terça-feira, 28 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

A 'herança maldita' que o PT esconde

Por Folha de S. Paulo

Dívida, estatais e expansão fiscal revelam quadro bem mais preocupante do que indicam as metas do governo

Entre junho de 2022 e junho de 2026, o impulso fiscal saltou de 1,43% para 6,7% do PIB, evidenciando uma política expansionista

As contas públicas brasileiras chegam perto do fim do terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em situação muito mais vulnerável do que o discurso oficial tem buscado demonstrar publicamente.

Embora a área econômica venha repetindo nas últimas semanas que cumpre as metas previstas em seu arcabouço fiscal, os principais indicadores caminham na direção oposta.

A dívida pública cresce, os déficits tornam-se recorrentes, as estatais voltam a representar risco para o Tesouro e o impulso fiscal é muito maior do que mostram as estatísticas convencionais. A distância entre a narrativa oficial e a realidade das contas públicas tornou-se impossível de ignorar.

Aliado a Rubio, Milei e Netanyahu, Flávio dobra aposta na crise externa, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Senador aposta que o colapso da política externa poderá ser atribuído a Lula e convertido em votos para a oposição, ao provocar crise econômica

Flávio Bolsonaro transformou a convenção que oficializou sua candidatura à Presidência numa tribuna para líderes estrangeiros atacarem o governo brasileiro e o Supremo Tribunal Federal (STF). Dobrou uma aposta de alto risco na crise externa. O candidato do PL se apresenta como representante nacional de uma onda conservadora internacional, mas fomenta a deterioração das relações diplomáticas e comerciais do Brasil com Estados Unidos, Argentina e Israel.

A ameaça do protetorado americano na bacia do Prata, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Milei presta serviço a Trump, tem uma agenda liberalizante que converge com demandas do eleitorado brasileiro e é competitivo para sua reeleição

Javier Milei enfrenta percalços de popularidade desde o início do arrocho, o que não o impediu de ganhar as eleições legislativas de outubro. Suas medidas vêm, ainda, sendo legitimadas pelo Legislativo. Quando percebeu que seria derrotado, como na votação do orçamento para a educação, recuou. “Com um custo social altíssimo, Milei domou a fera e a sociedade argentina topou porque seu programa de controle inflacionário é um sucesso”, diz a historiadora e especialista em relações Brasil-Argentina Monica Hirst. “O que ele inaugurou na convenção do PL foi a estratégia de fazer deste sucesso uma bandeira regional a serviço de Donald Trump”.

Arroubos privatistas revelam descuido ou anacronismo, por Pedro Cafardo

Valor Econômico

Dados históricos indicam que nacionalizações também podem produzir benefícios ao permitir maior controle político sobre prioridades de investimento

Dias atrás, um pré-candidato à Presidência disse que não existe “vaca sagrada” nas estatais e que pretende fazer privatizações em “larga escala” caso seja eleito. Entende-se que pretende privatizar Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica e outras grandes estatais.

Essa declaração, apoiada por outros pré-candidatos, embora com menos ênfase, indica que, em ano eleitoral, os brasileiros precisam refletir sobre propostas de governo e, principalmente, ficar atentos a anacronismos de lideranças.

No atual quadro geopolítico global, o Brasil, como qualquer outro país, não pode pensar com o cérebro dos anos 1980/90, moldado pelo neoliberalismo. Liberalização financeira, abertura comercial, corte abrupto de gastos públicos, Estado mínimo e privatizações em larga escala já não são pilares dominantes da ordem econômica global, como no período pós-Guerra Fria.

Encantamento pertinaz, por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

A despeito de críticas, denúncias e condenações envolvendo seus integrantes, o bolsonarismo ainda encanta milhões

Há um descolamento entre as pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República e o esboroamento moral de uma candidatura. Trata-se, no caso, da do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), aclamado como candidato de seu partido em convenção nacional realizada no fim de semana passado. A revelação de fatos comprometedores que o envolvem não afetou seu potencial eleitoral.

Desde que, há cerca de um ano, seu nome começou a ser apontado como o mais forte da extrema direita para concorrer à Presidência, Flávio Bolsonaro registrava entre 36% e 38% das intenções de voto. Isso ocorreu entre junho e dezembro de 2025, segundo o Datafolha.

Problema de Flávio não é o Centrão, é o eleitor, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Flávio não perde votos pelo abandono do Centrão, perde o Centrão pelo abandono do eleitor independente

A debandada do Centrão é um baque mais político do que eleitoral para a candidatura de Flávio Bolsonaro. É um alarme avisando que aliados à direita, como PP, Republicanos e União Brasil, não estão botando muita fé nas chances de Flávio e isso pode significar retirada de apoio de setores-chave, mas não, necessariamente, perda de votos.

Ok, os chamados “setoreschave”, como indústria, comércio, agronegócio e igrejas, são suscetíveis aos movimentos e alarmes políticos e partidários e influenciam, sim, os votos em massa. Esses votos, porém, seguem mais as ondas, percepções e versões que se disseminam na sociedade, além do principal: o próprio interesse e o bolso do eleitor.

Inexistência individual autônoma, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

A convenção nacional do PL foi a convenção de Jair Bolsonaro, ainda que, de vez em quando, alguém se lembrasse de que oficializada ali era a candidatura de Flávio Bolsonaro. Disse Tarcísio, carinhoso: “Flávio está aqui não pelo sobrenome”. Carinhoso – e falso. Estava ali pelo sobrenome somente. Senador somente pelo sobrenome. Candidato à Presidência somente pelo sobrenome. Produto de fenômeno dinástico, puro-sanguista, que se hierarquiza em função da família.

Da família, não. A família de Michelle – ela fez questão de esclarecer – não é a mesma de Flávio.

Milei estraga um bom momento, por Míriam Leitão

O Globo

Presidente argentino cruzou linhas vermelhas da diplomacia, criou uma crise com seu principal parceiro comercial e pôs em riscos agenda de acordos do Mercosul

A crise diplomática provocada pelo presidente Javier Milei ocorre num momento de intensa, ambiciosa e bem sucedida agenda internacional do Mercosul, com uma série de negociações promissoras. O bloco fez acordo com a União Europeia, Efta ( países nórdicos), Cingapura. Negocia com o Canadá, Emirados Árabes, Vietnã. A Inglaterra pediu conversas, a Índia quer aprofundar acordos, o tema foi assunto de conversa entre Lula e o presidente da China, Xi Jinping. O Mercosul está sendo visto como um “oásis de regras claras”, definiu um negociador brasileiro, dizendo que é um paradoxo a crise num momento tão favorável.

Como reagir à injustiça dos EUA, por Fernando Gabeira

O Globo

Poderemos retaliar no futuro no campo dos minerais estratégicos. Para isso, precisamos pelo menos mapear os recursos

Os Estados Unidos estão sendo injustos com o Brasil. Parte das novas tarifas aplicadas a nossas exportações é baseada em acusações falsas. O país combate o trabalho escravo e reduz o desmatamento. Aqui foi aplicada a lógica do lobo e do cordeiro. Se não somos nós os culpados, então foram os nossos primos.

Num momento como este, muitos falam em retaliação. É uma reação emocionalmente compreensível. Mas, pensando bem, é possível encontrar uma solução melhor. Ela seria um grande projeto de união nacional para que a gente desenvolva capacidade real de retaliar. Você pode chamar isso de soberania, mas não deve confundi-la com os gritos de soberania nos comícios eleitorais.

União contra Lula, por Merval Pereira

O Globo

Eleitores de direita, mesmo os decepcionados hoje com o desempenho de Flávio, tendem a se unir no segundo turno, mesmo que ele não seja o candidato da direita.

Se confirmada a tendência apontada por muitas pesquisas de que qualquer candidato da direita terá a mesma possibilidade que Flávio Bolsonaro de vencer Lula num eventual segundo turno, a notícia não será boa para nenhum dos dois. O candidato oficial do bolsonarismo está bem à frente dos demais candidatos da direita no primeiro turno, Zema ou Caiado. O ex-governador Leonel Brizola disputava com Lula quem iria para o segundo turno em 1989 contra Collor e morreu acreditando que houve uma manobra para colocar o líder operário no segundo turno em seu lugar. Dizia que, para Collor, seria mais fácil derrotar Lula do que ele. Hoje, o candidato que Lula prefere num segundo turno é, sem dúvida, Flávio, o mais frágil dos três, tanto do ponto de vista histórico quanto da capacidade retórica para vencer um debate. A inexperiência de Flávio na gestão pública fica evidente diante do currículo dos ex-governadores Caiado e Zema.

Caso perca, Flávio vai respeitar o resultado? Por Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

Agora é o filho mais velho de Bolsonaro que considera se deve ou não embarcar no trem da ruptura

A ascensão do pai ao topo da política nacional teve o ataque às instituições como projeto central

Quando uma estratégia já deu espetacularmente errado duas vezes, por que não tentar uma terceira? Esse deve ser o raciocínio que Flávio tem contemplado agora que flerta com a negação do resultado das urnas.

Vamos recapitular. Jair Bolsonaro governou sob o signo da ruptura contra o Supremo e contra o sistema eleitoral. Conforme as investigações na esteira do 8 de Janeiro mostraram, ele tentou interferir nas eleições bloqueando eleitores e, uma vez derrotado, sentou-se com generais do alto comando para persuadi-los a bancar um golpe que impediria a passagem do poder. Também apoiou uma massa de fanatizados que terminariam por invadir os três Poderes. Discussões do julgamento à parte, o resultado para Bolsonaro foi desastroso: 27 anos de prisão.

O show de Milei, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Ataques de presidente argentino a Lula e Moraes são despropositados e desafiam lógica

Chefes de Estado deveriam abster-se de interferir em processos eleitorais de outros países

As diatribes de Javier Milei contra Lula e Alexandre de Moraes são tão despropositadas que é difícil até colocá-las sob uma moldura racional. Representam o triunfo do ego do presidente platino sobre os interesses de seu próprio país.

Não convém à Argentina criar arestas com um de seus principais parceiros comerciais. O Brasil absorve de 15% a 20% das exportações totais do país vizinho, que fica com 5% das exportações brasileiras.

Denúncias não derrubam Flávio, mas afastam pastores e eleitoras indecisas, por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Candidato bolsonarista não empolga evangélicos e PT disputa massa pentecostal em igrejas

Pastores influentes evitam defender senador publicamente para proteger suas igrejas

Se depender do eleitor evangélico, a campanha de Flávio Bolsonaro, do PL, sairá cambaleante, mas de pé, de qualquer denúncia que apareça —seja a foto dele com o Sicário, matador de aluguel a serviço de Vorcaro, seja o suposto vídeo do senador nas festas do ex-banqueiro.

O vídeo nas festas ainda não foi vazado, mas sua existência foi confirmada pelo deputado Kim Kataguiri, da Missão, partido que lançou Renan Santos como concorrente de Flávio na direita.

A real ou fictícia importância do vice, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Dois impeachments e a morte de Tancredo contribuíram para renovar o papel do substituto constitucional

Hoje talvez fosse o caso de retomar a discussão sobre a utilidade do posto na era da comunicação instantânea

Houve um tempo, e não faz muito, em que a figura do vice-presidente passou a ser vista como inútil para o bom andamento dos trabalhos da República. Chegou-se até a cogitar a extinção do posto. Foi antes da carta do então vice Michel Temer (MDB) à presidente Dilma Rousseff (PT) dizendo que se sentia uma peça decorativa na fila do pão palaciano. Naquela altura, a discussão já estava esvaziada, como outras que ficaram pelo caminho.

Livro sobre casas machadianas debate o patrimônio do Rio, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo  

Moradias do escritor no centro histórico precisam de reforma urgente

Há placas comemorativas instaladas pela prefeitura em imóveis errados

Numa passagem das "Memórias Póstumas de Brás Cubas", o defunto autor, perambulando e filosofando, vai dar à porta do Pharoux, primeiro hotel de luxo estabelecido no Brasil, em 1838, famoso pela gastronomia e pelos vinhos franceses. Descobre-se com fome: "Não tendo deliberadamente andado, nenhum merecimento da ação me cabe, e sim às pernas, que a fizeram. Abençoadas pernas!".

O hotel Pharoux ficava no largo do Paço, hoje praça 15. Para Machado de Assis, tudo na geografia do Rio de Janeiro de sua época tinha um significado íntimo, que moldou sua sensibilidade artística. Orgulhava-se de ter nascido na cidade, de ter morado nela a vida inteira —em 69 anos, o lugar mais distante em que esteve foi Barbacena (MG), com idas esporádicas a Nova Friburgo (RJ)— e de ter feito dela um personagem de sua obra. Como a Paris de Balzac ou a Londres de Dickens.

Ogun, por Ivan Alves Filho*

Aqui vai uma lembrança ainda, que talvez ilustre de uma forma praticamente definitiva o que tenho escrito a respeito do papel da negociação na transformação social, diferente tanto da via revolucionária, que coloca o Estado abaixo, quanto da conciliação, que nada muda.

Poesia | Quero, de Carlos Drummond de Andrade, por Paulo Autran

 

Música | Lorena Mendes - O Mundo é um Moinho (Cartola) |