Folha de S. Paulo
Flávio Bolsonaro (PL) defende 'tesouraço', e
auxiliares de Lula (PT) acenam com revisão de gastos
Sem detalhes de eventuais medidas, resultado
será grave crise ou estelionato eleitoral
O desequilíbrio
das contas é uma realidade concreta, a ponto de os dois
principais pré-candidatos à Presidência ou o seu entorno precisarem acenar com
ajuste fiscal a partir de 2027. Isso agrada a Faria Lima, mas não nos
enganemos: são promessas vagas o suficiente para evitar qualquer possível
desgaste com a maioria que vota.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) defende há meses um "tesouraço" nas despesas, mas não diz o que pretende cortar se for eleito. O ministro Dario Durigan (Fazenda), hoje o principal auxiliar de Lula (PT) na área econômica, fala em revisão de gastos obrigatórios, mas tampouco detalha o que mudaria.
Idealmente, o eleitor deveria ser esclarecido
sobre tais planos para decidir de forma consciente. Na prática, ninguém vai
querer aprofundar o debate agora, pois pode desaguar em desvinculação
entre benefícios e salário mínimo, extinção de políticas
desfocalizadas e outras medidas que só subtraem votos em vez de agregar.
O passado recente ainda nos permite duvidar
da verdadeira disposição de ambos os lados para enfrentar o problema. O governo
Lula abriu os cofres para conter preços
de combustíveis e ofertar
crédito barato, a pretexto de minimizar efeitos da guerra no Irã e
impedir uma freada brusca na economia. O ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL), pai do senador, permitiu a expansão das
emendas parlamentares, menos eficientes e em alguns casos
protagonistas de esquemas de corrupção. Além disso, acionou o modo turbo
nos gastos nas eleições de 2022.
Mesmo que não sejam promessas vazias, o
Congresso está aí para mostrar que apoia o
ajuste fiscal até a página dois. Quando quer fustigar o governo ou
atender ao mercado, cobra gestão séria das contas, mas quando vê na berlinda o
privilégio de grupos aliados, reage para manter tudo como está ou até ampliar
as benesses.
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Essa equação complexa só pode produzir dois
resultados: uma grave crise ou um estelionato eleitoral. Em 2015, tivemos os
dois.

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