sexta-feira, 31 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Vendaval mostrou despreparo para Super El Niño

Por O Globo

No Rio, alertas só chegaram aos cidadãos quando o vento já castigava as ruas — e imperava a confusão

A julgar pela situação caótica instalada pelo vendaval de quarta-feira em municípios do Rio de Janeiro e de São Paulo, as autoridades dos três níveis de governo não passaram no teste do Super El Niño. Segundo meteorologistas, as rajadas de mais de 100km/h estão relacionadas ao fenômeno climático de forte intensidade previsto para este ano. À população, foi mostra preocupante do que está por vir. Ao governo, serve de alerta.

Chamam a atenção as falhas nos sistemas de informação. Em São Paulo, a Defesa Civil emitiu alertas severos a partir das 13h (para cidades do litoral) e das 13h30 (para a Região Metropolitana), cerca de meia hora antes do vendaval. No Rio, o aviso só começou a chegar às 16h41, quando os ventos já varriam o estado furiosamente. E nada de alerta severo, como aquele estridente que acordou milhões de brasileiros depois de uma invasão nos sistemas de disparo semanas atrás. O alerta de quarta-feira não dava a real dimensão do problema. Milhares de cariocas foram apanhados de surpresa nas praias. Ainda que meteorologistas digam que o fenômeno é raro no inverno e é difícil prevê-lo com antecedência, é de pouca utilidade um alerta que chega quando o cidadão já está em plena ventania.

O cerco americano ao capitalismo, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

Tudo sugere que o modelo capitalista americano está em decadência. Defende-se combatendo o capitalismo no país dos outros, como o nosso, o México, o Canadá

Para entender as aberrações de conduta política do presidente americano e de seu secretário de Estado em relação a países como o nosso, é sociologicamente incorreto imputar a Lula e às esquerdas a responsabilidade pela polarização ideológica que nos sufoca e cerceia.

Responsabilizá-los ainda é parte do jogo político da polarização promovida pelo “centro”. Em várias partes, as esquerdas da era pós-stalinista jogam o jogo já feito para nele identificar e superar seus erros, suas brechas, e ocupá-las.

As esquerdas já entenderam que não são elas que fazem o jogo político contemporâneo pois já feito pelas irracionalidades, pelas ambições de riqueza e poder, pela corrupção, que delas decorre. Há muito, o mundo não está polarizado entre capitalismo e comunismo. Está determinado pelo mero crescimento econômico a qualquer preço, de lucro imediato e desmedido, sem desenvolvimento social.

As esquerdas assumiram a função política de agentes de consciência social crítica das contradições autodestrutivas do capital.

Pesquisas indicam dificuldade para Flávio no segundo turno, por César Felício

Valor Econômico

Levantamentos Genial/Quaest mostram que aglutinação dos votos de candidatos da direita contra Lula não é automática

senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não é automática, conforme deixa claro o pacote de pesquisas da Genial/Quaest nos dez principais colégios eleitorais do país. Caso chegue ao segundo turno, Flávio precisará do engajamento dos que ficaram para trás na primeira rodada. Os votos não virão por osmose.

O caso de dispersão de votos mais gritante na simulação de segundo turno em relação ao quadro do primeiro turno está em Minas Gerais. De acordo com a Genial/Quaest, 21% dos eleitores mineiros escolheram candidatos fora da polarização, sendo que 12% optaram pelo ex-governador Romeu Zema (Novo). Lula ficou com 30% e Flávio com 29%. No segundo turno, o senador do PL avança apenas seis pontos percentuais, enquanto o petista cresce oito pontos. O total de eleitores que alienam o voto, seja por indecisão, recusa em votar ou opção por voto em branco ou nulo, avança de 20% para 27%.

Procura-se milagreiro, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Campanha do PL produz crises em série desde revelação de diálogos com Vorcaro

Quando as coisas vão mal na política, sempre surge alguém para culpar a equipe de comunicação. A sina se repete na campanha de Flávio Bolsonaro, que acaba de demitir o segundo marqueteiro em dois meses.

Em maio, o PL rifou Marcello Lopes, o Marcellão. O partido explicou que desejava profissionalizar a propaganda, trocando um amigo do candidato por um publicitário renomado.

Ontem a sigla dispensou Eduardo Fischer, que fazia dobradinha com o consultor Alexandre Oltramari. A dupla foi substituída por Duda Lima, que coordenou a campanha derrotada de Jair Bolsonaro em 2022.

Uma boa e uma má notícia para Flávio, por Vera Magalhães

O Globo

Ele recebeu aceno favorável da vice dos sonhos e teve de trocar de marqueteiro pela segunda vez em poucos meses

No dia em que recebeu um aceno favorável da senadora Tereza Cristina, a vice dos sonhos para sua chapa, Flávio Bolsonaro teve de escolher o terceiro marqueteiro em poucos meses. A boa notícia ainda precisa de confirmação, e a má evidencia o caos que reina na comunicação da campanha, fruto da propensão da família a intervir nessa área mais que nas outras.

Eleitores desconfiados, por Pablo Ortellado

O Globo

Um cidadão típico não consegue entender toda a cadeia de controle das eleições

Na semana passada, Flávio Bolsonaro deu declarações expressando desconfiança no sistema eleitoral brasileiro em evento com diplomatas. Alguns dias depois, segundo reportagem do Washington Post, o governo Trump designou dois assessores do Departamento de Estado para viajar para o Brasil e produzir um relatório sobre a integridade do nosso sistema. Ao que tudo indica, o tema da confiança nas urnas eletrônicas mais uma vez se tornará central nas eleições.

A desconfiança no sistema de votação tem se tornado um problema global, não apenas no Brasil. Assistimos, porém, não ao aumento global da desconfiança, mas à organização política de uma desconfiança que sempre foi significativa. A série global mais sólida de que dispomos, da Gallup, mostra que, em democracias liberais, a desconfiança vem oscilando nos últimos 20 anos, sempre em torno de um terço da população. É uma parcela significativa, mas não tem crescido.

Falar sobre a Guerra do Paraguai é um dos pecados capitais da nossa diplomacia, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O Paraguai sofreu uma catástrofe demográfica: perdeu quase 90% da população masculina adulta, e sua população foi reduzida a menos da metade. O corpo de López foi profanado

Um dos sete volumes da coleção Plenos Pecados, da Editora Objetiva, Xadrez, Truco e Outras Guerras, do escritor José Roberto Torero, é inspirado na Guerra do Paraguai, o maior conflito armado internacional em que o Brasil esteve envolvido no continente. O livro é uma sátira macabra envolvendo personagens em conflito durante a Guerra do Paraguai. Seu pecado capital é a ira. A narrativa acompanha, de forma ficcional, a implacável perseguição ao mariscal Francisco Solano López, ditador do Paraguai, por determinação do príncipe francês Gastão de Orléans, o Conde d’Eu, comandante-chefe do Exército imperial na fase final da guerra. Casado com a princesa Isabel, herdeira do trono brasileiro, o príncipe francês era mau como o pica-pau.

¡Arriba Argentina! Por José Sarney*

Correio Braziliense

A fronteira entre Brasil e Argentina está aí para nos unir, convivendo com a mesma terra, as mesmas árvores, os mesmos problemas, as alegrias e tristezas, sem afetar a união dos povos

Vou tratar de um assunto delicado e até repetitivo, pois muitas vezes o tenho abordado, com a autoridade de quem negociou o fim das relações afastadas, e muitas vezes conflituosas, entre Brasil e Argentina.

É que agora estamos assistindo, depois de um progressivo afastamento entre nossos dois países, a uma série de despautérios do presidente da Argentina contra o presidente Lula, do Brasil, e contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fora dos limites da civilidade, como disse o presidente da Corte, Edson Fachin, com a palavra apropriada e respeitando o vocabulário neutro, domínio da linguagem oficial.

Inteligência artificial e sua ação nos trópicos, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

Quase não se investe na sociedade para que possa se adaptar e tirar proveito dos avanços

Existe um abismo entre o avanço da inteligência artificial (IA), governantes e instituições que precisam interagir com a tecnologia. Estou no fundo desse abismo. Mas resisto. Tirei férias da TV e direcionei meus estudos para o tema. Há muito que aprender com os mais avançados e com os próprios setores da tecnologia que reconhecem esse abismo e querem cooperar por entender que o impacto da IA será muito produtivo se a sociedade se preparar para ele.

Os quartos novos trunfos de Flávio, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Após a tormenta, Flávio ganha reforço para o discurso e para o palanque na campanha

Após semanas de erros e más notícias, o senador Flávio Bolsonaro finalmente tem o que comemorar: além da investigação de Lulinha por tráfico de influência e a quebra de sigilo do caso Jaques Wagner, ele pode ganhar dois importantes troféus na campanha.

Se confirmados, esses troféus vão jogar uma lufada de ânimo na sua candidatura e minar a percepção de que o presidente Lula, em vantagem em Estados decisivos, tem tudo para vencer. Bom para Flávio, péssimo para Lula.

PF tentou drible, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

A PF enviou para a presidência do STF pedido de inquérito contra Lulinha sob um novo relator

A Polícia Federal tentou dar um drible no ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e retirar da sua batuta as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.

Nas apurações do caso do INSS, cujo relator é Mendonça, os investigadores descobriram as ligações de Lulinha com Antonio Carlos Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”.

E, lá no meio, estava também uma suspeita de tráfico de influência do filho do presidente Lula a favor do canabidiol junto ao Ministério da Saúde. Antunes chegou a levar Lulinha numa viagem a Portugal sobre o tema.

Controle máximo, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Legisladores e magistrados tentam e não conseguem criar boas regras a priori para regular eleições

Risco de normas ultradetalhistas é transferir do eleitor para juízes decisão sobre quem governa

O problema da modernidade é que precisamos viver em sociedades de massa cada vez mais informatizadas com um cérebro que evoluiu para nos fazer prosperar no Pleistoceno, quando o último grito da tecnologia era o domínio sobre o fogo. O ordenamento eleitoral brasileiro padece de descompasso semelhante.

Não é preciso mais do que uma passada de olhos sobre a Lei Eleitoral, a 9.504/97, para perceber que ela foi concebida para um tempo que já não existe. Está preocupada em regular o layout dos santinhos e o tamanho máximo de cartazes, quando a realidade das campanhas é marcada por IA, deepfakes e impulsionamentos. É verdade que temos uma coleção de resoluções do TSE que buscam dar atualidade ao arcabouço regulatório, mas não as classificaria como particularmente felizes.

Questões externas escondem vazio do debate eleitoral interno, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Um espaço inédito vem sendo ocupado por questões que ultrapassam as fronteiras nacionais

O problema é quando isso toma o lugar da abordagem séria sobre os planos dos candidatos para o Brasil

política externa, as relações do Brasil com outros países, não é assunto que faça sucesso com o público interno. Se o noticiário internacional dos meios de comunicação é restrito a acontecimentos pontuais, nas campanhas eleitorais o tema nunca fez parte do cardápio. Até agora.

Um espaço inédito vem sendo ocupado por questões que ultrapassam as fronteiras nacionais. Há os embates com os Estados Unidos e a Argentina, a ideia de importação dos métodos de combate ao crime de El Salvador e o reflexo, na eleição brasileira, do avanço da direita extrema na América Latina.

O Brasil picou? Por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Em inglês, 'to peak', picar, é chegar ao pico, ao máximo; e se o Brasil já tiver picado?

Ou se, com os bolsonaros, vorcaros, malafaias e neymares, o Brasil estiver picando hoje?

Os americanos, que vivem em competição doentia com os outros e entre eles próprios, têm uma expressão: "to peak". Significa atingir o pico, o ponto mais alto, o máximo de alguma coisa. Só que eles a usam como verbo: picar. Fulano picou na profissão, a música tal picou em décimo lugar nas paradas, a temperatura ontem picou em 35ºC. No Brasil, não falamos assim, mas poderíamos —e deveríamos. Para um país que há séculos se diz do futuro, o que fazer se, ao contrário do que queremos acreditar, o Brasil já tiver picado?

Luiz Werneck Vianna e a crise econômica de 2014-2016, por Cláudio de Oliveira*

Neste século 21, fui leitor assíduo de textos e entrevistas do sociólogo Luiz Werneck Vianna, publicados pela imprensa brasileira.

Confesso que não sou grande conhecedor de sua obra acadêmica. Tenho na estante dois de seus livros, entre eles o clássico “Liberalismo e sindicato no Brasil”.

Pedi à IA que resumisse as análises de LWV sobre a crise econômica de 2014–2016, quando o Brasil entrou em recessão com queda de 8,6% do PIB e 14 milhões de desempregados.

Depois solicitei que me resumisse a visão dele do que considerava esgotamento do modelo nacional-desenvolvimentista na época da globalização e a alternativa que propunha. Eis os resumos:

Crise política e econômica a partir de junho de 2013

"Luiz Werneck Vianna interpretou a crise de 2014-2016 menos como uma simples recessão econômica e mais como uma crise de esgotamento de um modelo político de desenvolvimento. Em sua análise, os problemas econômicos estavam profundamente entrelaçados com a crise institucional e de representação que culminou no impeachment de Dilma Rousseff.

Os principais pontos de sua interpretação podem ser resumidos da seguinte forma:

Poesia | Esperança, de Mário Quintana

 

Música | Luiza Lara - Valsa Brasileira (Edu Lobo/Chico Buarque)