Bolsonaro
no mundo da lua – Opinião | O Estado de S. Paulo
A
prova de que o equilíbrio de Bolsonaro depende cada vez mais das fases da Lua
foi sua ameaça de declarar guerra aos EUA.
O
presidente Jair Bolsonaro, como um valentão na hora do recreio, chamou o País
para a briga. Descontrolado como poucas vezes se viu em sua vergonhosa
Presidência, classificou como “maricas” os milhões de brasileiros que se
preocupam com a pandemia de covid-19.
Donde
se depreende que corajoso, para Bolsonaro, é quem ignora as medidas de proteção
contra a pandemia, pois, afinal, segundo suas próprias palavras, “todos nós
vamos morrer um dia”. Ou seja, o presidente da República está explicitamente
incitando seus governados a correr risco de morte.
Mas
não ficou só nisso. Bolsonaro questionou a inteligência dos eleitores que
apoiam prefeitos “que fecharam as cidades” – isto é, que tomaram providências
para conter a pandemia: “Por que esses caras estão bem na frente nas pesquisas,
meu Deus do céu?”.
E
tudo isso depois de celebrar um suposto revés na pesquisa da vacina
desenvolvida pela China em parceria com São Paulo, Estado governado por seu
maior desafeto, João Doria.
Quase
nada escapou da logorreia de Bolsonaro. Ele atacou os jornalistas, chamando-os
de “urubuzada”, tornou a questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas nas
eleições brasileiras e ainda fez piada grosseira com as movimentações políticas
de centro para enfrentá-lo nas eleições de 2022: “Aí vem a turminha aí falar de
‘ah, queremos um centro, nem ódio pra lá nem ódio pra cá’. Ódio é coisa de maricas,
pô. Meu tempo de bullying na escola era na porrada”.
Completou
a glossolalia queixando-se de que é responsabilizado “por tudo o que acontece
no Brasil” e que a Presidência é uma “biboca” que “tem criptonita ou um
formigueiro”. Emendou criticando os que querem seu lugar “falando besteira o
tempo todo, mentindo, provocando, caluniando, perseguindo os familiares o tempo
todo”. A menção aos “familiares” não foi gratuita: sempre que o cerco judicial
ao filho Flávio Bolsonaro no escândalo das rachadinhas se aperta, o presidente
perde as estribeiras.