Valor Econômico
Presidente tem 40% de intenção de voto, ante 28% de Flávio Bolsonaro e 13% da soma dos outros adversários
A possibilidade de um desfecho da eleição presidencial no primeiro turno volta a entrar no cenário das possibilidades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a partir do resultado da rodada Quaest que foi divulgada na manhã desta quarta-feira. O presidente consegue 40% de intenção de voto, ante 28% de Flávio Bolsonaro (PL) e 13% da soma de seus adversários. Na rodada de junho, a diferença era de 39% para Lula e 42% para o restante. Há dúvidas sobre a solidez do resultado, contudo, já que a porcentagem de indecisos oscilou de 10% para 11%.
A dianteira de Lula se manifesta em todos os
segmentos, com exceção de evangélicos e na região Sul. Sua rejeição caiu cinco
pontos percentuais desde abril, ainda se situando em elevados 50%. A de Flávio
contudo, cresce de forma consistente e passou de 52% para 57% neste intervalo
de tempo. A aprovação do governo também subiu e pela primeira vez supera a
desaprovação (48% a 47%) no intervalo de um ano.
É um movimento tradicional de governantes que
disputam reeleição: a aprovação da administração sobe ao longo do ano, em
especial quando a campanha avança. O fenômeno foi registrado todas as vezes
desde o instituto da reeleição, em 1998.
Lula já ouviu este canto da sereia da vitória
no primeiro turno outras vezes. Em 2006 caminhava para este cenário quando
houve um fato novo na reta final da eleição, a descoberta de uma operação para
comprar dossiês contra o candidato ao governo de São Paulo, José Serra. Em 2022 alguns
levantamentos o apontavam acima do limiar da maioria absoluta. No Datafolha,
por exemplo, tinha 48% dos votos totais, Jair Bolsonaro, 34%, e a soma dos
demais adversários, 13%. Nos votos válidos, o atual presidente conseguia 50%.
No resultado final, há tradicionalmente uma
grande regularidade. Em relação ao total do eleitorado apto para votar no ano
da disputa, Lula obteve 34,2% em 2002, na eleição de 2006 alcançou 37,1% e, em
2022 36,6%. A ex-presidente Dilma Rousseff alcançou 35,1% em 2010 e 30,3% em
2014.
A abstenção sempre puxa a votação petista
para baixo. E como pesquisa não é prognóstico, ao contrário do que parece
acreditar o ministro Kassio
Nunes Marques, não é possível inferi-la no levantamento. Em
geral, estão mais sujeitos ao não comparecimento as fatias do eleitorado mais
pobre e de idade mais avançada, dois segmentos em que Lula está com intenção de
voto bastante alta.
O peso do voto útil se fez sentir contra Lula
em 2022. Naquela eleição, a votação de Ciro Gomes, Simone Tebet, Soraya Thronicke e Felipe d'Avila murchou
frente ao que as pesquisas registravam. Somados, conseguiram 8%, considerando
os votos totais, cinco pontos percentuais a menos do que os levantamentos
apontavam e praticamente equivalente ao crescimento de Bolsonaro na reta final.
Na eleição deste ano Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) são particularmente vulneráveis a este fator. Renan Santos (Missão) se alimenta do eleitorado que rejeita simultaneamente tanto Lula quanto Flávio e é menos vulnerável.

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