quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A ascensão se consolida: O Estado de S. Paulo - Editorial

Nestas cinco semanas e quatro dias até as eleições, a menos que Marina Silva dê um tiro no pé daqueles irremediáveis ou se descubra a seu respeito um segredo que arruíne a sua imagem pública, a candidata tenderá a assegurar presença no segundo turno que provavelmente decidirá a eleição presidencial. Não é de excluir que a ex-senadora filiada ao PSB apareça nas pesquisas finais em situação até melhor do que lhe deu a do Ibope/Estado/TV Globo publicada ontem, na qual perde para Dilma por apenas 5 pontos (34% a 29%) e supera pelo dobro disso o tucano Aécio Neves (com 19%).

Anteontem ela enfrentou o primeiro teste aos olhos do eleitorado - o debate na TV Band. Não que ela tenha saído do confronto coberta de glórias - o que tampouco foi o caso dos demais -, porém mostrou firmeza no ataque e agilidade na defesa. Logo no início, invocou deliberadamente as manifestações de junho do ano passado para cobrar da presidente o fracasso dos pactos que havia prometido para aplacar o clamor por mudanças. Ao ouvir da adversária que "nós acreditamos que tudo deu certo", denunciou que o "Brasil cinematográfico" da propaganda oficial é uma ficção. Depois, criticada por Aécio pelo fato de se recusar a subir ao palanque de Geraldo Alckmin em São Paulo, apoiado pelo PSB, enquanto cita o também tucano José Serra como um nome a quem poderia recorrer se eleita, retrucou, no papel de candidata da mudança: "A polarização PT-PSDB já deu o que tinha que dar".

Hoje decerto se discutirá como ela se saiu na prova de fogo da entrevista aos severos apresentadores do Jornal Nacional, da qual Aécio, o então candidato Eduardo Campos e, notadamente, Dilma saíram chamuscados. Se não tiver dado vexame, tudo indica que o resto virá por gravidade.

Os números do Ibope e o desempenho de Marina no debate inaugural sugerem, de um lado, que a sua ascensão está longe de ser fruto exclusivo do impacto emocional provocado pelo desaparecimento do titular de sua chapa - fadado a se dissipar com o correr do tempo -; de outro, desmentem que ela carece de musculatura para brigar com Dilma e Aécio ao mesmo tempo. Seu patrimônio eleitoral, na realidade, era já robusto há cinco meses, quando o Datafolha simulou uma disputa com Marina no lugar de Eduardo. Dilma teve 39% das intenções de voto; Aécio, 16%; e Marina, 27%. Ou seja, 6 pontos a mais do que viria a receber na sondagem do mesmo instituto logo após a morte do governador.

Agora, os números do Ibope, coerentes com os levantamentos privados dos dias anteriores, respaldam a avaliação de que aquele resultado estava aquém do potencial da candidata. Este se mede não apenas pelos apoios obtidos, mas também pelos seus índices de rejeição. Em abril, para ter ideia, 21% dos entrevistados disseram que não votariam nela "de jeito nenhum" (ante os 33% de Aécio e de Dilma). Agora, os marinafóbicos são apenas 10% (ante 18% e 36%, respectivamente). O crescimento da ex-ministra parece espelhar a redução, da ordem de 10 pontos, do contingente de indecisos ou propensos a invalidar o voto. Mais: em abril, os dados diziam que só Marina tinha cacife para levar a eleição para o segundo turno. Agora, antes mesmo da oficialização de sua candidatura, ficou claro que a rodada final era inevitável.

Pondo de ponta-cabeça o cenário tido como consolidado de um desfecho entre Dilma e Aécio, eis que Marina prevalece. No Datafolha, com 4 pontos sobre a presidente (no limite da margem de erro); no Ibope, com nada menos que 9.

Seria leviandade sugerir, quando não sustentar, que a eleição acabou. É inegável que a situação ficou muito difícil para Aécio. Era quem mais tinha a perder com o movimento migratório pró-Marina. Dilma, afinal, tem razoável capital eleitoral e grandes recursos de poder. O que não se vislumbra - à parte o imprevisível - é o que poderia levar Marina a perder parte dos apoios que tomou de todos e dos que a todos se opunham, a ponto de repor a disputa nos trilhos dos quais não se imaginava, antes da tragédia do Boqueirão, que pudesse se desviar. Já o segundo turno, como se diz, "é uma outra eleição".

O primeiro debate da nova eleição: O Globo - Editorial

• Dilma e Aécio não atacaram Marina na proporção do perigo que a candidata do PSB representa para eles. Mas isso deve mudar na propaganda eleitoral e internet

Sempre informados, por serviços especiais de monitoramento, do humor dos eleitores, os principais candidatos à Presidência da República certamente já tinham conhecimento de que participariam do primeiro debate da campanha, na TV Bandeirantes, na noite de terça, em meio à repercussão do elástico salto de Marina Silva em pesquisa do Ibope.

Ele foi de 20 pontos, além dos nove que acumulou Eduardo Campos, de quem era vice e herdou a cabeça de chapa do PSB. Com isso, Marina ultrapassou Aécio Neves (PSDB) — este com uma queda de 23% para 19% — e se aproximou de Dilma, também atingida pela ventania que varreu as eleições com a morte do ex-governador de Pernambuco em desastre aéreo — uma retração de 38% para 34%. Foi além e, na simulação de segundo turno, venceu a presidente candidata à reeleição por 45% a 36%.

Como se previa, os dois candidatos que podem repetir o velho embate entre tucanos e petistas na briga foram os mais atingidos. Mas nem todos apostavam num impacto tão grande. Por tudo isso, chamou a atenção como Dilma e Aécio não atacaram Marina na proporção do perigo que a candidata do PSB representa para os dois. É como se, na essência, mantivessem a estratégia usada quando Eduardo Campos ainda era candidato.

Marina Silva procura compensar o fato de não ter partido próprio — é hóspede do PSB —, nem qualquer maior aliança sob ela, com o discurso do novo, de ser a alternativa ao duelo dos últimos 20 anos entre petistas e tucanos. Assim, se sintoniza com os 70% que desejam mudanças.

Já Dilma se assenta no fato de acumular quatro anos de experiência no Planalto, mas, em compensação, pouco tem a mostrar no front da economia. Pior, seu balanço é negativo (inflação, crescimento baixo). Precisa se valer dos tempos de Lula. Mesmo nos empregos, trunfo até agora da campanha petista, Dilma torce para que não haja tempo, até outubro, de a tendência de cortes de postos de trabalho subir aos palanques. Outra dificuldade de Dilma é ser omissa no que pensa sobre o futuro da economia. Explica-se: para prometer mudanças de forma clara, ela teria de fazer autocrítica, um tiro no pé.

Aécio Neves avançou, nesse campo, ao confirmar formalmente Armínio Fraga como seu ministro da Fazenda. Basta, agora, consultar as incontáveis entrevistas de Armínio, recentes ou não, para saber o que ele pensa. E recuperar sua atuação no Banco Central, em 1999, quando ajudou FH a estabilizar a economia, na saída atabalhoada da política de câmbio semifixo.

Mas apenas recorrer aos seus governos em Minas não deverá ser suficiente para recuperar espaços perdidos diante do crescimento de Marina.

Já a candidata do PSB em algum momento terá de baixar à vida real, com propostas claras. Foi um bom lance se comprometer com a volta à estabilidade econômica. Ainda é pouco, pois deverá ser alvo prioritário de PT e PSDB na propaganda eleitoral e na internet. Começou a nova eleição.

Terceira via de Marina embaralha adversários: Valor Econômico - Editorial

Uma outra campanha eleitoral começou quando Marina Silva assumiu a candidatura pelo PSB. A pesquisa de intenção de votos do Ibope divulgada anteontem mostrou que o terreno continua movediço para seus principais rivais, a presidente Dilma Rousseff e o tucano Aécio Neves, mas parece ainda plano para a arrancada da ex-ministra do Meio Ambiente. Em primeiro turno, ela abriu vantagem de 10 pontos percentuais sobre Aécio (29% a 19%) e chegou a 5 pontos de Dilma, que caiu para 34%. Marina colheu votos nos dois terrenos adversários e, mais importante, os números indicam que ela atraiu votos da "oposição de junho", que tanto Eduardo Campos quanto Aécio não foram capazes de cativar.

No primeiro debate entre os candidatos, feito pela TV Bandeirantes, Marina, em sua primeira pergunta, feita à presidente Dilma, cobrou exatamente o que tinha sido realizado para atender as reivindicações das ruas em 2013. Com a bandeira da renovação na política em primeiro plano, que tem tudo para empolgar vastas camadas do eleitorado, a candidata do PSB projeta-se com força como principal figura de oposição à Dilma com chances reais de capturar o poder - teria 45% de votos no segundo turno, ante 36% da presidente, segundo o Ibope.

Nada, porém, está assegurado e o debate entre os candidatos mostrou-se surpreendentemente equilibrado para garantir a ascensão ou queda entre os três principais concorrentes. Dilma, Marina e Aécio colocaram suas cartas na mesa, o que contribui muito para um debate esclarecedor. O PSDB deixou de "esconder" o legado de Fernando Henrique Cardoso, que Aécio colocou em honroso lugar. Marina Silva reverenciou a estabilização econômica conseguida por Fernando Henrique e a bem sucedida inclusão social promovida pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Alvo principal dos ataques de todos os candidatos, a presidente Dilma Rousseff mostrou segurança, comedimento e capacidade de comunicação que frequentemente lhe fazem falta em eventos públicos. Não houve vencedores nem perdedores entre eles.

Com o segundo turno tornando-se uma fatalidade, PT e PSDB têm de se deparar com a indigesta questão de se, a apenas 40 dias da eleição, há tempo hábil para que a "onda" Marina perca força e a candidata seja "desconstruída". Os tucanos avaliam que uma das forças propulsoras do bom desempenho de Marina nas pesquisas é a comoção com a morte de Eduardo Campos, que é necessariamente passageira. Outros analistas acreditam que Marina perderá pelo caminho parte de sua atração, por motivos simetricamente opostos. Isto é, seja por não ter um partido forte e coeso à altura das propostas de renovação política que faz, seja porque já começou a buscar compromissos exatamente para suprir essa lacuna e disputar o poder.

Não ter partido enraizado e forte é, porém, um problema para governar, não para se eleger. No primeiro pleito da volta da democracia brasileira, Fernando Collor e seu desconhecido PRN foram vitoriosos - há similitude de condições, não, claramente, de proposições.

As propostas principais de Marina confluem para mudar o cenário político, enquanto que, no campo da economia, aproxima-se dos tucanos no discurso. Ela não é um alvo fácil. Ocupa uma posição algo cômoda de apontar aos eleitores que, entre tucanos e petistas, ficará com o melhor dos dois - uma concepção importante, mas que pode parecer irreal. Isso lhe dá facilidade para criticar ambos e se preservar de ataques. De seu lado, tem a temer as próprias contradições. Não é a menor delas a distância que existe entre sua ideia matriz de acabar com o "toma lá dá cá" da política brasileira sem uma base razoável de parlamentares no Congresso.

Esse lado "sonhático" é sua força e sua fraqueza. É uma louvável candidatura de boas ideias, que precisarão, no entanto, se encarnar em homens e quadros em qualidade e quantidade que ainda não se veem. Como administradora, Marina é um enigma que pode afugentar eleitores que não querem mudanças a qualquer preço e não se dispõem a pagar o preço do noviciado, que costuma ser alto.

Aécio Neves terá agora de se mexer para chegar ao segundo turno. O tucano estava em situação confortável quando Eduardo Campos precisava dele se diferenciar no campo da oposição. Com propostas econômicas similares no essencial às de Marina, agora é ele que necessita demarcar claramente sua identidade.

Acima da média: Folha de S. Paulo - Editorial

• Ainda que pobre de propostas, primeiro debate entre candidatos a presidente representou avanço em relação às rotinas do gênero

O longo debate realizado anteontem pela TV Bandeirantes, avançando pela madrugada da quarta-feira, fugiu em parte da decepcionante rotina que se conhece em eventos dessa natureza.

Vinha sendo comum que tudo se transformasse num campeonato de memória, com cada candidato empilhando sequências de números e baterias de realizações, além das rajadas de promessas, destinadas antes a desnortear do que a esclarecer o telespectador.

Desse ponto de vista, o primeiro encontro presidencial deste ano mostrou-se mais "ideológico", no sentido positivo do termo. Foi possível vislumbrar como cada postulante se situa no espectro político --e mais precisamente em relação aos seus adversários.

Coube aos chamados nanicos o papel mais incisivo e, ao menos dessa vez, o comportamento folclórico habitualmente associado a candidaturas desse tipo não se fez notar com grande ênfase.

Eduardo Jorge (PV) propôs dois temas que os principais concorrentes gostariam de ver engavetados: a liberação do aborto e a descriminalização das drogas.

Numa associação curiosa, Levy Fidelix (PRTB) e Luciana Genro (PSOL) enunciaram o problema dos custos da dívida pública --algo de que os candidatos competitivos tampouco se empenham em lembrar. Quanto à reforma tributária, apenas o Pastor Everaldo (PSC) se dispôs a fazer proposta concreta.

Alvo natural dos ataques dos demais, Dilma Rousseff (PT) manteve-se na defensiva, mencionando a conjuntura internacional desfavorável que cercou seu governo, voltando a antigas críticas à gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e falhando na hora de apresentar perspectivas para os próximos quatro anos.

Aécio Neves (PSDB) assumiu com segurança, embora de forma um tanto contida, o lugar que lhe tocava na oposição à administração da petista; foi duro ao ressaltar recentes escândalos da Petrobras e citou alguns de seus feitos à frente de Minas Gerais, sem que o tenham contestado ou dedicado maior atenção.

Transitando com habilidade entre PSDB e PT, Marina Silva (PSB) elogiou a ambos; disse confiar que um eventual governo de seu atual partido poderia atrair os melhores nomes das outras agremiações. Com isso, tenta relativizar observações sobre a provável ausência de base parlamentar com que se defrontaria caso eleita.

Foi a vez de Aécio apontar o quanto pode haver de irrealista no discurso de Marina, insistindo na tese de que PT e PSDB refletem visões inconciliáveis de governo.
Seria impossível que um só debate resolvesse essa questão. Se a política brasileira se expressa num esquema bipolar ou múltiplo, isso o próprio jogo eleitoral dirá.

Programas de governo representam interesses, perspectivas, perdas e ganhos relativos para setores distintos --mas isso a maioria dos candidatos, em que pese o bom nível do debate de anteontem, prefere não admitir em público.

Demétrio Magnoli: A sociedade, segundo Marina

• Sua vida política organizou-se ao redor de relações com coleção de ONGs. Seu partido chama-se Rede para marcar uma distância com o sistema político-partidário

- O Globo

No registro do lugar-comum, Dilma Rousseff é associada com qualificativos como rude, ríspida, mandona e autoritária. No mesmo registro, atribui-se a Marina Silva qualidades opostas: suavidade, doçura, flexibilidade, reflexão. A gerente tecnocrática, de um lado; a filósofa da “nova política”, do outro. O lugar-comum é a notação do mundo das aparências. Os primeiros passos de Marina como candidata presidencial oferecem indícios de que o contraste é uma má caricatura — e, ainda, de uma similitude fundamental entre as duas candidaturas.

Marina rejeitou participar das campanhas de Lindbergh Farias (PT-RJ), Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e Beto Richa (PSDB-PR), apoiados pelo PSB, sob o curioso argumento de que sua ausência desses palanques fora previamente acordada com Eduardo Campos. O gesto equivale a selecionar exclusivamente os produtos que lhe interessam: da prateleira do presente, ela fica com a posição de candidata presidencial; da prateleira do passado, com um acordo aplicável apenas a uma postulante à vice-presidência. Das fagulhas da manobra oportunista acendeu-se uma fogueira no PSB. Mas a luz desse fogo ilumina algo mais relevante: a crença de Marina de que uma pureza singular proporciona-lhe liberdades políticas excepcionais.

Na réplica à pergunta de um jornalista encontram-se pistas na mesma direção. Indagada sobre sua permanência no PSB caso triunfe na corrida ao Planalto, Marina saiu-se com uma não resposta, articulada na forma de um longo desvio em torno das balizas da “nova política”. Ao sonegar a informação, a candidata circunda uma dúvida legítima de todos os eleitores: afinal, o voto nela tem o potencial de sagrar uma presidente do PSB ou da Rede? Contudo, para além da constatação de que Marina refugia-se em ambiguidades dignas da “velha política”, a não resposta contém um elemento mais esclarecedor.

À pergunta, a candidata replicou, hieraticamente: “Nós não devemos tratar o presidente como propriedade de um partido. A sociedade está dizendo que quer se apropriar da política. E as lideranças políticas precisam entender que o Estado não é o partido, e o Estado não é o governo.” Em tudo isso, há um sopro de justa aversão à putrefata elite política brasileira — e uma crítica pertinente à indistinção lulopetista entre Estado, governo e partido. Entretanto, o núcleo do raciocínio situa-se na palavra “sociedade”, traduzida de modos diversos pelas diferentes correntes de pensamento político. O que é a “sociedade”, segundo Marina?

Segundo Margaret Thatcher, “essa coisa de sociedade não existe”. De acordo com o polo ultraliberal, existem apenas indivíduos que realizam intercâmbios no mercado. No extremo oposto, encontra-se o polo neocorporativista, que define a sociedade como um conjunto de “coletivos” legitimados por um selo estatal. O lulopetismo coagulou essa concepção pelo Decreto 8.243, que institui a “democracia participativa” e normatiza os “conselhos de políticas públicas”. No fundo, o governo está dizendo que a sociedade é uma extensão do Estado, o ente responsável pela seleção dos “movimentos sociais” convidados a se sentar à volta das mesas de negociação.

Mas, e Marina? Dois meses atrás, a então candidata a vice defendeu a substância do Decreto 8.243, que ressurge numa versão preliminar de seu programa de governo. A vida política de Marina organizou-se ao redor de suas relações com uma coleção de ONGs. Seu partido chama-se Rede para marcar uma distância com o sistema político-partidário. Teia de movimentos, de ONGs — eis o sentido do nome cunhado pelos “marineiros”. Na sentença “a sociedade quer se apropriar da política”, não é abusivo ler que o Estado deve estabelecer uma relação preferencial com as ONGs “marineiras”.

À primeira vista, a Marina “doce”, “flexível” e “reflexiva” concorda com um princípio caro ao lulopetismo — ou seja, à “ríspida”, “mandona” e “autoritária” Dilma. Tanto uma quanto a outra, ao que parece, imaginam-se portadoras da prerrogativa de falar pela “sociedade”. A diferença residiria no detalhe: os “movimentos sociais” do lulopetismo não são os mesmos que os do “marinismo”. Nessa linha de raciocínio, não é casual que Marina sinta-se à vontade para ignorar as alianças do partido cuja sigla ostenta diante dos eleitores e para desdenhar da indagação sobre sua filiação partidária na eventualidade da vitória.

Todo o poder às ONGs! — é isso a “nova política” cantada no verso difícil de Marina? O lulopetismo degradou as instituições da democracia representativa, especialmente o Congresso, em nome de uma “democracia participativa” que funciona como metáfora de seu próprio poder. Nessa moldura, o projeto de uma “nova política” vertebrada pelos movimentos “marineiros” significaria mais continuidade que ruptura — e o “novo” seria tão somente um disfarce eleitoral do “velho”.

É cedo demais, porém, para formular diagnósticos definitivos. Marina é uma obra aberta, no sentido positivo da expressão. A evolução do pensamento “marineiro” expressou-se, em 2010, por uma narrativa avessa ao sectarismo, capaz de tecer elogios paralelos à estabilização econômica de FHC e às políticas contra a miséria de Lula. Hoje, na candidata comprometida com a restauração da credibilidade do tripé de política macroeconômica, há poucos traços da senadora petista que votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal. Um sintoma da abertura à mudança apareceu em suas últimas declarações, segundo as quais “aprofundar a democracia significa a valorização das instituições”, e no alerta de que a versão preliminar do programa não passou pelo seu crivo.

A candidatura de Marina surfa na onda imensa de indignação popular contra a “velha política” — ou seja, a ordem de coisas que estimula o consumo privado sem produzir bens públicos. Nem por isso ela deve ser autorizada a utilizar o refrão da “nova política” como instrumento de prestidigitação.

Demétrio Magnoli é sociólogo

Luiz Carlos Azedo: O fim do túnel

• Na medida em que se revelou forte candidata à Presidência, Marina passou a ser um alvo fixo para os adversários, que apontam os seus pontos fracos

- Correio Braziliense

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, aproveitou o debate da TV Bandeirantes para acenar aos agentes econômicos com uma luz no fim do túnel em relação ao cenário de estagflação da economia: o anúncio do nome de Armínio Fraga para o Ministério da Fazenda.

O tucano tenta uma manobra de flanco com dois objetivos: primeiro, pôr em xeque a presidente Dilma Rousseff (PT), que se recusa a fazer uma autocrítica em relação à política econômica, cujo fracasso é apontado, pelos agentes econômicos, como de responsabilidade dela; segundo, obrigar a candidata do PSB, Marina Silva, a ir além da proposta de adoção do famoso tripé de estabilização da economia (superavit fiscal, câmbio flutuante e centro da meta de inflação).

“Quando eu anuncio que, se vencer as eleições, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga será o meu ministro da Fazenda, estou sinalizando de forma muito clara que temos quadros qualificados e que a nossa proposta não é improvisada. Ela é consistente e é a partir da boa condução da economia que nós, brasileiros, vamos ver o Brasil voltar a crescer de forma sustentável e gerando mais bem-estar para todos”, diz Aécio.

Transparência fiscal, previsibilidade e respeito aos contratos, na avaliação dos tucanos, são temas que unificam o mundo da produção nas críticas ao governo Dilma. Mas Aécio também dispara contra Marina: “O Brasil não é para amadores. A complexidade dos problemas que nós temos pela frente demanda experiência e quadros”.

“Desconstrução”
A entrada da ex-senadora acriana na disputa mudou radicalmente o cenário eleitoral. Na medida em que se revelou forte candidata à Presidência, Marina passou a ser um alvo fixo para os adversários, que apontam os seus pontos fracos. Apoiada por uma coligação de pequenos partidos, Marina é acusada de inexperiência administrativa.

A candidata do PSB desbancou a presidente Dilma Rousseff como franca favorita na disputa presidencial, mas seu projeto de poder ainda é ambíguo e frágil, quando nada porque está sendo elaborado em pleno voo. Os adversários a acusam de querer governar o país com um time de “sonháticos”.

São notórias as contradições de Marina e sua Rede com os demais integrantes da coligação que a apoia, inclusive o PSB, que se considera um mero “partido hospedeiro”. A presidente Dilma Rousseff e o tucano Aécio Neves tentam desconstruir a imagem de Marina a partir daí.

Os adversários ainda não sabem muito bem como farão isso, pois foram surpreendidos por uma candidata que surgiu de última hora devido a uma fatalidade. Até a morte trágica do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, a disputa eleitoral estava polarizada entre petistas e tucanos. O fenômeno se repete há cinco eleições, desde 1994.

Ao contrário de Dilma e de Aécio, que se digladiavam diariamente há mais de um ano, a candidata do PSB combatia à sombra, como mera coadjuvante na disputa presidencial, sem a imprensa em seu encalço, desde quando o registro da Rede foi negado. Agora, tudo mudou: terá a vida virada pelo avesso, com o passado vasculhado pelos adversários e os velhos desafetos regionais protagonizando ataques à retaguarda.

O debate
Um amigo fez uma pesquisa no local de trabalho com 10 colegas sobre o debate entre os candidatos a presidente da República: nenhum deles o havia assistido. Tem sentido: a Band registrou cinco pontos, o que daria meio colega de firma. No mesmo horário, a Globo registrou 13 pontos; o SBT, seis; e a Record, cinco.

Entre os formadores de opinião, porém, o evento foi um sucesso total. Varou a madrugada a polêmica sobre a atuação dos candidatos no Twitter (121 mil tuitadas) e no Facebook (5,1 milhões de curtidas, comentários e postagens). Petistas, tucanos e marineiros foram à luta nas redes, cada qual com uma avaliação mais favorável ao desempenho de seus candidatos. Entraram também em campo as equipes que operam a campanha na internet, profissionalmente, com ampla vantagem para o esquema petista. Dilma ganhou de goleada.

Maria Rita Caminho das Águas

Murilo Mendes: As lavadeiras

As lavadeiras no tanque noturno
Não responderam ao canto da sibila.

“Lavamos os mortos,
Lavamos o tabuleiro das idéias antigas
E os balaústres para repouso do mar...
Nele encontramos restos de galeras,
Quem nos desviará do nosso canto obscuro?
Nele descobrimos o augusto pudor do vento,
O balanço do corpo do pirata com argolas,
Nele promovemos a sede do povo
E excitamos a nossa própria sede...”

As lavadeiras no tanque branco
Lavam o espectro da guerra.
Os braços das lavadeiras
No abismo noturno
Vão e vêm.

In: Poesia liberdade. Rio de Janeiro, Agir, 1947.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Opinião do dia: Aécio Neves

Quem fala olhando para trás tem receio de enfrentar o presente e não tem propostas para o futuro.

Aécio Neves, senador (PSDB-MG) e candidato a presidente da República, no debate na TV Bandeirante, São Paulo, 26 de agosto de 2014.

Marina abre 10 pontos sobre Aécio e venceria Dilma no 2º turno

• Pesquisa Ibope contratada pelo 'Estado' e pela Rede Globo mostra candidata do PSB 9 pontos à frente da presidente em disputa direta

José Roberto de Toledo e Daniel Bramatti - O Estado de S. Paulo

Como substituta de Eduardo Campos na candidatura a presidente pelo PSB, Marina Silva chegou a 29%, segundo nova pesquisa Ibope encomendada peloEstado e pela Rede Globo. A ex-ministra se isolou na segunda colocação e ficou a cinco pontos porcentuais atrás da presidente Dilma Rousseff (PT), que ainda lidera sozinha, com 34%. Aécio Neves (PSDB) está com 19%, em terceiro lugar. Em um segundo turno, se a eleição fosse hoje, Marina seria a vencedora.

A margem de erro máxima da pesquisa é de 2 pontos porcentuais, para mais ou para menos. Não há empate técnico no primeiro turno, porque Marina poderia ter no máximo 31% e Dilma, no mínimo 32%. Nem Aécio poderia estar em segundo lugar, porque chegaria no limite da margem a 21%, enquanto Marina teria ao menos 27%.

O Pastor Everaldo (PSC) marcou 1% das intenções de voto estimuladas, o mesmo porcentual de Luciana Genro (PSOL). Os outros candidatos não chegaram individualmente a 1%, mas juntos somam 1%. Há ainda 7% de eleitores que pretendem anular ou votar em branco, e outros 8% que estão indecisos. A soma dos adversários de Dilma dá 51%, 17 pontos a mais do que os 34% da presidente.

Segundo turno. Na simulação de segundo turno, Marina seria eleita com 45%, contra 36% da petista. Há, porém, ainda 11% de indecisos e outros 9% que anulariam. Contra Aécio, Dilma ainda seria reeleita: 41% a 35%. Nesse cenário, há mais indecisos e eleitores que anulariam: 12% em cada grupo.
Embora o cenário de primeiro turno testado pelo Ibope seja diferente do da pesquisa anterior - pois aquela ainda media as intenções de voto em Eduardo Campos (PSB) -, percebe-se que Marina, ao entrar na disputa, tirou eleitores de tudo e de todos: Dilma e Aécio perderam 4 pontos cada um; os nanicos perderam 3 pontos; a taxa dos que anulariam ou votariam em branco está 6 pontos menor; e há 3 pontos a menos de indecisos.

Na pesquisa espontânea - pergunta-se a intenção de voto do eleitor sem mostrar para ele a cartela circular com os nomes dos candidatos -, Dilma segue na liderança, com 27%. Marina chega a 18%, e Aécio tem 12%. O número de eleitores indecisos na espontânea despencou de 43% para 28%, em relação à pesquisa anterior do Ibope, de 6 de agosto.

Dos três primeiros colocados, Marina tem a menor rejeição. Apenas 10% dizem que não votariam nela de jeito nenhum, contra 36% que não votariam em Dilma, e 18% que rejeitam Aécio. Destacam-se ainda a rejeição ao Pastor Everaldo (14%) e a Zé Maria (PSTU), que tem 11%. Os demais candidatos têm menos de 10% de rejeição.

Avaliação. A avaliação do governo Dilma segue estável. Os que acham a gestão petista ótima ou boa oscilaram dois pontos para cima, de 32% para 34%. Já os que consideram o governo ruim ou péssimo passaram de 31% para 29%. A taxa de regular foi de 35% para 36%. E outros 2% não souberam responder.

O Ibope fez 2.506 entrevistas, entre os dias 23 e 25 de agosto, em 175 municípios de todas as regiões do Brasil. A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, em um intervalo de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR428/2014.

José Roberto de Toledo: Marina vira favorita

- O Estado de S. Paulo

Marina Silva superou Aécio Neves e venceria Dilma Rousseff na simulação de segundo turno porque personificou o desejo de mudança. Pela primeira vez nesta campanha eleitoral, um nome da oposição assumiu claramente a preferência entre os 71% de eleitores que querem mudar tudo ou quase tudo no governo. Desde junho de 2013, essa é a principal força da eleição presidencial, mas não estava concentrada em ninguém.

Hoje, se dependesse só dos mudancistas, Marina estaria em primeiro lugar na corrida presidencial, com 34% – bem à frente de Dilma (24%) e de Aécio (22%). Isso é inédito. Enquanto Eduardo Campos era o candidato a presidente do PSB, os mudancistas se dispersavam entre Dilma (27%), Aécio (28%), Eduardo (10%), e entre brancos, nulos e indecisos (28%).

Dilma só se mantém em primeiro lugar no geral por causa dos 26% de eleitores que querem pouca ou nenhuma mudança. A presidente tem dois em cada três votos desse eleitorado.

O problema aumenta para Dilma quando a disputa fica no mano a mano do segundo turno. Nessa simulação, Marina conquista 56% dos mudancistas, e a presidente não ganha quase nenhum eleitor a mais nesse grupo do que já conseguira no primeiro turno: fica com 25% dos mudancistas. Entre os continuístas as proporções se invertem: Dilma fica com 66%, e Marina, com 26%. Como há quase 3 vezes mais mudancistas do que continuístas, Marina é favorita para vencer um segundo turno contra Dilma.

Se o “drive” da eleição não mudar, é até esperado que Marina cresça mais nas próximas pesquisas – à medida que mais eleitores mudancistas se identifiquem com ela. E isso tem mais chances de acontecer com Marina do que com Aécio porque ela tem maior potencial de voto e menor rejeição que o tucano.

Apesar dos números muito favoráveis à candidata do PSB, é preciptação achar que a eleição acabou. Como a tragédia de Eduardo Campos provou, tudo pode mudar num instante.

Dilma evita Marina em debate e Aécio tenta ligar ex-ministra ao PT

• Em 1º debate de TV da disputa ao Planalto, candidata do PSB explora imagem de ‘terceira via’ fazendo elogios a FHC e Lula

Ricardo Galhardo, Isadora Peron, Pedro Venceslau, Vera Rosa, João Domingos, Débora Bergamasco e Roldão Arruda - O Estado de S. Paulo

Sob o impacto da pesquisa Ibope que mostrou Marina Silva (PSB) isolada na segunda colocação da corrida presidencial, o primeiro debate entre os candidatos à Presidência, realizado nesta terça-feira pela TV Band, foi marcado por confrontos estratégicos e calculados entre os principais adversários na disputa. Enquanto a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, mirou na polarização com o nome do PSDB, o tucano Aécio Neves partiu preferencialmente para um embate direto com a sucessora de Eduardo Campos.

Marina reforçou a tática de tentar se colocar como a terceira via propositiva, apontando o que classifica como equívocos da briga entre PT e PSDB e insistindo em temas que lhe credenciem como a “nova política”.

Não por acaso, a ex-ministra do Meio Ambiente abriu o bloco de perguntas dos candidatos questionando a presidente - que lidera as intenções de voto - sobre o que deu errado com os pactos propostos por Dilma na esteira das manifestações de junho do ano passado. A petista insistiu que os cinco pactos que ela desencadeou após as manifestações tiveram bons resultados. “Nós acreditamos que tudo deu certo.” Marina retrucou que “o Brasil que a presidente Dilma acaba de mostrar com colorido quase cinematográfico não existe.”

Na sua vez de perguntar, a petista questionou Aécio se a expressão “medidas impopulares” utilizada por ele iria significar redução do valor dos salários e do índice de empregos. O tucano lembrou a carta que Dilma enviou ao ex-presidente FHC, no início do governo dela, elogiando medidas como o controle da inflação e a responsabilidade fiscal. Os dois também protagonizaram o confronto mais duro, no quarto bloco, quando Aécio perguntou a Dilma se não era hora de a petista pedir desculpas por “gestão temerária” na Petrobrás.

Dilma afirmou que a declaração do adversário era uma “leviandade” e citou problemas enfrentados pela empresa estatal durante o governo FHC. Foi o momento do debate em que a tradicional polarização entre PT e PSDB ficou mais “quente”.

Alvo. Mas o tucano não podia disfarçar a necessidade de criar um confronto direto com Marina, que na pesquisa Ibope lhe ultrapassou e abriu uma vantagem de 10 pontos porcentuais. Na primeira oportunidade que teve para perguntar, o candidato do PSDB questionou a coerência da ex-ministra em relação à nova política pelo fato de ela se negar a compartilhar a campanha com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), apoiado pelo PSB, e, ao mesmo tempo, fazer um aceno ao ex-governador e candidato ao Senado, José Serra (PSDB).

Marina disse que defender a nova política é combater a velha polarização. Aécio criticou o discurso da candidata do PSB afirmando que o importante é distinguir a boa da má política. Fez também questão de lembrar que o PT, na época que Marina era filiada, foi contra o Plano Real e o processo de estabilização.

No final do debate, tentou ligar a ex-ministra de Lula à presidente. Concluiu sua fala dizendo que “as propostas de Dilma e Marina são muito parecidas”. Sugeriu que um governo Marina poderá ser uma “aventura”. E “nomeou” o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, que ocupou o posto no governo FHC, seu ministro da Fazenda caso seja eleito em outubro.

Como já era esperado, para rebater as críticas sobre a falta de experiência administrativa, Marina citou os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso, classificados não como gerentes, mas pessoas com visão estratégica. Fez elogios aos ex-presidentes - à estabilidade da gestão FHC e aos investimentos sociais de Lula -, mas ressaltou que não é “complacente com os erros”.

Quando pôde, se disse a favor de um “estado laico” - adversários usam a religiosidade da ex-ministra para associá-la a um “obscurantismo evangélico”. Fez várias menções a Eduardo Campos, cuja morte em 13 de agosto após um acidente de avião abriu caminho para a sua candidatura ao Planalto.

Os outros candidatos usaram as perguntas sobretudo para valorizar algum ponto de vista mais marcante de sua campanha. Eduardo Jorge, do PV, quis saber de Aécio Neves qual era a posição dele sobre o aborto. Depois de ouvir o tucano afirmar que vai defender a legislação atual, Jorge defendeu a mudança da lei, lembrando que 800 mil mulheres praticam aborto anualmente no Brasil, em condições precárias, em clínicas clandestinas.

Presidente joga no ataque usando montanha de dados

Cláudio Couto - É professor da FGV São Paulo

É difícil que eleitores renitentes tenham mudado seu voto após o debate desta terça-feira, 26. Contudo, para os que vacilam, houve atrativos. Num jogo que privilegiou os três principais contendores, que tocaram a bola entre si e foram priorizados pelos jornalistas, a presidente se destacou.

Dilma mostrou-se bem mais desenvolta do que há quatro anos, demonstrando que a experiência presidencial lhe proporcionou um bom treino verbal - decerto aprimorado por comunicólogos. Mas não foi apenas no teatral que a presidente se destacou. Logrou apresentar dados positivos de seu governo, listando números que sabia de cor estocando seu adversário favorito - o PSDB - sem se tornar antipática. Impôs ao debate a tônica de sua campanha: apresentar dados que desmintam as avaliações negativas sobre sua administração. Jogou no ataque e fez vários gols. Ao final, administrou.

Aécio, por sua vez, embora longe de uma performance desastrosa, não se destacou. Diríamos que jogou para empatar. Porém, num momento em que as pesquisas indicam estar ele uns quatro tentos atrás do adversário mais próximo, que continua atacando, jogar pelo empate não é a estratégia mais produtiva. Questionou Dilma sobre temas já exaustivamente tratados pelos jornais, dos quais não era mais possível extrair trunfos. Fez o óbvio, mesmo ao corretamente defender o legado de Fernando Henrique - o que os tucanos anteriores se envergonharam de fazer.

Já Marina, embora menos acabrunhada que Aécio, também não se destacou. Quem assistiu apenas ao começo do debate deve ter-lhe achado confusa. Melhorou com o passar do tempo e teve seu melhor momento numa resposta a Luciana Genro, do PSOL, que lhe questionava sobre seus assessores econômicos. Ao ser equiparada à “velha política” de PSDB e PT disparou contra a velha política de esquerda, que se acha dona da verdade. Boa jogada, mas já era tarde e o conjunto da performance pode ter desapontado eleitores conquistados na última semana. Talvez por nervosismo, atrapalhou-se ao menos três vezes ao conjugar o verbo “perder”. Ato falho?

Para analista, Marina surpreendeu no 1º debate

Elizabeth Lopes – O Estado de S. Paulo

A candidata do PSB, Marina Silva, alçada à cabeça de chapa após a morte do ex-governador Eduardo Campos, em acidente aéreo em Santos, surpreendeu no primeiro debate entre os presidenciáveis, promovido na noite deste terça-feira, 26, pela TV Bandeirantes. Chamou atenção por sua postura mais incisiva, por não fugir das perguntas e conseguir atacar os adversários do PT, Dilma Rousseff, e do PSDB, Aécio Neves, sem se mostrar agressiva. A avaliação foi feita pelo especialista em pesquisa eleitoral e marketing político Sidney Kuntz. "Quem apostou na fragilidade de Marina Silva perdeu, ela mostrou que está preparada para este embate eleitoral", afirmou o analista.

Na sua avaliação, outro bom desempenho no debate da Band foi o do candidato do PSDB, Aécio Neves. Para Kuntz, o tucano, que participou de seu primeiro debate em uma disputa eleitoral, mostrou segurança, não fugiu das perguntas e conseguiu falar das propostas que vem defendendo neste pleito. Além disso, seguiu na linha de criticar a adversária petista e levantar questionamentos sobre a nova concorrente Marina Silva, que o desbancou do segundo lugar na pesquisa de intenção de voto do Ibope, divulgada na tarde desta terça-feira.

Para o especialista, dos três candidatos mais bem posicionados nas pesquisas (Dilma, Marina e Aécio), quem mais perdeu no debate da Band foi a petista Dilma Rousseff. No seu entender, a presidente demonstrou nervosismo e pareceu não estar muito à vontade, não olhou diretamente para a câmera (telespectador), talvez pelo fato de ter sido o alvo preferencial dos concorrentes. Tanto que ela nem explorou a boa popularidade de seu padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citando-o apenas uma única vez, nas considerações finais do debate.

Até mesmo Marina Silva, destaca Kuntz, falou dos bons projetos realizados na gestão de Lula e do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso. "Ao citar os dois ex-presidentes, Marina reforçou sua tese de que, se eleita, não irá fechar portas para ninguém e irá governar com as melhores cabeças, independentemente de partidos", disse. Segundo o analista, a candidata do PSB mostrou também, "na medida certa", sua dor pela perda do companheiro de chapa Eduardo Campos e garantiu que irá respeitar os acordos que firmou com ele. "Outro ponto positivo para Marina foi quando ela disse que não é contra o agronegócio."

Tom de Marina no debate surpreende adversários

Carla Araújo e Ana Fernandes – O Estado de S. Paulo

A candidata Marina Silva (PSB) surpreendeu membros da campanha de Aécio Neves (PSDB) e de Dilma Rousseff (PT) por ter aberto o debate em tom considerado alto e combativo, especialmente porque essa atitude não é esperada de quem está bem colocado nas pesquisas, como é o caso da socialista. O marqueteiro da campanha de Marina Silva, Diego Brandy, disse que não foi uma estratégia e resumiu: "Ela foi ela".

Mais cedo, o deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP), ao avaliar o desempenho dos candidatos, disse que Aécio demonstrou ser o mais preparado para cuidar do País. Sobre a candidata do PSB, Marina Silva, ele disse que, apesar de não apresentar nenhuma proposta concreta, evidenciou preparo para responder às perguntas. Já a presidente Dilma Rousseff, "como de costume" , demonstrou que não está preparada para absolutamente nada".

A ministra do Planejamento Miriam Belchior disse que alguns dados apresentados pelos adversários da presidente Dilma Rousseff e dos próprios jornalistas que fizeram perguntas não estavam corretos. Ela deu como exemplo o dado que 74% dos 20 mil cargos públicos são comissionados. Segundo ela, este número é de concursados.

Críticas aumentam, mas ninguém dispara uma ‘bala de prata’

Marcelo de Moraes - diretor da sucursal de Brasília do ‘Estado’

O crescimento expressivo de Marina Silva (PSB) nas pesquisas de intenção de voto, confirmado pelo Ibope poucas horas antes da realização do debate desta terça-feira, 26, da Band, deflagrou a temporada de críticas mais diretas entre os principais candidatos à sucessão presidencial. Sem ofensas pessoais, os participantes miraram alvos previamente estudados, trocaram ataques, mas ninguém conseguiu encontrar alguma “bala de prata” capaz de produzir dano irreversível ao adversário.

Embalada pelo Ibope, Marina defendeu sua “nova política” e procurou carimbar Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) como representantes de um modelo superado. Também surpreendeu ao partir imediatamente para o ataque, criticando os pactos propostos pela presidente depois dos protestos de junho de 2013.

Com cautela, Dilma e Aécio tentaram transmitir a imagem de que Marina não teria experiência e conhecimento suficiente para ser a gestora que a Presidência da República necessita. Ambos pareceram mais à vontade nas críticas feitas entre si. Dilma procurou colar Aécio no governo Fernando Henrique Cardoso e acusou os tucanos de quebrarem o País. Já o senador disse que a presidente deveria pedir desculpas pelas irregularidades envolvendo a Petrobrás e fez coro com Marina ao ironizar o programa exibido por Dilma no horário eleitoral gratuito, dizendo que todo brasileiro gostaria de morar naquele País que era mostrado.

A maior surpresa do debate foi, sem dúvida, a disposição de Marina de aceitar o confronto crítico com seus principais oponentes em vez de se resguardar, aproveitando o bom momento apontado nas pesquisas.

Mas, como os adversários, também oscilou. A ex-ministra se enrolou ao falar da presença de empresários, como Neca Setúbal e Guilherme Leal, na sua campanha, juntando-os numa elite na qual incluiu até o ambientalista Chico Mendes. Ao mesmo tempo, teve habilidade para reconhecer publicamente as qualidades dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso, inibindo os adversários. Apesar da combatividade do trio, nesse primeiro round o nocaute passou longe.

Aécio: sonho do brasileiro é morar na propaganda do PT

Elizabeth Lopes – O Estado de S. Paulo

Na abertura do terceiro bloco do debate entre presidenciáveis que acontece na TV Bandeirantes, o jornalista Boris Casoy perguntou à presidente Dilma Rousseff se ela manterá ou mudará a política econômica. Dilma argumentou que hoje ninguém pode negar que enfrentamos uma grave crise internacional e ao contrário do passado, em que se sempre se usava a receita de ''colocar o trabalhador para pagar'' os custos, seu governo se recusou a fazer isso, destacando que o governo conseguiu manter empregos - enquanto o mundo inteiro desempregou - e a inflação sob controle. Ela destacou ainda que, além de investimento em infraestrutura, o governo investiu pesado em educação e ofereceu oportunidades à população.

Na sequência, Aécio Neves, dizendo que "o sonho do brasileiro é morar na propaganda do PT", se direcionou à Dilma, e questionou se é possível hoje comprar as mesmas coisas que se comprava meses atrás, argumentando que o Brasil precisa iniciar um novo ciclo de mudanças.
Dilma respondeu que Aécio "claramente desconhece a grave crise internacional", relacionou os avanços do governo petista e disse não ser possível fazer comparação entre o momento atual e o que ocorria no País há 12 anos.

Marina Silva (PSB) foi perguntada se manteria o atual número de ministérios e se atuaria como uma gerente, caso vença as eleições. A candidata disse que os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não eram gerentes, mas fizeram coisas boas para o País. E utilizou o mesmo mote que seu companheiro de chapa, o falecido governador Eduardo Campos, dizendo que, mesmo com uma presidente que se diz gerente (a presidente Dilma Rousseff), o Brasil "será entregue no ano que vem ao próximo governante muito pior do que estava no início da gestão da petista".

Marina disse que um presidente da República precisa de credibilidade, legitimidade e visão estratégica para gerir o Brasil. "Quando não se tem visão estratégica, não é possível gerir nem a si mesmo", argumentou, dizendo que o atual governo petista faz uma política do ''toma lá, dá cá'' na administração do País.

Indagado sobre reforma administrativa, o candidato do PSDB, Aécio Neves, voltou a citar a sua experiência nos oito anos de administração do governo de Minas Gerais. E falou que construiu o maior número de parcerias público-privadas "da história do Brasil". Na réplica, Marina criticou a gestão do tucano na área da educação no Vale do Jequitinhonha, onde os professores, segundo ela, ganham muito mal. Na tréplica, Aécio a ironizou, dizendo que ela falava isso não por maldade, mas por desconhecimento, reiterando que melhorou, sim, o salário dos professores dessa região, considerada o "nordeste de Minas".

Fator Previdenciário
Pastor Everaldo (PSC) foi indagado se manteria o fator previdenciário e destacou que tem um aposentado em casa, o seu pai, criticando esse fator, pois no seu entender achatou as aposentadorias. "Isso foi um desastre para os aposentados brasileiros, provocando defasagem nos salários, mas vamos trabalhar para recuperar as perdas dos aposentados do Brasil". Na réplica, Marina lamentou a realidade em que vivem os jovens e os idosos do Brasil, destacando que se mede a responsabilidade de um país pela forma com que ele cuida de seus jovens e idosos. "Estamos comprometidos para fazer uma correção e dar dignidade aos aposentados."

Neste bloco, a candidata do PSOL, Luciana Genro, criticou a política econômica do governo petista, dizendo que eles tentam controlar a inflação com a elevação da taxa de juros. "A política econômica da presidente Dilma tem gerado muito lucro para o setor financeiro, onde só os bancos ganham e a inflação não fica sob controle". E desafio a presidente a implantar o imposto sobre grandes fortunas. A candidata do PSOL falou que a maneira de baixar a inflação seria com a reforma agrária. "Defendo a demarcação imediata das terras indígenas com reforma agrária", disse

O candidato do PV, Eduardo Jorge, falou de suas bandeiras, como o financiamento público de campanha, apenas para as pessoas físicas, para evitar o chamado ''voto de cabresto'', onde o eleitor se sente obrigado a atuar em favor dos grandes grupos do capital que o ajudaram a eleger com as doações.

O tucano Aécio Neves falou também de uma de suas bandeiras nesta campanha, o fim da reeleição com mandato de cinco anos para presidente da República.

Levy Fidelix (PRTB), questionado sobre a independência do Banco Central, disse que o Brasil está falido, quebrado financeiramente. "Vamos fazer um auditoria fiscal com relação à dívida, caso contrário este País vai para o buraco", disse. Eduardo Jorge, do PV, afirmou que o Banco Central independente, proposta da coligação de Marina Silva, "é apenas um fetiche para favorecer os rentistas e aumentar os juros, beneficiando os banqueiros".

Dora Kramer: Sustentar é preciso

- O Estado de S. Paulo

De susto os números da pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo não mataram ninguém nos comitês eleitorais dos principais candidatos a presidente: Dilma Rousseff balança para baixo com 34%, Marina Silva sobe para 29% e Aécio Neves oscila para 19%.

Grosso modo os índices confirmam o que as consultas telefônicas informavam diariamente às campanhas, desde que o acaso levou Marina de novo à condição de titular perdida junto com o prazo de registro de seu partido na Justiça Eleitoral.

Mesmo antes disso, lembra o cientista político Antonio Lavareda, quatro pesquisas publicadas entre outubro de 2013 e abril de 2014 apresentavam a ex-senadora sempre em segundo lugar. Na última, tinha 27% das intenções de votos.

Era concorrente forte, com força devidamente medida. Tira votos de todo mundo. Não por outro motivo forças ligadas ao PT colaboraram para que ela não conseguisse a tempo o registro da Rede de Sustentabilidade. Marina no páreo, já se sabia, seria garantia de segundo turno.

Pode-se dizer, então, que por ora as coisas voltaram ao seu curso natural. Com acréscimo do fator comoção pela morte de Eduardo Campos e a estrutura de um partido como o PSB - minimamente mais bem organizado do que seria a Rede. Sem falar dos utilíssimos contatos da legenda com o mundo real.

Isso aliado à sensação de bem-estar que o voto em Marina proporciona ao eleitorado de um modo geral, Dilma Rousseff e Aécio Neves têm pela frente a difícil tarefa de travar um duelo entre o concreto e o intangível.

Mas ela também terá de enfrentar os espinhos inerentes ao pesado exercício do contraditório com os adversários que não lhe darão trégua.

Lei da atração. O partido agora em segundo lugar na disputa presidencial não quer comprar briga com o PT e o PSDB; prefere tentar neutralizar os adversários.

Razão dos elogios feitos aos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio da Silva, ao ex-governador José Serra e aos "melhores quadros" dos dois partidos que, segundo declararam correligionários de Marina Silva, seriam convidados a fazer parte do governo caso ela fosse eleita.
Pelo mesmo motivo a candidata apressou-se a incluir na agenda o aviso de que não concorreria à reeleição. O recado: sinalizar que em 2018 o terreno estaria livre. O canto da sereia, contudo, nesse momento não seduz tucanos nem petistas. Muito pelo contrário.

Majestades. A presidente Dilma Rousseff voltou a abordar a crítica da candidata Marina Silva ao perfil de gerente dizendo que essa característica é essencial à função. E acrescentou: quem não compreende isso está querendo ser "rainha".

O termo remete à imagem de "rainha" pretendida pelo marqueteiro oficial, João Santana, para a presidente quando ela ainda era candidata. Explicou isso numa entrevista à Folha de S.Paulo em que falava como Dilma poderia vir a suceder Lula também no "grande vazio sentimental e simbólico" deixado por ele no público.

Discorria Santana: "Há na mitologia política e sentimental brasileira uma imensa cadeira vazia, que chamo metaforicamente de cadeira da rainha e que poderá ser ocupada por Dilma".

A presidente agora usou a palavra em sentido diferente do utilizado por Santana. Ela quis dizer que a adversária ficaria alheia aos problemas cotidianos do governo, como uma rainha da Inglaterra. Ele se referia à figura que desperta reverência e adoração.

Dilma não conseguiu ocupar essa cadeira. Faltam-lhe os requisitos necessários para a montagem do personagem. Já Marina os tem de sobra. Concorre no terreno do imaginário, naquela via por onde já transitou a lenda do operário que comandava um partido que mudaria a política no Brasil.

Ataques marcam primeiro debate entre presidenciáveis na TV

• Dilma vira alvo por gestão econômica, reage com críticas a Aécio e Marina, que também se acusam

- O Globo

RIO - A 40 dias da eleição, o primeiro debate da campanha de 2014 entre os sete presidenciáveis, ontem na TV Bandeirantes, elevou a temperatura da disputa. Houve ataques recíprocos entre os três principais adversários: a presidente Dilma Rousseff (PT), que concorre à reeleição, o ex-governador Aécio Neves (PSDB) e a ex-senadora Marina Silva (PSB). Logo no início do primeiro bloco que permitia perguntas entre os candidatos, pelo menos um tema uniu, em perguntas distintas, Aécio e Marina contra Dilma: a situação econômica do país. Levando para o debate ecos das manifestações de junho de 2013, Marina citou os pactos pela mobilidade urbana e pelo controle da inflação. E acusou Dilma de não tê-los cumprido.

A presidente reagiu, afirmando que “a inflação está sendo sistematicamente reduzida”. A candidata do PSB respondeu com um ataque direto à gestão Dilma, que teria, segundo ela. apresentando um Brasil “quase cinematográfico”, que não existe.

Aécio Neves, ao criticar a política econômica do governo petista, acusou a presidente de ter “um conjunto de ações desastradas e desconexas em vários setores”. Aécio e Marina também se estranharam diante de dois assuntos: o tucano cobrou da ex-senadora “coerência” em torno dos nomes que escolhe para integrar seu rol de aliados, e Marina criticou a gestão de Aécio como governador de Minas, na área da Educação.

Aécio e Dilma travaram embate por conta do escândalo da venda da refinaria de Pasadena, envolvendo ex-diretores da Petrobras. O presidenciável declarou que a Petrobras passou das páginas econômicas para as páginas policiais e encerrou seu tempo de questionamento perguntando a Dilma se não era hora de ela pedir desculpas pela gestão temerária da empresa. Temas como o controle social da mídia e os conselhos populares também fizeram parte da discussão.

Em suas considerações finais, ao querer enfatizar a ideia de que o "Brasil não comporta novas aventuras" e de que somente ele representaria a mudança com responsabilidade, Aécio antecipou que, caso eleito, escolheria Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central na gestão Fernando Henrique, ministro da Fazenda. Já Marina voltou a citar Eduardo Campos ao final do debate, lembrando ter vivido uma “realidade traumática", e Dilma reforçou que fora eleita para "fazer avançar o legado de Lula".

Ao abordar a questão da economia em sua pergunta para Aécio, Dilma aproveitou também para criticar as altas taxas de desemprego no governo Fernando Henrique Cardoso.

Mantendo as fortes críticas, Aécio declarou que o governo Dilma não inspira confiança e que não tem credibilidade por conta de ações que considera “desastradas e desconexas”, além de um intervencionismo forte na economia. E disse ainda que o governo do PT se aproveitou de reformas feitas no governo FH.

— É preciso que a senhora reconheça que o país não cresce e não gera emprego. O governo que a senhora comanda, infelizmente, perdeu a capacidade de inspirar confiança, credibilidade por um conjunto de ações desastradas, desconexas, um intervencionismo absurdo em setores como o de energia. A grande verdade é que o governo do PT surfou nas reformas feitas no governo do presidente Fernando Henrique. Mas a bendita herança acabou, e os brasileiros estão preocupados com o futuro — afirmou o tucano.

Em resposta aos ataques, a petista criticou a gestão tucana à frente do Palácio do Planalto, dizendo que o PSDB quebrou o Brasil e citou números de geração de empregos dos dois governos petistas. Dilma afirmou que, apenas em seu governo, já gerou mais empregos no país do que nos oito anos de Fernando Henrique:

— A verdade é que o governo do PSDB quebrou o Brasil três vezes. Propôs aumento de tarifa, propôs que não se desse aumento de salários, tivemos redução salarial terrível nesse período. No meu governo, geramos mais empregos do que vocês geraram em oito anos. Estou gerando 5 milhões e 500 mil empregos, os números não podem ser enganosos, e o governo do PSDB cortou salários e deu tarifaços.

Manifestações de junho foram lembradas
Aécio pediu a Dilma um “gesto de grandeza” para reconhecer que os programas sociais do governo do ex-presidente Lula tiveram o embrião nas gestões tucanas. E ironizou o fato de Dilma, ao assumir, ter mandado carta a Fernando Henrique elogiando os feitos na economia.

— Não tivesse havido governo do presidente Fernando Henrique, com estabilidade da moeda, sempre contra apoio do PT, modernização da economia, privatização de setores que deveram estar fora do estado, não teria governo do presidente Lula. Foram os programas sociais do governo Fernando Henrique que levaram aos do presidente Lula. Reconhecer é gesto de grandeza que tem faltado a seu governo — alfinetou.

No mesmo bloco, Dilma e Marina Silva também foram para o embate. Primeira do bloco a perguntar, a ex-senadora escolheu questionar a petista sobre o que deu errado, já que, segundo ela, as propostas feitas por Dilma depois das manifestações de junho de 2013 não saíram do papel. A presidente respondeu que avalia que todas as propostas deram certo, que fez cinco pactos, entre eles a destinação de 75% dos royalties do petróleo e fundos do pré-sal para a Educação. Ela afirmou ainda que prometeu e cumpriu a implementação do programa Mais Médicos, e que a reforma política foi enviada para votação do Congresso, mas não passou:

— Eu considero que tudo deu certo, veja você. Fizemos também um compromisso com a reforma política, enviamos ao Congresso e não foi aprovada. Acredito que a reforma vai exigir a consulta popular através de plebiscito.

Partindo para o ataque, Marina Silva respondeu dizendo que o Brasil “cor-de-rosa” apresentado por Dilma simplesmente não existe:

— Uma das coisas mais importantes para que a gente possa resolver os problemas é reconhecer que existem. Quando a gente não reconhece, não passa esperança para a população de que serão enfrentados à altura. Esse Brasil colorido, quase cinematográfico que Dilma mostrou, não existe na vida das pessoas. A gente continua parado no trânsito, a reforma política virou troca de ministros em troca de apoio e tempo de televisão.

Dilma e Aécio voltaram a se confrontar em torno da Petrobras. O candidato tucano afirmou que a empresa perdeu metade do valor de mercado e que está nas páginas policiais. E perguntou a Dilma se não era hora de pedir desculpas pela condução “temerária” da Petrobras.

Dilma cita segurança durante a copa
Dilma disse que Aécio desconhece a empresa.

— Hoje a Petrobras é a maior empresa da América Latina. Passou de um valor de R$ 15 bilhões do seu governo para R$ 110 bilhões no nosso. No meu governo a Petrobras descobriu e perfurou o pré-sal. Vocês disseram que tínhamos inventado o pré-sal, e conseguimos tirar 540 mil barris. O volume de reservas permite à Petrobras ser uma das maiores empresas de petróleo do mundo. Em 2018, vamos produzir 3,8 milhões de barris. A Petrobras é uma grande riqueza do Brasil. Não fomos nós que tentamos mudar o nome para Petrobrax, porque soava melhor na língua inglesa.

Aécio replicou:
— Uso emprestado o termo da candidata. É uma leviandade a atuação da presidente diante dos casos que surgem na Petrobras. Um colega seu está preso hoje (referência ao ex-diretor Paulo Roberto Costa). Todas as denúncias acabam caminhando para benefícios a seu partido e a partidos que lhe dão apoio.

Dilma usou a tréplica:

— Repito que é uma leviandade. Quem investiga a Petrobras é um órgão do governo federal, a Polícia Federal (...) e doa a quem doer. Nós nunca escondemos para debaixo do tapete os crimes de corrupção. Nunca tivemos uma relação com o Procurador-geral da República para transformá-lo em engavetador-geral da República.

No quinto bloco, Aécio foi questionado sobre a criação dos conselhos populares, defendida pelo governo federal. O tucano respondeu dizendo que vê com enorme preocupação a criação dos conselhos, e afirmou que a formatação definida pelo PT avilta o poder do Congresso e pode ser definido como controle social da mídia:

— A democracia pressupõe instituições sólidas, que tenham independência entre si. Participação popular é essencial, temos dezenas de conselhos atuando, mas a formatação que o PT busca trazer é algo que avilta um poder que deve ser independente e soberano porque eleito pela sociedade brasileira. O conjunto de ideias que o PT deixa à discussão pública, mesmo que não as assuma diretamente, vem aquela do controle social da mídia. A liberdade de imprensa é pressuposto fundamental para que tenhamos democracia no país. Esse decreto nos preocupa imensamente, por isso estamos apoiando no Congresso a suspensão desse decreto.

No comentário, Dilma disse que o PSDB sempre temeu o diálogo e a participação popular:

— É normal que o candidato Aécio pense assim, sempre tiveram muito medo do diálogo e da participação popular e social. Não há nenhum conselho de participação social, há um decreto que regulamenta conselhos, e é para consulta, não é processo decisório. É estarrecedor que se considere plebiscito algo bolivariano.

Aécio questiona Marina sobre contradições da ‘nova política’

• Candidata nega incoerência ao elogiar Serra e recusar Alckmin

- O Globo

Ameaçado de perder a vaga no segundo turno para a candidata do PSB, Marina Silva, segundo a pesquisa Ibope divulgada ontem, o tucano Aécio Neves elegeu a adversária como alvo logo no início do segundo bloco do debate. Dirigindo- se a Marina, Aécio questionou a “nova política” defendida por ela, que se nega a subir no palanque “de um dos políticos mais íntegros do país”, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Ao mesmo tempo, afirmou Aécio, Marina disse que deseja ter o apoio
do tucano José Serra, caso seja eleita presidente:

— Essa nova política não precisa de uma boa dose de coerência? — questionou Aécio.

Em sua resposta, Marina também atacou e disse que a polarização PT e PSDB dividiu o país e precisa acabar, procurando-se firmar como uma alternativa aos partidos que se revezam no poder desde 1995:

— Me sinto inteiramente coerente. Defender a nova política é combater a velha polarização que há vinte anos tem se constituído num verdadeiro atraso. A polarização PT x PSDB já deu o que tinha que dar. Quando disse que não ia subir em palanques que não havia antes acordado com o saudoso Eduardo Campos, mantive a coerência porque não queria favorecer partidos da polarização. Quando digo que quero governar com o melhor, reconheço que existem pessoas boas em cada partido, mas a maioria está no banco de reservas. Eu estava dizendo que tenho certeza que, se ganhar a Presidência,
ele (o governo) não haverá de ir pelo caminho mesquinho da oposição que só
vê defeitos, mesmo quando avanços são evidentes, como o Bolsa Família, que o PSDB tem grande dificuldade de aceitar.

Ou da situação pela situação, que só vê virtudes. O PT tem dificuldade de reconhecer os erros — reagiu Marina, que citou, além de Serra, os senadores Eduardo Suplicy (PT) e Pedro Simon (PMDB) como políticos a quem pretende recorrer.

Ulysses e Tancredo lembrados
Aécio questionou novamente Marina sobre a divisão que ela faz entre a velha e a nova política e citou nomes de políticos já falecidos:

— Não posso crer que homens como Ulysses Guimarães, Miguel Arraes, Tancredo Neves praticavam a velha política. E a boa política pressupõe coerência. Estou aqui acreditando no que sempre acreditei, que a estabilidade da moeda era essencial, que as privatizações de determinados setores da economia eram essenciais para gerar emprego. Fizemos tudo isso com a oposição — afirmou Aécio, frisando que saber ver méritos em adversários.

Houve novo embate entre o tucano e a candidata do PSB quando Aécio foi perguntado sobre o tamanho da máquina pública e os cerca de 20 mil cargos de confiança na administração federal. Como fez em outros momentos, Aécio se valeu de seus dois mandatos como governador de Minas Gerais e enumerou realizações, como o corte de um terço das secretarias estaduais e a prioridade na educação, tendo deixado o governo de Minas com “a melhor educação fundamental do Brasil”.

— A obra pública em Minas é referência. O estado remunera os servidores baseado na meta estabelecida. Reduzi em um terço as secretarias, extingui mil cargos comissionados. A prioridade era a educação. No fim do governo, Minas é a melhor educação fundamental do Brasil.

Na saúde, melhor qualidade de atendimento da região. Acredito muito que a gestão publica não precisa ser ineficiente por ser pública, desde que tenha metas estabelecidas de forma clara.

Marina critica gestão de Aécio
Assim como fizera em relação à presidente Dilma Rousseff, a quem acusou de apresentar um “Brasil colorido e quase cinematográfico”, Marina questionou os dados apresentados por Aécio. Marina disse que o tucano se esqueceu do Vale do Jequitinhonha (uma das regiões mais pobre e com os piores indicares sociais de Minas), onde, segundo ela, os professores “vivem nas penúrias.” — Aécio citou tudo colorido em seu estado. Mas não incluiu em Minas o Vale do Jequitinhonha, que os professores reclamam de seus salários e os alunos sofrem — afirmou Marina.

Aécio então acusou Marina de desconhecer seu governo em Minas:

— Marina, mais por desconhecimento do que por má-fé, comete uma enorme injustiça com o Vale do Jequitinhonha. Os professores ganham mal no Brasil inteiro. Em Minas, as metas avançaram mais nas regiões mais pobres do estado. Investimos três vezes mais per capita no Jequitinhonha do que nas regiões mais ricas do estado — afirmou o tucano.

Gerência ou visão estratégica
Marina também polemizou com Dilma, quando, em uma pergunta de um jornalista, foi lembrada de sua recente declaração, de que “o Brasil não precisa de um gerente”. Foi a senha para que as duas adversárias se alfinetassem. A candidata do PSB reafirmou que, para governar o Brasil, o mais importante é se ter uma “visão estratégica”. Ela citou os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso como políticos com esse atributo e que, graças a ele, legaram ao país, respectivamente, a redução da pobreza com inclusão social e a estabilidade econômica. E hoje, disse, o governo entregará o país pior do que recebeu.

Dilma reagiu e insinuou que Marina é inexperiente e, por isso, menospreza a capacidade de gestão. Segundo Dilma, os problemas de um país complexo como o Brasil não serão resolvidos “só com discurso”.

PT e PSDB tentam manter polarização; PSB aposta em 3ª via

• No 1º debate dos presidenciáveis, cientistas políticos destacam estratégias de Dilma, Aécio e Marina

Alessandra Duarte e Carolina Benevides – O Globo

RIO — No primeiro debate dos candidatos à Presidência, a petista Dilma Rousseff e o tucano Aécio Neves, segundo os cientistas políticos ouvidos pelo GLOBO, optaram por continuar com a polarização PT x PSDB e por manter as diferenças entre os dois partidos. Marina Silva, do PSB, por sua vez, preferiu marcar a imagem de terceira via para tentar se associar aos desejos de mudança registrados nas pesquisas e apostou na “nova política”, destacando que quer “unir” o Brasil.

— Marina fez parecer o seguinte: eu estou sintonizada com as demandas de junho de 2013, eles são a velha política, eu sou a nova e vou governar com os melhores quadros, tendo citado o (Eduardo) Suplicy, o (Pedro) Simon e o (José) Serra. Ela foi marcando seu terreno, ainda que tenha incoerências e contradições, já que citou pessoas da política tradicional, da velha política — diz Marly Motta, da FGV, destacando que “Aécio e Dilma usaram suas experiências no Executivo para contar o que já fizeram”: — Provavelmente tentam despertar a desconfiança no eleitor da Marina, que só pode falar de futuro. Eles, bem ou mal, têm história.

Professor da PUC-Rio, Ricardo Ismael crê que Marina teve estratégia bem definida para alcançar eleitores esgotados com o PT, mas que não querem a volta do PSDB:

— Ela quis dizer algo como: Aécio e Dilma dividem o país, eu quero unir o Brasil. Há uma parte do eleitorado que está esgotada com o PT, e outra que não quer a volta do PSDB, ela está falando para essas pessoas. E ela deu seu recado logo no 1º bloco, lembrou o Eduardo Campos (candidato do PSB morto) e disse que é a esperança na política. 

— Marina tentou resgatar os protestos de 2013 para ela. Dilma se esquivou bem, falando da aprovação do dinheiro do pré-sal para a Educação, da proposta de plebiscito para a reforma política. Marina quer polarizar com a Dilma, mas a Dilma quer manter a polarização com Aécio — diz Paulo Baía, da UFRJ, lembrando que a candidata do PSB “reforçou a posição de tentar ser diferente dos outros dois principais candidatos”: 

— Aécio questionou Marina sobre o que seria a nova política de que ela tanto fala. Ela deu explicação genérica, e Aécio se saiu bem ao falar da “boa e da má política”, que havia nomes bons também em períodos anteriores. 

Para Baía, em relação aos outros candidatos, Luciana Genro (PSOL) se destacou ao provocar Marina ao dizer que há candidato que fala de nova política e tem na coordenação de campanha uma banqueira (em alusão a Neca Setúbal, da campanha de Marina). 

— Aécio falou do que fez em Minas e, na hora de atacar, escolheu mesmo a Dilma — completa Carlos Pereira, da FGV/Ebape: — Dilma foi previsível, com discurso defensivo, preparado, se eximindo de responsabilidades de problemas atuais. Marina tentou se mostrar alternativa superior ao que veio antes (PT e PSDB). 

Segundo Marly, nesse 1º debate, “Dilma e Aécio não quiseram sair do terreno que já conhecem”, e o tucano anunciou Armínio Fraga como ministro para mostrar que ele é a mudança segura.
— O Ibope mostra Marina em crescimento, ela não sai do debate atingida e se apresentou mais preparada do que em 2010. Dilma e Aécio vão ter que usar a propaganda na TV para atacá-la — diz Ismael.

— Deixaram Marina solta. Até Aécio, que confrontou Marina, mas bateu mais em Dilma,, parece que desconheceu a pesquisa que saiu hoje (ontem) — conclui Baía.

José Casado: Mudem o rumo, avisam os eleitores

- O Globo

A nova pesquisa eleitoral provocou comoção na liderança do Partido dos Trabalhadores. Impressionou muito mais a solidez da rejeição a Dilma Rousseff do que a rápida ascensão de Marina Silva (PSB) à segunda posição entre os adversários, com larga vantagem à frente de Aécio Neves (PSDB).

Dilma é uma presidente-candidata cuja taxa de rejeição (36%) já supera a soma de suas intenções de voto (34%) a apenas 40 dias da eleição. Esse quadro, definido pelos entrevistados com a resposta "não votaria de jeito nenhum", mantém-se praticamente estável há seis meses para a presidente-candidata - tendência confirmada por outras sondagens como a realizada pelo Datafolha na semana passada. A taxa de rejeição a Dilma supera em seis pontos as de Marina (10%) e de Aécio (18%).

Isso acontece em um cenário no qual ampla maioria do eleitorado manifesta, sucessivamente em todas as pesquisas, ansiedade por mudanças na forma de governar. Até agora, porém, os principais candidatos à Presidência mais dissimularam do que se dedicaram à discussão de propostas objetivas sobre o quê, como, onde e quem pagaria a conta de eventuais mudanças.

A chance de segundo turno se cristaliza com a força exibida por Marina (29%) e a posição de Aécio (19%). A liderança numérica de Dilma - próxima do empate com Marina - está dez pontos percentuais abaixo da soma dos adversários. É da tradição do PT não se surpreender com a possibilidade de um segundo turno.

Ontem, porém, a cúpula do PT se mostrava abalada com o cenário de Marina (45%) com nove pontos de vantagem sobre Dilma (36%).

Nem mesmo a confirmação da tendência de liderança (41%) da presidente-candidata numa projeção de disputa com Aécio (35%) serviu de consolo: sua vantagem na hipótese de embate com o candidato do PSDB se mantém minguante desde abril, segundo o Ibope. A distância que os separava era de 13 pontos dois meses atrás. Agora é de apenas seis.

Para Dilma, um complicador é o rarefeito entusiasmo que sua candidatura provoca em boa parte das lideranças do PT - obstinados devotos do "Volta, Lula!" O ex-presidente talvez seja, de fato, o principal responsável por manter essa chama acesa desde o ano passado, quando Dilma já havia demonstrado vontade de ir à luta pela reeleição. O problema do partido, nesta altura da campanha, é inovar na oferta ao eleitorado para continuar no poder. Movimento nessa direção pressupõe um reconhecimento da "insuficiência" do que já se fez, mas prevalece a relutância na admissão de "erros" - quaisquer que sejam. O preço a pagar está sugerido em pesquisas, como a de ontem.

Do outro lado, observa-se que há em comum um desconcerto com a velocidade da ascensão de Marina. Esse sentimento permeava, por exemplo, as reações dos seus aliados, líderes do PSB e do PPS.

Foram surpreendidos com o súbito avanço, de uma votação potencial em torno de 20 milhões - similar à obtida na eleição de 2010 - para cerca de 41 milhões, no espaço de uma semana. A perspectiva de poder passou a ser considerada como real e já impôs mudanças de comportamento da cúpula do PSB em relação à candidata, até então tratada com frieza em manifestações públicas e, sobretudo, no planejamento de campanha em estados como São Paulo e Rio de Janeiro.

No PSDB de Aécio Neves o choque com a passagem de Marina à segunda posição na preferência eleitoral, e com larga vantagem, detonou um processo de questionamento interno sobre o rumo da campanha. Bem sucedido na costura de acordos partidários regionais, ainda incólumes, Aécio talvez tenha se descuidado do embate direto com o eleitorado, onde suas propostas para mudanças ainda sequer são conhecidas. Agora, só lhe resta correr contra o tempo.

Faltam apenas cinco semanas e os eleitores renovam o aviso: mudem o rumo.