Valor Econômico
Apenas 8 dos eleitos em 2022 devem concorrer
às 54 cadeiras de senador em disputa
A lista de governadores candidatos a outros
cargos nesta eleição encolheu nos últimos dias. Até sábado, último dia da
desincompatibilização, dez governadores eleitos em 2022 deverão ter deixado o
cargo para buscar outros desafios.
Dez ou onze. O gaúcho Eduardo Leite (PSD) foi o último a engrossar a lista dos desistentes. No caso, o partido desistiu dele, ao preteri-lo para a presidência da República em favor do goiano Ronaldo Caiado. Leite contudo deu mostras de inconformismo e começaram a circular apelos de personalidades ligadas ao PSDB para que ele retorne ao ninho tucano e tente viabilizar a sua candidatura por lá. Pouquíssimo provável, já que a base de Leite na Assembleia Legislativa migrou para o PSD por orientação do governador, mas o governador gaúcho tem precedente de decisões surpreendentes.
Uma eventual surpresa gaúcha não altera o
fato do Senado, uma casa de caciques regionais, ter se tornado pouco atrativas
para os governadores em fim de mandato. Somente oito governadores eleitos há
quatro anos devem disputá-lo, sendo que um, o fluminense Claudio Castro (PL)
está com a candidatura sub judice, uma vez que foi condenado pelo Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) no processo das contratações do Ceperj. Poderá tentar
concorrer pendurado em liminares, o que no mínimo coloca uma zona de dúvida
sobre sua viabilidade eleitoral.
O agora ex-governador do Distrito Federal
Ibaneis Rocha (MDB) também tem a eleição para o Senado complicada, pela
delicada situação em que deixou o Banco Regional de Brasília (BRB) depois da
enrolada operação para tentar comprar o Banco Master. Ibaneis está no alvo de
uma CPI e é presença provável em uma possível delação premiada do ex-banqueiro
Daniel Vorcaro. Mesmo se nada acontecer com ele, perdeu sustentação política ao
não ter o apoio do PL para sua candidatura. Mesmo assim, impávido, decidiu
mantê-la.
É provável que o próximo Senado portanto
conte com apenas meia dúzia de ex-governadores. Quem deve se beneficiar com
este encolhimento são os candidatos que decidirem se alinhar à polarização
nacional e quem tem investido mais neste caminho são os bolsonaristas.
De última hora, a base de apoio do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva resolveu se mobilizar e uma safra de ministros deixou
seus cargos. Pelo menos cinco deles devem concorrer ao Senado: os petistas Rui
Costa (BA) e Gleisi Hoffmann (PR), a neossocialista Simone Tebet ( também
neopaulista), além de André Fufuca (PP-MA) e Carlos Favaro (PSD-MT), o último
com chances modestas em um estado que é reduto do bolsonarismo como poucos.
A deputada federal Marina Silva (Rede-SP)
deixou o Ministério do Meio Ambiente, mas seu destino tanto partidário quanto
eleitoral continua em aberto. Pode ir para o PT ou não, pode disputar o Senado,
a vice-governança ou outro qualquer. Hermética, Marina manteve várias opções em
aberto ao se pronunciar nos últimos dias.
Também ainda incerto era na noite de
quinta-feira o destino do ministro do Empreendedorismo Márcio França (PSB), que
ainda não se desincompatibilizou e nem trocou de pasta, mas pode ser que o
faça, também para disputar o Senado, desde que esta candidatura não aumente a
confusão com Simone Tebet e Marina Silva.
Somente dois ministros de Lula saíram da
Esplanada para disputar governos estaduais: Fernando Haddad (PT) em São Paulo e
Renan Filho (MDB) em Alagoas. O senador Camilo Santana (PT-CE) saiu do MEC para
se tornar uma reserva de contingência. Se o governador do Ceará Elmano de
Freitas (PT) não se mostrar viável contra o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) na
corrida estadual ele entra em campo. Por ora, está fora do gramado.
A forma atabalhoada pela qual os ministros de
Lula se desincompatibilizam, com ponta solta e aresta para todo lado, e o
desgaste dos atuais governadores incentivou uma onda de renúncia de prefeitos
de capitais, todos deixando seus cargos para disputar os governos estaduais.
Algumas saídas já estão anunciadas,
precificadas no mercado político, mas sujeitas a reviravoltas de última hora: é
o caso do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, com migração em curso do PL
para o PSDB, e a do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB). Outras já se
deram nos últimos dias , como Eduardo Paes (PSD) no Rio e Doutor Furlan (PSD)
em Macapá. Ao todo a melhor aposta é que sejam dez dos 26 a se aventurarem na
disputa estadual. Todos de uma forma ou outra ancoram suas candidaturas na
gestão , e não na polarização nacional.
As disputas para os governos estaduais
tendem, portanto, a seguirem muito menos a polarização nacional do que a
corrida eleitoral pelo Senado. Para ficar em um único exemplo, registre-se o
caso do Espírito Santo. A polarização local lá será entre o governador Ricardo
Ferraço (MDB) e o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos). O
primeiro assumiu o cargo esta quinta, com a desincompatibilização de Renato
Casagrande (PSB). O segundo deixou o posto quase simultaneamente, para cumprir
o prazo da legislação eleitoral. Nem Ferraço é alinhado a Lula, nem Pazolini se
ajusta ao figurino bolsonarista, a lógica capixaba é outra.
Em Santa Catarina, Rondônia, Roraima, Acre e Mato Grosso o bolsonarismo é tão grande que não cabe em si mesmo. Dividiu-se em mais de uma candidatura para os governos estaduais. A eleição de Roraima, para citar um caso, deve opor Edilson Damião (Republicanos), vice que assumiu o cargo, e o ex-prefeito de Boa Vista Arthur Henrique (PL). A base lulista no Estado é um conjunto vazio. Já em Pernambuco o bolsonarismo caminha para ficar alijado da corrida pelo governo estadual e pelo Senado.

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