segunda-feira, 27 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Gravações em presídios para combater as facções

Por Folha de S. Paulo

Dispositivo legal que permite monitoramento de conversas de presos é medida essencial em segurança pública

A Lei Antifacção autoriza a gravação de conversas entre detentos vinculados a facções, grupos paramilitares ou milícias e seus visitantes

A expansão do crime organizado no Brasil é indissociável do controle que esses grupos exercem nos presídios, inclusive comandando, de dentro dessas instalações, atividades ilícitas externas.

Assim, realizar grandes operações policiais e prender infratores, mesmos os líderes desses grupos, não é suficiente. A inteligência investigativa passa a ser ainda mais importante.

A Lei Antifacção, aprovada em fevereiro, avança nesse sentido com dispositivos que permitem a gravação de conversas entre presos "vinculados a organizações criminosas ultraviolentas, grupos paramilitares ou milícias privadas e os seus visitantes". O monitoramento pode ser requerido pelo delegado de polícia, pelo Ministério Público ou pela administração penitenciária.

Na eleição, dinheiro chama dinheiro, por Bruno Carazza*

Valor Econômico

Neutralidade do Centrão na disputa presidencial tem também motivação financeira

A semana passada foi marcada pela negativa do Centrão em apoiar a empreitada de Flávio Bolsonaro rumo ao Palácio do Planalto. No lançamento de sua candidatura no sábado, nenhum presidente dos partidos cortejados pelo filho Zero Um compareceu: nem Republicanos, União Brasil ou Progressistas.

Essas legendas justificam a opção pela neutralidade com o desejo de liberdade para negociar individualmente os palanques em cada Estado. Sem celebrar um casamento formal com Flávio Bolsonaro, elas ficam livres para até mesmo dar e receber apoio lulista em algumas circunscrições.

Do outro lado do espectro ideológico, pela primeira vez desde a redemocratização teremos provavelmente um único candidato à Presidência no campo da esquerda - o que abre até a possibilidade matemática de uma vitória de Lula no primeiro turno.

Entrevista | Wellington Dias: "Tirar da fome não é o fim, é só o primeiro passo", por Fernanda Strickland e Rafaela Gonçalves

Correio Braziliense

Ministro rebate ataques ao Bolsa Família, destaca os resultados da política de transferência de renda e afirma que o programa contribuiu para manter o Brasil fora do Mapa da Fome pelo segundo triênio seguido, conforme relatório da FAO

Alvo recorrente de críticas nas redes sociais, sobretudo em ano eleitoral, o Bolsa Família é a porta de entrada para uma trajetória de ascensão social, rebate o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias. "Estou falando de pessoas com quem a sociedade falhou", diz ele, que viveu a insegurança alimentar na infância no interior do Piauí.

Segundo o ministro, das 28 milhões de famílias que chegaram a receber o benefício, 9 milhões já saíram do programa por terem melhorado de vida — parte do contingente de 21 milhões de pessoas que ascenderam socialmente no país desde 2023.

Em entrevista ao Correio, Dias comentou o mais recente relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, sigla em inglês), que confirma o Brasil fora do Mapa da Fome pelo segundo triênio consecutivo (2023-2025), com a insegurança alimentar severa recuando de 9% para 0,6% da população.

Mesmo com guerras, tarifas comerciais e mudanças climáticas pressionando os preços dos alimentos, o ministro afirma que a transferência de renda, o controle da inflação e a geração de empregos explicam o resultado. Ele também abordou a modernização do Cadastro Único, que passou a cruzar 1,7 petabyte de dados para identificar fraudes. 

Confira os principais trechos:

BTG/Nexus: Dentro da margem de erro, Lula amplia vantagem no 1º e 2º turno, por Luiz Felipe

Correio Braziliense

No 2º turno, Lula abre 4pp contra Flávio, mas vê Ronaldo Caiado crescer e também entrar em empate técnico

Os dados da 7ª rodada da pesquisa eleitoral para presidente da República divulgada pela BTG/Nexus nesta segunda-feira (27/07) apresenta um cenário de estabilidade, com o presidente Lula (PT) mantendo uma vantagem discreta, porém crescente, sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tanto no primeiro quanto no segundo turno.  

Na simulação de 1º turno, Lula lidera a corrida com 42% das intenções de voto, seguido por Flávio, que registra 33%. Na esteira, aparece Ronaldo Caiado (PSD), com 6%, seguido por Renan Santos (Missão) com 5%, Romeu Zema (Novo) com 3%, Augusto Cury (Avante) com 2% e Cabo Daciolo (Mobiliza) com 1%. Os eleitores que declaram voto em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos somam 6%, enquanto 2% não souberam ou não responderam

O povo está fora do Congresso, por Miguel de Almeida

O Globo

Políticos construíram um edifício de facilidades, benesses, macetes e espertezas que resultou num clube fechado

Com as convenções partidárias em andamento, começam oficialmente as eleições de 2026. É uma rotina sem tropeços ou obstáculos autoritários desde a derrubada da ditadura. Parece um sonho de verão, só que a realidade de escândalos, a miséria de ideias e a grossa corrupção levam às perguntas:

— Sou representado pelos políticos eleitos para o Congresso?

Ou, mais direto:

— O Congresso é a cara do Brasil?

Para ambas as perguntas, a resposta só pode ser:

— Não.

Nem precisaria de estatística para chegar ao óbvio: basta olhar a estrutura montada com dinheiro público para alçar um cidadão (ou cidadã) ao Parlamento. Aos poucos, os políticos construíram um edifício de facilidades, benesses, macetes e espertezas que resultou num clube fechado; em resumo, é quase impossível de ser acessado por quem está do lado de fora, sem toda essa mão na roda que é dada a um “irmãozão”.

Não é o tarifaço, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

A ameaça à soberania brasileira é uma questão brasileira, na qual o Estado falha em larga escala

Sim, há ameaças à soberania do Estado brasileiro. Mas não vêm dos Estados Unidos. Estão aqui mesmo, escancaradas. São aqueles locais onde o Estado não entra e a lei não vale.

Todo mundo sabe onde estão: nas comunidades, bairros e regiões controlados pelas facções do crime organizado. O caso mais evidente é do Rio de Janeiro.

Mas na vasta e longínqua Amazônia, nem se pode dizer que a soberania do Estado está ameaçada. Já foi perdida para traficantes de cocaína e quadrilhas de garimpeiros. Conseguem despachar seu “produto” de lá até os principais portos brasileiros, burlando (ou corrompendo) diversas polícias estaduais e federais.

Por uma nova direita, por Denis Lerrer Rosenfield*

O Estado de S. Paulo

Urge que uma nova direita se apresente ao País, com contornos claros e isenta dos problemas que têm surgido em sua encarnação pela família Bolsonaro

Urge que uma nova direita se apresente ao País, com contornos claros e isenta dos problemas que têm surgido em sua encarnação pela família Bolsonaro. Liberal ou conservadora ou mesmo uma mescla dos dois, ela não pode permanecer apenas tributária do antipetismo ou das vicissitudes erráticas do bolsonarismo em geral. Tudo indica, aliás, que o potencial eleitoral deste último está se esgotando, não sendo uma alternativa viável ao governo Lula. Suas fórmulas só capturam a adesão dos convertidos. O Brasil precisa de algo novo.

Milei na convenção, por Diogo Schelp

O Estado de S. Paulo

A falta de pudor da rede de apoiadores da internacional trumpista pode ajudar Lula

A convenção que lançou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência pelo PL, neste sábado, escancarou a falta de rumo de sua campanha. Os discursos e as participações especiais consagraram a aposta no antipetismo e na evocação da imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas falharam em ocultar a falta de brilho pessoal daquele que deveria ser o protagonista do evento, ou seja, o candidato Flávio.

Em um discurso curto, o senador recorreu a dois temas centrais: o mito da perseguição política a Jair e o PT como culpado por todos os males da sociedade brasileira. Mas suas falas tiveram pouca repercussão, ofuscadas que foram pela participação do presidente argentino Javier Milei – que falou praticamente as mesmas coisas, mas com mais “stamina” (como diria o americano Donald Trump), e roubou as atenções.

Campanhas curtas protegem quem já tem mandato, por Lara Mesquita*

Folha de S. Paulo

Dez anos depois, campanhas mais curtas não reduziram os custos e ampliaram a desigualdade entre incumbentes e desafiantes

Mudança acentuou a desigualdade entre incumbentes, aqueles que estão exercendo mandato eletivo, e desafiantes

Neste final de semana aconteceram as primeiras convenções partidárias do ciclo eleitoral de 2026. Elas podem ser realizadas até 5 de agosto e os partidos podem registrar suas candidaturas até 15 de agosto. A campanha eleitoral oficial, com propaganda, só começa em 16 de agosto. A propaganda no rádio e na televisão, ainda mais tarde, em 28 de agosto.

O calendário ajuda a entender por que, faltando pouco mais de dois meses para a eleição, ainda se discute quem ocupará a vice na chapa de Flávio Bolsonaro e se outros partidos o apoiarão formalmente.

Para candidatos conhecidos, e especialmente postulantes a cargos majoritários, tudo vira notícia e negociação, até bate-boca em família. Para quem tenta conquistar pela primeira vez uma cadeira na Câmara, no Senado ou nas assembleias estaduais, cada semana perdida significa menos tempo para se apresentar ao eleitor.

A nova armadilha institucional, por Marcus André Melo*

Folha de S. Paulo

Quanto maior a rejeição a cada um dos polos, mais necessário o outro parece aos seus seguidores

Democracia se encontra em modo sobrevivência e competição democrática deixou de produzir renovação

Vista em perspectiva histórica, a atual eleição presidencial é singular. De um lado, o presidente da República, aos 80 anos, disputa a reeleição depois de exercer a liderança de um partido por quase meio século. Há casos de outsiders que chegaram ao poder em idade avançada (ex. Trump), mas a dependência em relação a uma única liderança é excepcional nas democracias atuais.

Do outro lado, temos o candidato-substituto de um clã familiar, escolhido porque o titular se encontra encarcerado por seu envolvimento em uma conspiração. Seu apoio deriva, em larga medida, da chancela paterna e do que chamo de voto por exclusão.

Brasil tem encontro marcado com o passado na Pequena África, por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

O mês de julho tem se mostrado um período de tomada de decisões importantes para a reparação histórica e a preservação da memória da escravização no Brasil

Cento de Interpretação e Memória Africana no Complexo do Valongo deverá promover um encontro do Brasil com um passado que precisa ser lembrado e jamais reprisado

Para além da mobilização política em torno da luta das mulheres negras contra o racismo e o sexismo, o destino tem feito do sétimo mês do ano um período de tomada de decisões importantes para a reparação histórica e a preservação da memória da escravização no Brasil.

As tarifas dos EUA contra o Brasil são um erro estratégico, por Luiz Inácio Lula da Silva*

Washington Post (26/07/2026)

Há um ano, fui surpreendido pela publicação, em uma plataforma digital, de carta do Presidente Donald Trump que impunha tarifa de 50% a produtos brasileiros. A menção, logo no primeiro parágrafo, ao ex-presidente Jair Bolsonaro — condenado no ano passado e hoje preso por tentativa de golpe de Estado no Brasil — deixava explícita a motivação política da medida.

Nos diálogos que mantive com Trump desde então ressaltei que não é necessário compartilhar as mesmas visões de mundo para buscar relação mutuamente benéfica entre nossos países. Afinal, somos líderes das duas maiores democracias e economias das Américas. Negociações entre nós e decisões da Suprema Corte dos EUA desmontaram a primeira versão do tarifaço.

Mas este mês, desconsiderando dezenas de reuniões entre nossas equipes, sólidos argumentos técnicos e documentos que entreguei pessoalmente ao próprio Trump, o governo norte-americano decidiu adotar novas tarifas contra o Brasil que vão de 12,5% a 37,5%. Como resultado, a Global Trade Alert, organização independente baseada na Suíça, estima que o Brasil e a Turquia são hoje os segundos países mais tarifados pelos Estados Unidos, depois apenas da China. E isso apesar do superávit norte-americano no comércio bilateral de bens e serviços, que ao longo de quinze anos consecutivos acumula 428 bilhões de dólares.

Poesia | Eu, Etiqueta, de Carlos Drummond de Andrade, por Paulo Autran

 

Música | Marisa Monte e Paulinho da Viola - Dança da Solidão, de Paulinho da Viola