sábado, 6 de junho de 2026

Eduardo Bolsonaro colocou a digital contra o Pix e foi tudo gravado, por Adriana Fernandes


Folha de S. Paulo

Ao citar o Zelle, um sistema privado de pagamentos e transferências operado por bancos americanos, Eduardo Bolsonaro propôs negociar com os Estados Unidos

Não há nada a negociar. O Pix é hoje a marca mais forte admirada pelos brasileiros

Eduardo Bolsonaro colocou a digital contra o Pix e foi tudo gravado. Ao citar o Zelle, um sistema privado de pagamentos e transferências operado por bancos americanos, o ex-deputado federal cassado propôs negociar com os Estados Unidos.

Ele disse literalmente: "Os Estados Unidos, né, têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o Zelle. É o Pix dos Estados Unidos. Aqui é o Zelle. Então dá para você ir para uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos. Dá para você sentar, dá para negociar."

Eduardo não pediu para trocar um pelo outro, mas falou em negociação com os americanos ao falar ao canal TMC News. A interpretação de texto sobre propor uma negociação é clara.

Depois da repercussão negativa no Brasil nas redes sociais, o irmão do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) chamou de patifaria a leitura que foi dada à sua fala, pediu retração em tom ameaçador, atacou os bancos brasileiros e misturou o ponto central do debate sobre o Pix ao falar que o presidente Lula sabia do tarifaço e não fez nada.

Confundiu os assuntos como estratégia diversionista. Não deu nenhuma explicação sobre o que de fato quis dizer ao sugerir que dá para negociar o Pix com o Zelle, um sistema de pagamento sem comparação com o brasileiro.

Para o bom debate em ano eleições, seria importante ele esclarecer o que quis dizer em negociar com os Estados Unidos. Afinal, o que ele e o irmão, Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, negociaram com o Donald Trump caso ganhem as eleições?

O que se sabe é que Trump fez um post com Flávio Bolsonaro no dia que anunciou a tarifa de 25% num relatório em que cita o Pix diversas vezes.

Os americanos acusam o Banco Central do Brasil de favorecer o Pix de forma injusta e discriminatória em relação a outros meios de pagamento, numa referência a empresas de cartão americanas. Elas estão incomodadas com o Pix, que é gratuito. Esse é o fato.

Não há nada a negociar. O Pix é hoje a marca mais forte e admirada pelos brasileiros.

 

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