Folha de S. Paulo
O tarifaço 2.0 é um desastre para a campanha
bolsonarista
Aumenta a desconfiança de que está em curso
uma ofensiva dos EUA nas eleições
Para afastar o caso "Dark Horse"
de seus calcanhares, Flávio
Bolsonaro decidiu bajular Donald Trump.
Conseguiu a foto no salão oval e um elogio do bufão —"garoto
inteligente"—, mas o problema está longe de terminar.
Além da operação da polícia de São Paulo contra Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, novas mensagens obtidas pelo site Intercept Brasil indicam que, após as cobranças de Flávio, o "irmãozão" Daniel Vorcaro deu prioridade aos pagamentos que teriam sido destinados ao filme.
As explicações do filho 01 sobre o destino do
dinheiro não se sustentam. Estão repletas de inconsistências e lacunas. Lembram
o relatório no qual o governo dos Estados
Unidos se baseou para propor o tarifaço
2.0 contra produtos brasileiros, cuja carga total, com a soma de uma
investigação sobre suposto uso de trabalho forçado, pode chegar a 37,5%.
O principal alvo é o Pix, acusado de
prejudicar "injustamente" empresas americanas que prestam serviços de
pagamento eletrônico. Como se não bastasse, Eduardo
Bolsonaro, o fugitivo, defendeu que o Brasil abra mão do Pix e adote o
sistema dos Estados Unidos, o Zelle, para negociar com Trump.
A chantagem é um desastre para a campanha do
01, avaliam os próprios bolsonaristas, pois aumenta a desconfiança de que está
em curso uma ofensiva trumpista para interferir nas eleições de outubro. Na
primeira tentativa para desestabilizar o país economicamente, em 2025, Trump
enviou uma carta ao presidente Lula, anunciando que a sobretaxa de 50% era
fruto do que classificou como "caça às bruxas" a Jair
Bolsonaro, que na época enfrentava no STF o julgamento pela tentativa de
golpe.
Flávio Bolsonaro coleciona apelidos. O mais
conhecido é Rachadinha, referência ao esquema de desvio de verbas parlamentares
em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde atuou de 2003
a 2018. Ao se lançar candidato à Presidência por ordem do pai, virou
Bolsonarinho. Agora é Tariflávio, expressão que explodiu nas redes sociais.
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