O Globo
Segurança pública exige mais policiamento. A
resposta é simples, mas cara e de difícil implementação
Está em andamento um amplo debate sobre
segurança pública no país. Muitas ideias estão na mesa, como a criação de um
ministério específico e variados projetos de leis e emendas constitucionais.
Tratam de redefinição de crimes, aumento de penas, nova classificação das
facções e assim por diante. Não são discussões inúteis, mas a população se
preocupa com coisas bem mais simples.
O Datafolha obteve uma boa amostra em pesquisa feita com moradores do estado de São Paulo, divulgada na semana passada. O instituto perguntou: qual o maior problema de segurança pública? Resposta majoritária: a falta de policiamento efetivo nas ruas. Assim responderam 20% dos paulistas.
A análise de outras respostas mostra que a
demanda por mais policiamento é, de longe, a principal: 11% dos entrevistados
disseram que se preocupam mais com os assaltos nas ruas e no trânsito. Outros
4% consideram que o maior problema está no despreparo da polícia e, pois, na má
qualidade do serviço prestado. Para 3%, faltam investimentos no aparelho de
segurança e não se valoriza o policial. E 2% dos paulistas responderam
simplesmente: falta polícia. Tudo somado, chegamos a uma expressiva maioria de
40% que querem a polícia mais eficiente e presente nas ruas.
A preocupação tem um ligeiro viés político. Tanto
os eleitores do governador Tarcísio de Freitas quanto os de Fernando Haddad
colocam a falta de polícia nas ruas como principal problema. Mas, ao contrário
do que diria muita gente, os eleitores do petista são os mais preocupados: 25%,
ante 19% dos que optam pelo governador. É interessante. Na pauta política, a
proposta de colocar mais policiamento ostensivo aparece associada à direita.
Mas são os eleitores da esquerda, pelo menos em São Paulo, que mais se queixam
da falta de polícia.
A denúncia dos excessos da polícia é um tema
associado à esquerda. Mas não dá voto. Apenas 2% dos entrevistados pelo
Datafolha colocaram a violência policial como principal problema de segurança.
Tudo considerado, a pesquisa confirma o que muitos especialistas sustentam.
Segurança pública exige mais policiamento.
A resposta é simples, mas cara e de difícil
implementação. Isso porque não basta contratar mais policiais e distribuí-los
pelas cidades. É preciso treinar o pessoal, pagar bons salários e oferecer
equipamentos, desde armas até material de investigação de crimes como tráfico
de drogas.
Na pesquisa, 11% dos entrevistados colocaram
o tráfico como maior problema de segurança. E apenas 6% citaram as facções.
Compreende-se. No dia a dia, as pessoas querem sair às ruas sem medo de
assaltos. Querem circular falando ao celular, usando seus relógios e alianças
de casamento. Para isso, querem ter a segurança de que há policiais por perto.
E preparados.
O crime organizado praticado pelas facções é
um problema grave para a sociedade. O combate também exige mais policiamento —
mas de organização complexa. É preciso articular as atividades de segurança nos
três níveis — federal, estadual e municipal.
E aqui caímos num debate rasteiro. À direita,
se pede uma polícia “dura”, capaz de executar bandidos e suspeitos. À esquerda,
prevalece a desconfiança em relação à polícia, combinada à tese de que a
criminalidade é uma questão social, decorrente da desigualdade. Daí resultam
políticas igualmente ineficientes. Ou uma polícia violenta ou falta de polícia.
Em qualquer caso, prevalece entre os cidadãos a sensação de insegurança. Não se
confia na polícia. Muitos a temem.
As respostas políticas têm fracassado. A
qualquer evento mais grave, logo aparecem propostas para mudar a legislação de
modo a aumentar a pena para determinados crimes. Na pesquisa, apenas 6% dos
entrevistados disseram que o maior problema de segurança está na legislação. De
algum modo, os cidadãos sabem que não adianta ter uma lei rigorosa se não há
polícia eficiente para prevenir e capturar os criminosos. Falta também um
Judiciário capaz de processar e julgar em tempo razoável.

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