quinta-feira, 16 de julho de 2026

Pesquisa Quaest deve fazer Lula voltar a sonhar com vitória no primeiro turno, por César Felício

Valor Econômico

Presidente tem 40% de intenção de voto, ante 28% de Flávio Bolsonaro e 13% da soma dos outros adversários

A possibilidade de um desfecho da eleição presidencial no primeiro turno volta a entrar no cenário das possibilidades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a partir do resultado da rodada Quaest que foi divulgada na manhã desta quarta-feira. O presidente consegue 40% de intenção de voto, ante 28% de Flávio Bolsonaro (PL) e 13% da soma de seus adversários. Na rodada de junho, a diferença era de 39% para Lula e 42% para o restante. Há dúvidas sobre a solidez do resultado, contudo, já que a porcentagem de indecisos oscilou de 10% para 11%.

A dianteira de Lula se manifesta em todos os segmentos, com exceção de evangélicos e na região Sul. Sua rejeição caiu cinco pontos percentuais desde abril, ainda se situando em elevados 50%. A de Flávio contudo, cresce de forma consistente e passou de 52% para 57% neste intervalo de tempo. A aprovação do governo também subiu e pela primeira vez supera a desaprovação (48% a 47%) no intervalo de um ano.

É um movimento tradicional de governantes que disputam reeleição: a aprovação da administração sobe ao longo do ano, em especial quando a campanha avança. O fenômeno foi registrado todas as vezes desde o instituto da reeleição, em 1998.

Lula já ouviu este canto da sereia da vitória no primeiro turno outras vezes. Em 2006 caminhava para este cenário quando houve um fato novo na reta final da eleição, a descoberta de uma operação para comprar dossiês contra o candidato ao governo de São Paulo, José Serra. Em 2022 alguns levantamentos o apontavam acima do limiar da maioria absoluta. No Datafolha, por exemplo, tinha 48% dos votos totais, Jair Bolsonaro, 34%, e a soma dos demais adversários, 13%. Nos votos válidos, o atual presidente conseguia 50%.

No resultado final, há tradicionalmente uma grande regularidade. Em relação ao total do eleitorado apto para votar no ano da disputa, Lula obteve 34,2% em 2002, na eleição de 2006 alcançou 37,1% e, em 2022 36,6%. A ex-presidente Dilma Rousseff alcançou 35,1% em 2010 e 30,3% em 2014.

A abstenção sempre puxa a votação petista para baixo. E como pesquisa não é prognóstico, ao contrário do que parece acreditar o ministro Kassio Nunes Marques, não é possível inferi-la no levantamento. Em geral, estão mais sujeitos ao não comparecimento as fatias do eleitorado mais pobre e de idade mais avançada, dois segmentos em que Lula está com intenção de voto bastante alta.

O peso do voto útil se fez sentir contra Lula em 2022. Naquela eleição, a votação de Ciro GomesSimone TebetSoraya Thronicke e Felipe d'Avila murchou frente ao que as pesquisas registravam. Somados, conseguiram 8%, considerando os votos totais, cinco pontos percentuais a menos do que os levantamentos apontavam e praticamente equivalente ao crescimento de Bolsonaro na reta final.

Na eleição deste ano Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) são particularmente vulneráveis a este fator. Renan Santos (Missão) se alimenta do eleitorado que rejeita simultaneamente tanto Lula quanto Flávio e é menos vulnerável.

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