Folha de S. Paulo
Era tudo coisa de gângster: Vorcaro e sua
turma construíram um cenário de brutalidade de longo alcance
Com nova operação da PF, as suspeitas de que
o antigo relator do caso, o ministro Dias Toffoli, atrapalhou as investigações
aumentam
As revelações que vieram à tona no rastro
da nova fase da
operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta quarta-feira (4)
pela Polícia Federal, mostraram que a quadrilha montada pelo banqueiro Daniel
Vorcaro agia como uma máfia.
Era tudo coisa de gângster. Vorcaro e sua
turma construíram um cenário de brutalidade de longo alcance.
A sua organização criminosa atuava em quatro núcleos detalhadamente descritos na decisão do ministro do STF André Mendonça que levou à ação da PF: 1) financeiro, responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro; 2) corrupção institucional, voltado à cooptação de servidores públicos do Banco Central; 3) ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, com utilização de empresas laranjas; 4) intimidação e obstrução de justiça, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.
O quarto núcleo é o ingrediente novo trazido
na operação e que torna o escândalo do banco Master ainda mais assustador,
estampado nas palavras escritas em trocas de mensagens de Vorcaro contra o
jornalista Lauro Jardim: "Esse Lauro quero mandar dar um pau nele".
O ex-banqueiro, agora novamente preso, tinha
em seu grupo até uma pessoa apelidada de Sicário, nome dado a matador,
facínora, capanga. A alcunha foi atribuída a Luiz Philippi Machado de Moraes
Mourão, que mantinha relação direta de prestação de serviços para Vorcaro.
Sicário fazia o jogo mais sujo, atuando como
responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de
informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de
situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado.
Vorcaro também fez determinação expressa ao
seu sicário para "levantar tudo" sobre um funcionário seu e um chefe
de cozinha a ele associado.
Um quinto núcleo, não descrito, poderia ser
incluído na lista. É o núcleo das festas e da
participação de autoridades em eventos organizados pelo dono do
Master.
Com a operação, as suspeitas de que o antigo
relator do caso no STF, o ministro Dias Toffoli, atrapalhou as investigações
aumentam. Vorcaro não deveria ter sido solto na primeira prisão em novembro do ano
passado.
Toffoli não só deve explicações como o STF
precisa aprovar a quebra de sigilo da Maridt Participações, empresa da família
do ministro.
A extensão dos núcleos de investigação revela
que novas fases das operações vão acontecer em breve.

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