Folha de S. Paulo
Trump, Eduardo e Figueiredo não são
companhias que transmitam a imagem de sensatez
Uma fotografia na parede não resolve as
pontas soltas da campanha abalada pelos rolos do Master
A construção da imagem de moderado de Flávio
Bolsonaro (PL) acaba de levar um
desmentido. A foto ao
lado do presidente Donald Trump,
do irmão Eduardo e do neto do último ditador do regime militar apaga o verniz
de sensatez no figurino que o senador andou querendo vestir para se apresentar
ao eleitorado.
Trump é um radical orgulhoso do próprio extremismo. O deputado cassado e filho 03 do clã já defendeu punições ao Brasil e, lá atrás, em devaneio autoritário, considerou suficiente a força de um cabo e um soldado para fechar o Supremo Tribunal Federal. O herdeiro de João Figueiredo foi dos incitadores mais ativos ao golpe militar em 2022, detrator dos generais legalistas.
Não são companhias que se possa chamar de
moderadas, mas foi com elas que o pretendente a presidente posou no salão oval
da Casa Branca, apostando com isso dar por encerrado o assunto dos rolos
com Daniel
Vorcaro. No relato lido na tela do celular após o encontro, pôs o
tema da segurança na pauta, defendendo a inclusão de facções criminosas na
categoria de terroristas. Apresentou-se como defensor da libertação dos
moradores de áreas controladas pelo crime. Territórios de traficantes e de
milicianos aos quais o hoje senador prestou homenagens quando deputado
estadual.
São muitas as pontas soltas nessa trajetória
eleitoral abalada pelas mentiras e versões desencontradas na história mal
contada das relações do candidato com o ex-banqueiro preso. Na mais recente,
pediu um mês para que se apresentassem as contas do filme "Dark Horse".
Tanto tempo sugere que os comprovantes de despesas não existem e precisam ser
fabricados.
Não se sabe qual foi o assunto que fez o
senador ir ao encontro do "irmão" atado a uma tornozeleira. Falta
explicar também a razão de o dinheiro da filmagem ter passeado por fundo no
exterior para pagar a produtora brasileira.
São muitas as dúvidas permeadas pela certeza
de que quem gerencia mal uma crise de
campanha não dá conta de presidir um país. Isso uma foto na
parede não resolve.

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