O Globo
Entidade lavou as mãos após deportação de
árbitro somali e humilhações à seleção do Irã
A bola ainda não rolou, mas o governo de
Donald Trump já criou os primeiros embaraços para a Copa do Mundo. Na
segunda-feira, o árbitro somali Omar Artan foi impedido de entrar nos Estados
Unidos. Ontem o Irã informou que os ingressos destinados a seus torcedores
foram cancelados.
Artan era um dos três árbitros africanos escalados para apitar na Copa. Eleito o melhor do continente em 2025, viu seu “maior sonho” ruir no aeroporto de Miami. Detido por 11 horas, foi obrigado a embarcar de volta para a Turquia, onde havia retirado o visto.
O chefe da força-tarefa da Casa Branca para o
torneio, Andrew Giuliani, disse que a deportação foi “correta”. Ele é filho de
Rudy Giuliani, preso por ajudar Trump na tentativa de roubar a eleição de 2020.
O caso do Irã é ainda mais espantoso. O país
deve ser o único dos 48 participantes da Copa a jogar sem torcida. Sua cota de
ingressos foi cancelada às vésperas da estreia. Quem comprou os bilhetes com
antecedência será impedido de entrar no estádio, mesmo que tenha visto americano.
A seleção iraniana já havia sido submetida a
outras humilhações. A equipe jogará em Los Angeles e Seattle na primeira fase,
mas recebeu ordens para se hospedar no México. Os atletas terão que entrar e
sair dos EUA a cada partida, correndo o risco de novas duras no caminho.
No sábado, o atacante Aymen Hussein, herói da
classificação do Iraque, já havia levado uma prensa de sete horas no aeroporto
de Chicago. O fotógrafo da seleção, Talel Salah, teve que embarcar de volta
para casa.
Trump é um xenófobo convicto. Desde a
primeira campanha, dedica-se a insultar e destilar racismo contra imigrantes de
países que considera inferiores. No ano passado, chamou os somalis de “lixo”.
Inflamados pelo discurso de ódio do presidente, os guardas da esquina fazem o resto
do serviço.
Todo país é livre para estabelecer sua
política migratória, mas quem não quer receber visitantes não deveria se
candidatar a sediar a Copa.
É perda de tempo esperar uma reação da Fifa.
Comandada por um notório lambe-botas de Trump, a entidade tem lavado as mãos a
cada caso de abuso. Questionada sobre a deportação de Artan, alegou “não se
envolver nos processos de imigração dos países-sede”.

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