplicados no mercado financeiro. E nem por isso devem ser considerados não produtivos, ainda que temporariamente. Ou seja, não basta rastrear o seguimento de cronogramas e a finalidade pela qual um capital ingressou no País. E, se for para rastreá-los, é preciso também ter condições para avaliar qualquer quebra de programa previamente estabelecido.

Além disso, a ideia de taxar todas as operações de venda de moeda estrangeira, inclusive nas exportações, para posteriormente, na falta de irregularidades, devolver a taxa paga, tem tudo para se transformar em nova arapuca de custos. O governo federal há anos deixou de pagar os créditos da Lei Kandir. E qualquer contribuinte da Receita Federal sabe o que é ficar esperando pela devolução do que foi cobrado a mais pelo Imposto de Renda na fonte.

Ademais, se fosse somente para farejar desvio de capitais, não seria necessária uma alíquota alta. Qualquer 0,001% já seria suficiente para fornecer pistas. Se esses setores do governo pretendem "taxar pesadamente" as operações de venda de moeda estrangeira é porque querem atender à voracidade tributária do governo federal. E aí já estaríamos falando de nova estocada do custo Brasil: aumento da carga tributária, pura e simplesmente.

Quem tem defensores do interesse nacional que pensam assim não precisa de inimigos do interesse nacional dos quais se defender.

CONFIRA

O gráfico dá ideia do ritmo da formação das reservas externas. Elas correspondem à compra de moeda estrangeira pelo Banco Central.

Queda de braço. O governo do primeiro-ministro Mariano Rajoy enfrenta nesta quinta-feira, na Espanha, a oitava greve geral desde a redemocratização, em 1977. Esta paralisação foi convocada para rechaçar as reformas das leis trabalhistas propostas pelo governo. Entre as principais mudanças do projeto estão a queda do custo das dispensas de pessoal pelas empresas e redução unilateral de salários.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Greve de rodoviários atinge cinco municípios da Região Metropolitana do Rio

Paralisação prejudica cerca de 1,3 milhão de usuários

Athos Moura

RIO - Milhares de pessoas amanheceram nos pontos de ônibus de Niterói, São Gonçalo, Maricá, Itaboraí e Tanguá no fim da madrugada e início da manhã desta quinta-feira em razão da greve dos rodoviários que trabalham nas empresas de ônibus desses cinco municípios. A greve prejudica cerca de 1,3 milhão de usuários. Em razão da greve, o comandante do 12º BPM (Niterói), o tenente-coronel Wolney Dias, reforçou o policiamento no entorno do Terminal Rodoviário João Goulart e da Estação Araribóia, no Centro da cidade. O comandante disse que circulou há pouco o boato de que aconteceria uma concentração dos grevistas na frente da estação das barcas. Até o momento, não foi registrado qualquer movimentação fora do normal.

- Por medida de segurança, decidi reforçar os principais terminais da cidade para impedir tumultos e transtornos aos moradores. Até o momento, não registrei nenhuma baderna - comentou o comandante.

Segundo o superintendente do Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Setrerj), a Polícia Militar tem um planejamento pronto para atuar na greve. Não há piquetes na porta das garagens nem notícias de atos de violência, mas em alguns pontos de Niterói e São Gonçalo os sindicalistas estão fazendo ameças aos rodoviários que tentam trabalhar.

Para não se atrasar, muitos resolveram tirar os carros da garagem, e o resultado é um trânsito bastante complicadado desde o início da manhã. A concessionária Barcas S/A anunciou viagens extras para suprir a demanda. Segundo passageiros, as filas do catamarã de Charitas já estão enormes. Devido à greve, as vans que operam linhas ligando os municípios ao Rio aumentaram as tarifas tabeladas pelo Detro. As vans que ligam Jardim Catarina, em São Gonçalo, ao Rio, passaram de R$ 8 para R$ 12.

A assistente executiva Lucieni Varella, que mora em São Francisco e trabalha no Centro do Rio, disse que havia o triplo de usuários na fila dos catamarãs na manhã desta quinta:

- Normalmente, quando eu chego à estação, já entro e pego o catamarã, mas hoje tive que esperar o terceiro chegar para embarcar. Cheguei ao trabalho uma hora depois do meu horário - afirmou.

As empresas de ônibus decidiram colocar os coletivos nas ruas, mas os motoristas estão tendo dificuldade de chegar às garagens por falta de transporte. Algumas empresas, como a Rio Ita, estão buscando os rodoviários em casa. A viação Coesa, que opera com linhas ligando São Gonçalo ao Rio, está com apenas 10% da frota na rua. A expectativa é que o número de ônibus circulando aumente no fim da manhã. Na noite desta quarta-feira, o Setrerj obteve uma medida cautelar expedida pela desembargadora Mery Bucker Caminha, garantido que, no mínimo, 40% da frota operem durante a greve. Caso essa decisão não seja cumprida, os grevistas serão punidos com multa diária de R$ 100 mil.

Na avaliação de Márcio Barbosa, superintendente do Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Setrerj), a greve tem conotação política devido às próximas eleições na entidade. A categoria revindica aumento salarial de 16%. Os profissionais não aceitaram a proposta de aumento de 10% oferecida pelas empresas.

- O reajuste tarifário foi de 5,5% e as empresas estão oferecendo aumento de 10%. A cesta básica foi reajustada em 25%. Mais do que isso é impossível. A greve está prejudicando milhares de trabalhadores, estudantes, mais de um milhão de usuários - lamentou Barbosa.

FONTE: O GLOBO

TRT negocia fim da greve na usina de Santo Antônio

Nilton Salina

PORTO VELHO - A desembargadora Maria Cesarineide de Souza Lima, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 14ª Região (Rondônia e Acre), deve presidir hoje uma audiência entre o Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Rondônia (Sticcero) e representantes do Consórcio Construtor Santo Antônia, em uma tentativa de acabar com a greve que paralisou as obras na hidrelétrica desde o dia 20. Cerca de 15 mil trabalhadores estão parados.

A presidente do TRT, Vania Abensur, declarou liminarmente a greve ilegal e abusiva e estipulou multa diária de R$ 200 mil pelo descumprimento da decisão, mas os trabalhadores não aceitaram acabar com a paralisação. A desembargadora também havia autorizado o desconto dos dias parados. Agora está sendo proposta a formação de uma comissão de sete funcionários a serem escolhidos em assembleia geral para fortalecer a representação do Sticcero.

Na última reunião dirigida por Abensur, na terça-feira, o consórcio se comprometeu a garantir o emprego de operários por um período de um ano. As dispensas só poderão ocorrer em casos de improbidade, embriaguez, abandono de emprego ou procedimentos como indisciplina ou insubordinação.

Também foi oferecido plano de saúde para a família dos funcionários, 8% de antecipação salarial e aumento de R$ 150 no valor da cesta básica. O Consórcio Santo Antônio alegou à Justiça do Trabalho que os empregados paralisaram as atividades sem tentativa de negociação prévia. Também comunicou atos de vandalismo contra ônibus de empresas terceirizadas. Assim, em decisão liminar, Vania Abensur declarou a greve ilegal e abusiva, determinando a volta imediata ao trabalho e autorizando a demissão dos funcionários que aterrorizaram colegas.

No canteiro de obras da usina de Jirau as atividades também estão paralisadas desde o dia 9. Sete mil dos aproximadamente 21 mil trabalhadores que constroem a hidrelétrica permanecem em alojamentos da empresa Camargo Corrêa, mas se dizem impedidos de prosseguir a obra por pessoas ligadas ao Sticcero.

Na última assembleia geral, foi colocada em votação a volta às atividades, mas como houve empate, o sindicato decidiu manter a greve.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Greve pode adiar início das operações em Jirau

Danilo Fariello

BRASÍLIA. O consórcio Energia Sustentável do Brasil pode reavaliar a data de início das operações da hidrelétrica de Jirau, prevista para o segundo semestre deste ano, se a greve dos trabalhadores, que já chega a 21 dias, se estender. Por enquanto, não há decisão sobre o adiamento. O compromisso assumido com o governo pelo consórcio é iniciar as operações da usina em 31 de janeiro de 2013, mas as empreiteiras esperam concluir as obras antes.

Na hidrelétrica de Jirau, cerca de 1.500 trabalhadores aceitaram retornar ao trabalho, mas 15 mil funcionários da construtora Camargo Corrêa realizaram assembleia ontem sem deliberar sobre o fim do movimento.

Em Santo Antônio, a audiência mediada pelo Tribunal Regional do Trabalho em Rondônia (TRT), que acontece hoje, pode apontar uma saída para o fim da greve, que já dura oito dias. O consórcio construtor Santo Antônio, liderado pela Odebrecht, não respondeu às perguntas sobre a possibilidade de reavaliação do cronograma de obras. A usina deve entrar em operação em 30 de abril.

Para o TRT, ambas as greves são ilegais e as empresas podem suspender o pagamento pelos dias parados.

FONTE: O GLOBO

Ato lembra assassinato de Édson Luís

Paraquedistas preparam sobrevoo no Rio em comemoração ao golpe de 64

Bruno Góes, Marcelo Carnaval

Na esteira das discussões e conflitos que têm precedido a instalação da Comissão da Verdade, setores da sociedade continuam a se manifestar sobre o regime militar. Enquanto a União Estadual dos Estudantes (UEE) lembrou ontem os 44 anos do assassinato pela ditadura do estudante secundarista Édson Luís, a Associação dos Veteranos Paraquedistas anuncia um sobrevoo na Praia da Barra da Tijuca, no próximo sábado, como noticiou ontem o colunista do GLOBO Ancelmo Gois, para celebrar o 48 aniversário do golpe, que será comemorado no próximo sábado, dia 31 de março.

O assassinato de Édson Luís, em 28 de março de 1968, entrou para a História do movimento estudantil, e seu sepultamento se transformou num dos atos mais marcantes de resistência à ditadura. Ontem, cerca de 500 estudantes cariocas lembraram a data, caminhando da Candelária à Cinelândia, e pedindo mais investimentos em educação.

Igor Mayworm, presidente da UEE, disse que amanhã haverá um protesto em frente ao Clube Militar, no Jardim Botânico, em protesto às posições dos oficiais da reserva, que insistem em comemorar o golpe de 1964.

O oficial da reserva da Marinha, Valdir Ferraz, que estará presente no ato dos paraquedistas veteranos, descreveu como será a manifestação de sábado:

- Eles vão carregar uma grande bandeira do Brasil no avião e vão comemorar. Quando descerem, haverá a execução do hino nacional e o grito do lema: "Brasil, acima de tudo".

O avião, segundo Valdir, é bancado pelos paraquedistas.

- Ano passado, a presidente Dilma acabou com as comemorações da revolução de 64. Mas, agora, queremos mostrar que ela não pode calar o pessoal da reserva, já que os da ativa nada podem fazer - disse Valdir.

FONTE: O GLOBO

Grupos contrários se encontram no RJ para lembrar golpe

RIO - Dois grupos, distantes ideologicamente, marcaram para hoje manifestações no centro do Rio para lembrar os 48 anos do golpe militar de 31 de março de 1964.

A proibição da presidente Dilma Rousseff, no ano passado, de que sejam realizadas manifestações de apoio à data no próprio dia 31 fizeram o Clube Militar, no centro do Rio, marcar para hoje às 15h um painel sobre o tema.

Em "1964 - A Verdade", o general Luiz Eduardo Paiva, o jornalista Aristóteles Drummond e o advogado Heitor de Paola debaterão o período.

Nas redes sociais, manifestantes marcaram para às 14h, em frente ao Clube Militar, ato em protesto contra o período da ditadura militar.

A Polícia Militar já prepara um esquema de policiamento para evitar problemas no trânsito da avenida Rio Branco, onde fica o clube.

Em São Paulo, universitários preparam o desfile do "Cordão da Mentira" no próximo domingo com bateria e samba-enredo de protesto contra o regime. Os manifestantes são convidados a "carnavalizar" contra a ditadura

O grupo seguirá em passeata do cemitério da Consolação até o memorial da Resistência, na antiga sede do Dops, na Luz.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Millôr, meu amigo:: Janio de Freitas

Ele não era humorista, mas um pensador brilhante, ilimitado nos temas e incessante no seu exercício

Millôr, além de tudo o que criou, e criou de tudo, criou também um engano involuntário. A propósito dele mesmo, mas não o engano do nome. Milton de verdade, na certidão e por desejo paternal, Millôr por sargentada de um militar que cismou ser o t um segundo l e o traço do t um circunflexo no o: "É Millôr!". Miltinho até os 17 ou 18, Millôr para sempre.

O outro engano recaiu sobre nós. Acompanhou Millôr desde a primeira página do "Pif-Paf" no longínquo "O Cruzeiro" e agora se mostra com toda intensidade, nos jornais, nas TVs, nas conversas sobre "o humorista Millôr". Mas desengane-se: Millôr não era humorista.

Millôr foi um pensador. Brilhante e fertilíssimo pensador. Ilimitado nos temas e incessante no seu exercício de pensador.

O humor foi uma linguagem para o pensador. Uma das linguagens. Como a palavra, escrita ou vocalizada. Como o traço e as cores no desenho e na pintura, de uma riqueza de sentidos só comparável à preciosidade da criação estética. Como a elaboração cênica e verbal do autor de teatro. O humor foi a mais presente e perceptível linguagem de Millôr, mas linguagem do pensador.

Cada sentença e cada texto, cada pintura e cada peça, cada conversa de Millôr conteve, sempre, um significado ético, ou humanístico, ou crítico, e mais, mais -sempre o significado adicional, além do visível e do audível. E, no final, ali estava a razão de ser do escrito, do desenhado, do dito. E nada construído: nascido, simplesmente.

Pensador de hábitos inesperados. Quando Paulo Mendes Campos, Marco Aurélio Mattos e eu, o caçula aceito, chegávamos de manhã à praia, já Millôr havia feito ginástica em uma academia precursora e repetido corridas na areia. Encontros por anos e anos, cujas conversas não terminaram ainda: percorrem com frequência minha cabeça, em pedaços que esperavam continuação ou que são inesquecíveis. Eram três intelectuais gigantescos, a me injetar, sem querer, perplexidades e curiosidades, um dia porque alguém decidira ler Humboldt, no outro porque alguém descobrira uma sutileza ainda impercebida em certa passagem de Shakespeare, ou um pintor, um livro, muitos livros -tudo terminava em livros.

O último de nossos almoços regulares, que desde as dificuldades físicas de Millôr estavam transferidos para o seu estúdio, foi também o último seu com amigos. Naquele dia, ainda Luis Gravatá e Cora Rónai. Foi suave, mais longo do que o habitual por insistência do Millôr. No dia seguinte, de repente, Millôr iniciou longo período de vida quase toda em ausências.

Quando dirigiu a Casa Laura Alvim, Eliana Caruso fez uma edição fac similar da revista "Pif-Paf", que Millôr lançou depois de deixar "O Cruzeiro". Tiveram comigo a gentileza de me entregar o texto de apresentação. Terminei-o com uma frase mais ou menos assim: "Tive a sorte de conhecer um gênio".

Mais do que conhecer, a sorte me permitiu o convívio. Foi uma amizade de quase 60 anos, sem baixios, com intimidade bastante para as confidências nas aflições e em coisas pessoais, para solidariedade e confiança.

Minha gratidão, meu amigo Millôr.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Reflexão Sobre a Reflexão:: Millôr Fernandes (16/8/1923 // 27/3/2012)

Terrível é o pensar.
Eu penso tanto
E me canso tanto com meu pensamento
Que às vezes penso em não pensar jamais.
Mas isto requer ser bem pensado
Pois se penso demais
Acabo despensando tudo que pensava antes
E se não penso
Fico pensando nisso o tempo todo.

quarta-feira, 28 de março de 2012

OPINIÃO DO DIA – Gramsci: Ricardo e a filosofia da práxis

O curso das minhas reflexões é este: pode-se dizer que Ricardo teve um significado na história da filosofia além de na história da ciência econômica, onde é por certo de primeira ordem? E pode-se dizer que Ricardo contribuiu para orientar os primeiros teóricos da filosofia da práxis na sua superação da filosofia hegeliana e na construção de seu novo historicismo, depurado de quaisquer traços de lógica especulativa? Acho que se poderia tentar demonstrar este assunto e que valeria a pena fazê-lo. Parto de dois conceitos, fundamentais para a ciência econômica, de “mercado determinado” e de “leis de tendência” que creio serem devidos a Ricardo, e raciocino assim: não é talvez a partir destes dois conceitos que se encontrou o motivo para reduzir a concepção “imanentista” da história - expressa com linguagem idealista e especulativa pela filosofia clássica alemã - numa “imanência” realística imediatamente histórica, na qual a lei de causalidade das ciências naturais foi depurada do seu mecanicismo e sinteticamente se identificou com o raciocínio dialético do hegelianismo?

GRAMSCI, Antonio (22/1/1891-27/4/1937). Cartas do Cárcere, p. 292. Civilização Brasileira, 3ª Edição, Rio de Janeiro, 1987.

Manchetes de alguns dos principais jornais do Brasil

O GLOBO
PM começa a substituir o Exército no Alemão
Gol e TAM perdem mais de R$ 1 bilhão
Cordialidade entre líderes
Enquanto isso, na Índia...
Procurador pede que STF investigue Demóstenes
Que pena!

FOLHA DE S. PAULO
Justiça de SP torna réus 14 acusados de fraudes no metrô
Política à parte
Procuradoria vê indício de crime e vai investigar senador do DEM
Caixa e BB vão bancar coquetel para magistrados
Homem-forte por acidente

O ESTADO DE S. PAULO
PT e Planalto se mobilizam para tentar ajudar Haddad
Procurador pede ao STF ação contra Demóstenes
Mesmo com Selic em queda, crédito encarece
Brics vão cobrar mudança no FMI
75% dos brasileiros nunca foram a biblioteca

VALOR ECONÔMICO
Bancos públicos e externos perdem peso no mercado
Manutenção das estradas federais terá forte redução
Petrobras eleva compras de sua filial americana
China sugere na OMC uma trégua na área cambial

CORREIO BRAZILIENSE
Senado dá passo para acabar com o privilégio
Procuradoria aumenta cerco a Demóstenes
Bandeira branca

ESTADO DE MINAS
Confins terá novos acessos
Comissão do Senado aprova fim do 14° e 15°
Redução de IPI dá perda a prefeituras

ZERO HORA (RS)
Mais emprego, maior incentivo
Medida de Cristina esvazia prateleiras

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
IPI do setor moveleiro é reduzido
Grandes encontros
Absolvição no STJ cria uma grande polêmica

O que pensa a mídia - editoriais dos principais jornais do Brasil

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

PT e Planalto se mobilizam para tentar ajudar Haddad

A cúpula do PT e o Palácio do Planalto admitem a necessidade de dar um "chacoalhão" na campanha do petista Fernando Haddad, estacionado nas pesquisas de intenção de voto com 3%, informam os repórteres Vera Rosa e Rafael Moraes Moura. A estratégia consiste em criar uma agenda positiva para Haddad e pressionar figuras de expressão no PT, como a senadora Marta Suplicy (SP), a socorrer o candidato. Foi a entrada do tucano José Serra na disputa que acendeu o sinal amarelo no governo federal. "É errado ficar achando que só o Lula resolve as coisas", afirmou o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), referindo-se ao fato de que o ex-presidente, por motivos de saúde, ainda não pode entrar na campanha de Haddad. "Tem um processo, agora, decolar o Haddad na militância", disse Carvalho

PT quer turbinar Haddad com presença de Marta e ministros na campanha de SP

"É errado ficar achando que só o Lula resolve as coisas. Somos um time", diz Gilberto Carvalho

Vera Rosa e Rafael Moraes Moura

BRASÍLIA - Depois da prévia que oficializou a candidatura do ex-governador José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo, no domingo, a cúpula do PT e o Palácio do Planalto admitem a necessidade de um "chacoalhão" na campanha do petista Fernando Haddad, empacado nas pesquisas com 3% das intenções de voto. A estratégia consiste em pressionar figuras de expressão no PT, como a senadora Marta Suplicy (SP) e também ministros, a socorrer o candidato.

"É errado ficar achando que só o Lula resolve as coisas. Somos um time que tem vários jogadores importantes", afirmou o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em tratamento contra um câncer na laringe, sem aliados políticos e sem tempo na TV - já que o PT perdeu o direito de veicular o programa partidário do atual semestre, previsto para maio -, a campanha de Haddad patina.

Dirigente do PT por vários anos e respeitado no partido, Carvalho deu a senha de como deve ser a força-tarefa para impulsionar a candidatura de Haddad. "É evidente que, em qualquer campanha, uma pessoa como Lula, um presidente que teve o mandato e a popularidade que ele tem, vai nos ajudar muito. Agora, não vamos achar que ele resolve tudo", insistiu. Mesmo sem citar Marta, ex-prefeita de São Paulo (2001 a 2004), o ministro não deixou dúvidas sobre o que estava falando.

"Em São Paulo, sempre temos no mínimo 30% dos eleitores. Tem um processo, agora, de colar o Haddad na militância. A campanha não começou ainda e, quando a militância entrar, vai dar uma diferença", amenizou Carvalho, que visitará Lula nesta quarta-feira, 28, em São Paulo.

Na prática, porém, os rumos da campanha de Haddad e o impasse para definir a coordenação da equipe afligem o PT, tanto que integrantes do Conselho Político vão propor, em reunião no sábado, uma ofensiva para atrair Marta. A avaliação é que até mesmo a presidente Dilma Rousseff deve fazer um apelo à senadora.

Dilma está em Nova Délhi, na Índia. O ministro Aloizio Mercadante (Educação) a acompanha na viagem e também será instado a ajudar Haddad. Ele concorreu ao governo de São Paulo em 2010 e, na avaliação do PT, tem um recall que pode alavancar o correligionário, um neófito eleitoral.

A presidente já convidou Marta a integrar sua comitiva aos EUA, nos dias 9 e 10 de abril, quando irá se encontrar com Barack Obama. Ela pretende conversar com Marta sobre o calvário de Haddad nessa ocasião.

Foi Dilma que, em novembro, pediu à senadora para desistir de disputar prévia contra Haddad, repetindo apelo do próprio Lula. Sob o argumento de que era necessária uma "cara nova" na política e lembrando o alto índice de rejeição de Marta, Lula jogou todas as fichas em Haddad.

Pressionada, a senadora deixou o caminho livre para o então ministro da Educação, mas nunca entrou na campanha e não esconde a mágoa com Lula. Amigos de Marta alegam que, se ela acompanhar o desconhecido candidato do PT na periferia, neste momento, vai ofuscá-lo.

Saída. O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), convidou a senadora para a inauguração, no dia 14 de abril, de um Centro Educacional Unificado (CEU), que receberá o nome de Regina Rocco Casa, em homenagem à mãe da ex-primeira-dama Marisa Letícia. A inauguração do CEU pode representar a estreia de Marta na campanha de Haddad. A ideia é unir no palanque a ex-prefeita, o candidato e Lula.

Apreensivos, os petistas avaliam que a insatisfação de aliados do PR e do PDT com o governo federal contamina a eleição em SP. "Ninguém pode dar um ultimato à presidente. Os aliados não são crianças mimadas", protestou o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP). "Não é ultimato, mas o PR pode ser determinante para o 2.º turno, o fiel da balança", devolveu o deputado Luciano Castro (PR-RR).

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Petistas oferecem várias cidades ao PSB de olho na capital

Socialistas condicionam aliança com Haddad à garantia da vaga de vice em, ao menos, três cidades do ABC

Bruno Boghossian e Felipe Frazão

Para convencer a direção do PSB a avalizar uma aliança com o ex-ministro Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo, o PT apresentou um cardápio de municípios onde pode ceder a vice ou a cabeça de chapa ao aliado. Os socialistas esperam receber o apoio do PT em cidades estratégicas como Campinas (SP), Mossoró (RN) e Duque de Caxias (RJ), e em grandes municípios paulistas como Franca, Taubaté, Taboão da Serra e Itanhaém. As negociações entre os partidos foram impulsionadas também no ABC paulista, onde o PT pretende ceder a vaga de vice ao PSB em troca do apoio a Haddad. O pedido foi feito pelo presidente nacional do PSB, governador Eduardo Campos (PE), ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Quem coordena as articulações na região é o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), que passou a tratar os socialistas como aliados preferenciais. O PSB condiciona o apoio à garantia da vaga de vice em três cidades: Santo André, Diadema e Mauá. O primeiro acordo deve ser firmado até o fim de abril em Santo André. O vereador do PSB José Ricardo é o nome mais cotado para a vaga de vice do candidato petista, o ex-sindicalista Carlos Grana. Em Diadema, o vice-prefeito é o socialista Gilson Menezes, que quer manter o posto na chapa do prefeito Mário Reali (PT). O PSB também pretende incluir no acordo um espaço nas chapas petistas de Guarulhos e Osasco.

A direção do PT paulista espera que a abertura de espaço a seus aliados quebre as resistências do presidente estadual do PSB, Márcio França, que é secretário de Turismo do governo Geraldo Alckmin (PSDB) e favorável a uma aliança com José Serra. Para facilitar um acordo com o PSB, o PT negocia ceder a vice ou a cabeça de chapa em cidades com mais de 150 mil eleitores.

"Há vontade de ter um entendimento estratégico, que passa pela visão de País. Eles (PSB) colocaram uma lista de cidades. Não é uma imposição. É um esforço, por isso precisa de tempo até junho", disse o presidente municipal do PT em São Paulo, Antonio Donato, coordenador da campanha de Haddad.

No Recife e em Fortaleza, capitais governadas pelo PT, o partido cederia a vaga de vice aos socialistas. Os petistas estudam, também, abrir mão de candidatura própria em João Pessoa e pedem que o PSB apoie sua candidatura em Macapá. As negociações no País são conduzidas por Campos e pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão. Um mapeamento mais detalhado será feito nos próximos dias pelo vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, e pelo secretário nacional de Organização do PT, Paulo Frateschi. A equipe de campanha de Haddad diz que a negociação sobre o apoio a sua candidatura com o PR "é a que está melhor". Donato retomará conversas com o PCdoB em abril, pois o partido pediu prazo até o fim de março, "para uma rodada de avaliação das candidaturas deles em dez capitais".

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Ex-ministro de Dilma trabalha por aliança com Serra

Em pé de guerra com governo desde que foi demitido dos Transportes, Alfredo Nascimento negocia com tucanos

Réu no processo do mensalão, Valdemar Costa Neto também mantém conversas com PSDB para apoio do PR

Daniela Lima

SÃO PAULO - Aliados do ex-governador José Serra (PSDB) procuraram o presidente do PR, senador Alfredo Nascimento (AM), e o secretário-geral da sigla, deputado Valdemar Costa Neto (SP), para negociar uma aliança na eleição à Prefeitura de São Paulo.

Nascimento é hoje o principal entusiasta da coligação com Serra e tem pressionado líderes locais da sigla a ampliar a aproximação com os tucanos e seus aliados.

Ex-ministro dos Transportes, Nascimento está em pé de guerra com o governo federal e a presidente Dilma Rousseff (PT) desde que foi obrigado a deixar a pasta após acusações de corrupção, em julho do ano passado.

Já Valdemar Costa Neto, réu no processo do mensalão, é um dos principais operadores do PR. Ele tem mantido conversas com o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), um dos principais interlocutores de Serra.

O próprio ex-governador tem acompanhado as negociações. Na linha de frente da condução das conversas com a cúpula nacional do PR está, além de Aloysio, o prefeito Gilberto Kassab (PSD).

Parceria

O prefeito tem atuado com mais veemência entre os líderes locais do PR -hoje sem cargos na prefeitura-, acenando com postos na administração municipal.

A sigla apoiou o PT em São Paulo nas eleições de 2010 e elegeu o vereador Antonio Carlos Rodrigues, um dos principais nomes do PR na capital, suplente da senadora Marta Suplicy.

Durante os últimos anos, Rodrigues liderou um grupo de vereadores na Câmara, o chamado centrão, e causou dor de cabeça em Kassab nos bastidores e em votações de interesse do prefeito.

A aliados o vereador não nega a ação da cúpula do PR em São Paulo, mas diz que pretende replicar a parceria este ano e apoiar o petista Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo.

Para atraí-lo, no entanto, Kassab acena com uma nomeação para conselheiro do Tribunal de Contas do Município, cargo vitalício no qual o vereador está de olho desde o ano passado.

No fim de fevereiro, quando o PR deu um ultimato pela retomada do Ministério dos Transportes, Nascimento indicou que poderia trabalhar por uma aliança com José Serra para pressionar o PT e a presidente Dilma.

"Se não somos governo, temos que fortalecer o partido nas bases, nos municípios. Aí, a careca do Serra é linda", disse o ex-ministro do governo Dilma na ocasião.

Para fortalecer a chapa de Serra, o PSDB trabalha ainda para oficializar os apoios de PP e PV e fechar com o DEM.

FOLHA DE S. PAULO

Tucano alfineta petistas

Juliana Cipriani

A decisão do PT municipal de recomendar ao prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), que retire o PSDB da chapa com que concorrerá à reeleição em outubro irritou os tucanos, que não perderam a oportunidade de alfinetar os rivais históricos. "O PT nem está na aliança ainda, não conseguem se entender nem entre eles. Nós já estamos", afirmou o presidente do PSDB da capital, deputado estadual João Leite. O parlamentar considerou "jogo de cena" a resolução aprovada no domingo pelos petistas, que deram até 15 de abril para o prefeito se posicionar sobre uma possível exclusão do PSDB.

Para João Leite, a exigência é um teatro. "O presidente Lula já os mandou apoiarem o PSB na aliança conosco aqui." Além disso, segundo o tucano, o PT não tem tamanho suficiente para fazer esse tipo de exigência. Leite citou as últimas eleições gerais em que o governador Antonio Anastasia (PSDB) foi reeleito em primeiro turno, derrotando a chapa que tinha o ex-ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome Patrus Ananias (PT) como vice. Também o presidenciável José Serra (PSDB), apesar de derrotado para a presidente Dilma Rousseff (PT), a venceu na capital mineira.

"Nós é que não sabemos se o PT vai estar na chapa. O presidente nacional do PSB, governador Eduardo Campos, convidou o PSDB a fazer parte formalmente da aliança em BH. Sinalizamos isso para as bases e aceitamos", reforçou. O dirigente não acredita em um eventual recuo por parte dos socialistas e lembrou que está em negociação para compor também uma aliança entre PSB e PSDB na eleição para vereadores.

Contribuição

O deputado ironizou as articulações dos petistas, que devem decidir em abril quem será o nome do partido indicado para vice na chapa do prefeito. "Nem entraram no ônibus, não sabemos em que lugar vão sentar. Vão querer ser vice de novo para fazer oposição, como fez o Roberto Carvalho? Campanha contra o Lacerda mais quatro anos?", afirmou. Apesar de ser um dos mais ferrenhos opositores à gestão federal petista, João Leite disse que os tucanos não vetam a presença do PT na aliança. "Não vetamos ninguém. Se estiverem dispostos a contribuir com a cidade, aceitamos."

No domingo, os delegados do PT aprovaram a aliança com o prefeito Marcio Lacerda, mas colocaram como um dos pontos fundamentais a serem discutidos com ele a ausência dos partidos opositores de Dilma. Para parte do partido, isso foi interpretado apenas como uma recomendação. Já o vice-prefeito e presidente municipal do PT, Roberto Carvalho, rompido politicamente com Lacerda, afirma tratar-se de um prazo para o socialista optar entre petistas e tucanos. Ofício nesse sentido já foi enviado ao prefeito e ao PSB, segundo Carvalho.

FONTE: ESTADO DE MINAS

Fortunati e Manuela estão em empate técnico

Sérgio Ruck Bueno

PORTO ALEGRE = O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, e a deputada Federal Manuela D"Ávila (PCdoB) mantêm-se empatados tecnicamente na eleição para a prefeitura da cidade neste ano, conforme pesquisa realizada pelo instituto Methodus e publicada ontem pelo jornal "Correio do Povo". Os dois lideram os três cenários apresentados para o primeiro turno e também empatam na simulação do segundo turno.

De acordo com a pesquisa, Fortunati tem 33,5%, 35,2% e 40,3% em cada um dos cenários para o primeiro turno, contra 31,3%, 34,3% 3 e 37,2%, respectivamente, de Manuela. Na mesma ordem, o pré-candidato do PT, o deputado estadual Adão Villaverde, tem 10%, 10,5% e 11,3%. O instituto ouviu 600 eleitores de 20 a 22 deste mês e admite uma margem de erro de 4,1 pontos para mais ou para menos. Os indecisos variam de 3% a 3,2% e os votos brancos e nulos, de 5,7% a 8,2%.

Num eventual segundo turno, Fortunati somaria 44,8%, contra 44,5% de Manuela. Se a disputa fosse contra Villaverde, o prefeito alcançaria 62,3%, enquanto o petista ficaria com 18,7%. Já Manuela teria 60,8% e o deputado do PT, 19,8%.

Na pesquisa de outubro, Fortunati aparecia com índices que variavam de 29,3% a 33,5% no primeiro turno, também empatado com Manuela, que oscilava de 28,5% a 35,3%. Na época, a deputada aparecia com leve vantagem sobre o prefeito num eventual segundo turno, com 44% a 42,7%.

Na pesquisa espontânea divulgada ontem Fortunati lidera com 8,2%, seguido por Manuela (4,2%) e Villaverde (2,2%), enquanto todos os demais citados ficam abaixo de 1%. Neste caso o contingente de indecisos sobe para 79,5%.

Segundo o levantamento, Villaverde tem a maior rejeição entre o eleitorado de Porto Alegre, com 20,2%, seguido do ex-deputado federal Ibsen Pinheiro, do PMDB (que ainda não decidiu se terá candidatura própria), com 16,2%, e de Manuela, com 15,8%. Fortunati aparece em sétimo lugar na lista, com 11,2% de rejeição.

FONTE: VALOR ECONÔMICO

Fortunati trocará 11 secretários

Em 5 de abril, integrantes da cúpula municipal que pretendem concorrer em outubro vão deixar seus cargos na prefeitura

Dos 34 órgãos de primeiro escalão da prefeitura de Porto Alegre, entre secretarias, departamentos e gabinetes, pelo menos 11 sofrerão troca de comando na quinta-feira da próxima semana, dia 5 de abril. Na data, às 10h, em ato no Paço Municipal, os atuais titulares deixarão os postos dois dias antes do limite estabelecido para concorrer à vereança em outubro, transmitindo os cargos para os seus substitutos.

Apesar de a reforma do secretariado estar adiantada, o prefeito José Fortunati (PDT) segue negociando com os aliados o nome dos sucessores. Somente o PP acertou que Marco Seadi e Deborah Villela irão substituir Kevin Krieger e Newton Braga Rosa na Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc) e no Gabinete de Inovação Tecnológica (Inovapoa), respectivamente. As demais siglas – PDT, PMDB, PTB e PPS – deverão obrigatoriamente definir os sucessores até a próxima terça-feira. O prefeito, candidato à reeleição, afirma que caberá aos cinco partidos aliados que ocupam cargos no primeiro escalão a prerrogativa de fazer as indicações dos novos titulares.

– Isso faz parte de um acordo político e ético que temos. Só irá mudar se, porventura, as siglas apresentarem outro candidato (a prefeito). Neste caso, torna-se incoerente eles permanecerem no governo – avisa Fortunati.

O pedetista considera um "bom indicativo" o fato de os governistas terem feito indicações para permanecer no comando das suas frações de poder na prefeitura. Ele acredita ser o prenúncio da manutenção de uma ampla aliança em torno da sua candidatura, mas diz que é preciso aguardar as convenções partidárias, em junho, para "ter certeza". Até o momento, o PTB assegurou apoio a Fortunati e o PMDB deverá seguir o mesmo rumo. Os outros dois aliados prioritários, PP e PPS, não bateram o martelo, apesar de nutrirem simpatia pela continuidade da parceria.

Fortunati assegura que estabeleceu critérios técnicos para regrar a reforma do primeiro escalão.

Quem sairá para concorrer

Intenções eleitorais obrigarão o prefeito Fortunati a mudar primeiro escalão:
- Valter Nagelstein (PMDB) – Secretaria de Indústria e Comércio
- Márcio Bins Ely (PDT) – Secretaria de Planejamento
- Nereu D"Ávila (PDT) – Secretaria de Direitos Humanos e Segurança
- João Bosco Vaz (PDT) – Secretaria da Copa
- Paulo Brum (PTB) – Secretaria da Acessibilidade
- Cássio Trogildo (PTB) – Secretaria de Obras e Viação
- Carlos Casartelli (PTB) – Secretaria da Saúde
- Humberto Goulart (PTB) – Departamento de Habitação
- Luiz Fernando Moraes (PPS) – Secretaria de Turismo
- Kevin Krieger (PP) – Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc)
- Newton Braga Rosa (PP) – Gabinete de Inovação e Tecnologia (Inovapoa)

Dos 11 secretários que deixarão o governo José Fortunati para concorrer em outubro, cinco retomam imediatamente o exercício de mandato na Câmara de Vereadores: Valter Nagelstein (PMDB), Márcio Bins Ely (PDT), João Bosco Vaz (PDT), Humberto Goulart (PTB) e Kevin Krieger (PP).

FONTE: ZERO HORA (RS)

Guerra ironiza “mudança” de Jarbas

Débora Duque

O mais novo gesto de reaproximação entre o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) e o governador Eduardo Campos (PSB) – que, até então, protagonizavam a maior rivalidade da política local – foi alvo de ironias do presidente nacional do PSDB e deputado federal Sérgio Guerra. A provocação do tucano decorre do fato de que foi justamente sua aproximação com o governador que motivou seu o rompimento com o peemedebista. Em 2010, Jarbas acusou Guerra de não ter se engajado em sua campanha ao governo do Estado e, de quebra, ter sido conivente com a migração de prefeitos do PSDB para o palanque socialista.

Diante do clima de cordialidade entre Jarbas e Eduardo, o dirigente tucano não só afirmou que o ex-aliado deve explicações como aproveitou para dizer que o PSDB nunca mudou de postura, pois sempre manteve uma relação amistosa com o PSB, do qual, inclusive, já fez parte. “Quem tem que explicar isso é Jarbas. Durante muito tempo, alguém me acusou de ser amigo de Eduardo. Eu sou amigo dele. O PSDB nunca saiu do lugar dele. Sempre dissemos a mesma coisa e vamos continuar a dizer”, alfinetou, aliviando o tom, em seguida: “Se Jarbas dizia uma coisa e hoje diz outra, não cabe a mim julgar”.

As declarações de Guerra foram dadas pouco antes do encontro estadual do PSDB, realizado ontem, no Centro de Convenções. Mas, ao discursar à plateia, o presidente do partido voltou a se referir à mudança do peemedebista. “Pernambuco mudou e não enxergar isso é não enxergar o óbvio. Não podemos andar contra a sociedade. Agora, não adianta ser ‘brabo’ ontem e, hoje, ser bonzinho”, bradou, sem citar nomes. As mensagem veladas a Jarbas prosseguiram. Ao falar que o PSDB é “firme” e sem “radicalismos”, Guerra enfatizou que o partido não pode ser prender a “alianças conjunturais”, mas que “honrou todos os compromissos” e, por isso, será “recompensado” nas urnas.

A preocupação em rebater as críticas quanto à inclinação eduardista do PSDB não foi exclusividade de Sérgio Guerra. Anfitrião do evento, o prefeiturável Daniel Coelho (PSDB) também aproveitou seu discurso para responder, em tom mais ameno, tais questionamentos. “Já vieram questionar nossa posição política. Somos de uma oposição inteligente. Ser oposição não é atrapalhar de forma irresponsável os governos. Exercemos uma oposição moderna, sem criticar só por criticar”, declarou aos filiados.

Questionado sobre o distensionamento da relação entre Jarbas, de quem é próximo, e o governador, ao qual exerce oposição na Assembleia Legislativa, Daniel foi diplomático. “É um gesto de civilidade e faz parte do trabalho de dois governantes. Agora, a conotação política disso só pode ser explicada por eles”, minimizou.

Vestido com camisa verde, cor de seu antigo partido, Daniel foi saudado por Sérgio Guerra e militantes como “futuro prefeito” do Recife. Ele também aproveitou o ato de para criticar o embate “personalista” travado no PT a respeito da sucessão e pedir o engajamento de todos dos correligionários. Com aproximadamente 2 mil pessoas, o evento serviu, oficialmente, para que os pré-candidatos majoritários do partido assinassem um termo de compromisso com o programa Cidades Sustentáveis. Na prática, foi um fortalecimento à candidatura de Daniel.

FONTE: JORNAL DO COMMERCIO (PE)

Cordialidade entre líderes

Os ex-presidentes Fernando Henrique e Lula conversaram ontem por uma hora no Hospital Sírio-Libanês, onde o petista trata de um câncer na laringe

Encontro de presidentes

Após telefonema do tucano, Lula recebeu FH no hospital e conversaram por quase uma hora

Marcelle Ribeiro

SÃO PAULO. Os ex-presidentes da República Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso conversaram ontem, por quase uma hora, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde o petista trata o câncer na laringe. O encontro foi marcado a pedido de tucano, que telefonara para Lula dizendo que gostaria de visitá-lo.

Segundo a a assessoria do tucano, os ex-presidentes não conversaram sobre política, apenas sobre o estado de saúde do petista e os institutos que cada um deles mantém, onde preservam seus acervos e promovem debates políticos. Lula disse, inclusive, que gostaria de visitar a Fundação Instituto Fernando Henrique Cardoso (IFHC). A necessidade de conseguir recursos para a manutenção das fundações foi abordada na conversa, de acordo com o diretor-presidente do Instituto Cidadania - do qual Lula é presidente de honra -, Paulo Okamoto.

Ao sair do hospital, onde Lula esteve ontem para mais uma sessão de fonoaudiologia, Fernando Henrique disse que o petista parecia "bastante animado" e, a assessores, teria comentado: "Quis dar uma força ao presidente Lula, para que ele se recupere o mais rápido possível".

O pré-candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, disse que o encontro é a prova de que o Brasil "amadurece" e de que há atualmente um ambiente "democrático" e "respeitoso". Em dezembro, FH havia afirmado que não guarda mágoas de Lula e que, em outubro, assim que soube do diagnóstico do câncer, telefonou-lhe para conversar.

- Eles são amigos de longa data, não há motivos para se manterem afastados, sobretudo no momento em que o ex-presidente Lula passa por uma recuperação. É um gesto muito correto, assim como quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso perdeu a esposa, Ruth Cardoso, e fomos todos encontrá-lo e abraçá-lo - afirmou Haddad, após participar de reunião com líderes partidários na Câmara Municipal de São Paulo.

Depois do encontro, Lula retornou para sua casa, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, mas é possível que retorne hoje ao Sírio-Libanês para fazer exames que avaliarão os resultados do tratamento do câncer. A informação foi dada anteontem pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que esteve reunido com Lula no domingo. A assessoria do hospital, porém, não confirmou a data. (Colaborou Gustavo Uribe)

FONTE: O GLOBO

Com Dilma na Índia, Câmara vota hoje Lei Geral da Copa e Funpresp

Após duas semanas de crise, líderes da oposição e do governo fecham acordo

Isabel Braga

BRASÍLIA. A presidente Dilma Rousseff viajou para Índia, e o clima no Congresso ficou mais distensionado: após duas semanas de paralisia e crise na base aliada, a Câmara vota hoje à noite a Lei Geral da Copa. E há grande possibilidade de o Fundo de Previdência Complementar dos Servidores Públicos (Funpresp) também ser votado hoje no plenário do Senado, deixando a proposta pronta para virar lei. O acordo fechado entre líderes da oposição e do governo foi um recado claro ao governo de que a pauta de votações da Câmara é definida pela Casa, e não pelo Palácio do Planalto.

O acordo foi fechado ontem à noite, em reunião do presidente da República em exercício, Marco Maia (PT-RS), líderes da bancada ruralistas, dos partidos da base e da oposição. Pelo acordo, o Código Florestal, será votado em abril.

"Negociação faz com que o Congresso volte a andar"

Maia deverá reassumir a presidência da Câmara no final da tarde de hoje, com a volta ao país do vice-presidente Michel Temer, e comandará a votação da Lei da Copa. Despachando no Palácio do Planalto, Maia se reuniu com líderes aliados e de oposição e representantes da bancada ruralista.

- Dessa forma, estanca a crise e a negociação faz com que o Congresso Nacional volte a andar - comemorou Maia.

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária e vice-líder do PSD, deputado Moreira Mendes (RO), confirmou o acordo:

- Conseguimos distensionar e vamos votar a Copa. Marco Maia assumiu o compromisso de finalizar a votação do Código no mês de abril. Ninguém discutiu o mérito do Código. Se houver acordo, ótimo. Se não, votamos e a frente irá votar com o texto do relator. É uma decisão da Casa que o Código será votado. Não é briga com o governo.

O líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou que em nenhum momento o governo assumiu posição contrária à votação do Código e as conversas sobre mérito irão continuar nas próximas semanas:
- Estamos negociando isso desde o primeiro momento, com o papel insubstituível de Marco Maia. Deu certo.

Nos bastidores, Maia e os líderes concluíram que capitalizariam o fato de decidirem retomar as votações justamente com Dilma no exterior. Maia, que vive em tensão com a presidente, sai como o negociador do acordo.

- A pauta do Legislativo é construída pelo Legislativo. Exatamente no momento em que não houve pressão do Executivo, acertamos votar a Lei da Copa e o Código. Optamos por mostrar que a crise viajou com a Dilma - afirmou o líder do DEM, ACM Neto (BA).

Colaborou Luiza Damé

FONTE: O GLOBO