O Estado de S. Paulo
Maior escravizador das Américas, Estados Unidos querem punir o Brasil
No seu afã protecionista, o presidente Donald
Trump decidiu remontar seu arsenal tarifário, mas se esqueceu de olhar para o
próprio umbigo.
Partiu de uma premissa louvável: punir países
que produzem ou importam mercadorias que utilizam trabalho escravo.
Porém, produziu um absurdo: taxou em cerca de 12,5% mais de 80 países, incluindo Noruega, Suíça e todos os europeus. Lá no meio da lista está o Brasil.
Segundo a ONG Walk Free, baseada na
Austrália, os EUA, até pelo tamanho de sua população e economia, são o maior
escravizador das Américas.
Em 2023, 1,091 milhão de pessoas viviam no
país em condições análogas à escravidão, número superior ao 1,053 milhão do
Brasil e aos cerca de 800 mil do México.
Conforme a ONG, a situação americana é
resultado de trabalho forçado nas prisões do país, mas também de serviço
doméstico não remunerado de imigrantes ilegais, de exploração de imigrantes em
fazendas, exploração de mulheres na prostituição, casamento forçado de
crianças, entre outros.
Os americanos também importam um volume
imenso de produtos feitos com trabalho escravo: US$ 169,6 bilhões, conforme a
Walk Free. E, junto com os chineses, se recusam a assinar tratados
internacionais que combatam essa prática.
Além disso, os trabalhadores americanos
ganham mais que os brasileiros por hora, mas, quanto mais informais, menos
protegidos. Lá não existe a licença-maternidade ou o SUS. Se alguém se
acidenta, vai depender de convênio de saúde privado.
O enfraquecimento da Organização Mundial de
Comércio (OMC) tornou mais difícil combater esse tipo de medida arbitrária
vinda dos EUA ou de qualquer país do mundo.
Não dá mais para abrir um painel e combater
via multilateralismo. Qualquer revés tem de vir de dentro dos EUA por
reclamação na própria Justiça americana.
O primeiro tarifaço de Trump, que impôs 10%
de sobretaxa para vários países do mundo, estava baseado na chamada Lei de
Emergência Econômica.
A alegação era de que os Estados Unidos
sofriam com o déficit provocado pelo comércio internacional. Foi derrubado pela
Suprema Corte americana, que considerou que Trump usurpava de seus poderes.
Agora será mais difícil, porque o instrumento
utilizado, apesar de absurdo, é menos frágil juridicamente, dizem os
especialistas.

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