Folha de S. Paulo
O que era para ser uma peça de boa propaganda
acabou virando uma enorme dor de cabeça
A cada operação policial novos personagens
são tragados para dentro do escândalo Master
O filme "Dark Horse"
era para ser uma peça de propaganda e acabou virando uma grande dor de cabeça
para a franquia Bolsonaro e associados, ao se estabelecerem ligações da
produção com as vigarices de Daniel
Vorcaro.
A cada fio puxado dessa meada, mais alto fica o custo da empreitada para a direita bolsonarista. A cada nova operação policial, alguém relacionado ao grupo é tragado para dentro do escândalo do banco Master.
A mais recente ramificação fez morada na
administração do prefeito Ricardo Nunes (MDB), alvo de
investigação da Polícia Civil de São Paulo por
suspeita de desvio de finalidade na contratação de instituto da dona da
produtora do filme para a execução de serviços para os quais não tinha
experiência, a preços acima do mercado.
Antes de bater na porta de Nunes, o caso pôs
um freio na trajetória ascendente de Flávio
Bolsonaro (PL)
nas pesquisas, subtraindo-lhe pontos nos índices de intenções de votos. O longa
sobre o pai-herói revelou negociações mal explicadas e iniciou um feito dominó.
Atingiu em cheio os planos do presidente
do PP,
senador Ciro Nogueira,
de renovar o mandato no Piauí e, ato contínuo, detonou a carreira do
ex-governador Claudio Castro, desarticulando por completo o PL no Rio de
Janeiro, berço político dos Bolsonaro.
Dada a fartura de coincidências e pontas
soltas nesse roteiro, ao qual não se passa semana sem que se acrescentem cenas
de intermediações obscuras, a trama ainda pode incluir mais personagens. Gente
que talvez continuasse posta em sossego caso o senador não tivesse pedido
alguns milhões ao um vivaldino travestido de banqueiro.
O filme que deu origem à série de desventuras
parece ter mais potencial de espalhar brasas incandescentes no terreno
bolsonarista que a delação de Vorcaro ainda em negociação com a Polícia
Federal e o Ministério Público.
Quando a fita chegar às telas —se chegar,
como previsto, em setembro— pode não ter sobrado ninguém, nem pedra sobre
pedra, para contar direito essa história.

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