O Estado de S. Paulo
Lula faz do limão uma limonada e é o único a ganhar com o tarifaço de Trump
Flávio Bolsonaro, o Brasil, os EUA e a
relação centenária entre os dois países, suas empresas e sociedades perdem com
o novo tarifaço, político e calcado em dados falsos, imposto pelo governo Trump
com a equivocada intenção de favorecer a direita brasileira. No fim, quem
ganha? O presidente Lula, como o próprio Flávio previu, mas tarde demais.
Planalto e Itamaraty já tinham pronta a reação diplomática e de comunicação, com manifestação dura do chanceler Mauro Vieira e uma entrevista com os principais expoentes do governo, com três focos: “soberania nacional”, “mentiras dos EUA” e apoio aos setores atingidos.
Do outro lado, Flávio adicionou mais um erro
incompreensível à sua coleção, ao reproduzir nota do secretário de Estado Marco
Rubio a favor do tarifaço e contra Lula. Ou seja, apoiou o agressor, com quem
se identifica ideologicamente, em vez de defender o agredido: o Brasil.
Rubio culpou Lula pelo tarifaço, dizendo que
ele “agiu de má-fé e colocou seu próprio ego à frente de um acordo do bem-estar
do povo brasileiro”. Na mesma linha, a Fiesp de Paulo Skaf responsabilizou Lula
e seu governo, por “ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas,
discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington”.
Tudo isso é verdade, mas dos dois lados. E,
mesmo com o “desalinhamento político”, as negociações foram intensas e
envolveram diferentes áreas do governo. Segundo Mauro Vieira, foram 30 reuniões
presenciais, por internet ou por telefone, desde o ano passado.
A versão do governo é de que a decisão dos
EUA foi política, já estava tomada independentemente das negociações e é cheia
de erros sobre Pix, desmatamento, comércio. Por quê? Para tentar favorecer a
direita na disputa eleitoral.
O tarifaço, porém, só piora a situação de
Flávio, que tentou consertar pedindo o adiamento para depois das eleições, mas
era tarde, ele já estava decidido na cabeça de Trump. E Flávio ainda não se deu
conta do quanto o irmão Eduardo e o amigão Paulo Figueiredo atrapalham. Deviam fazer
como Carlos, o 02: sumir de cena.
Antes do anúncio de Washington, 51% dos
pesquisados pela Quaest atribuíam a culpa a Flávio e 30%, a Lula. Depois, como
divulgou o UOL, foram 7 milhões de menções e interações com o termo
“Tariflávio” no X, no Instagram e no TikTok, em menos de 24 horas. Ruim para
Flávio, bom para Lula, que teve índice maior de aprovação do que desaprovação
pela primeira vez desde 2024 e recuperou pontos em segmentos refratários a ele
na Quaest. O primeiro erro de Flávio, aliás, foi o tarifaço de 2025. Um erro
que se repete, na pior hora da sua candidatura.

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