O Estado de S. Paulo
Lula corre risco com Messias e PL da Dosimetria; seu aliado é o feriadão
O maior adversário da derrubada do veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria, feito sob encomenda para favorecer Jair Bolsonaro, não é político, eleitoral ou ideológico, é simplesmente o calendário: quórum no Congresso numa quinta-feira, véspera do feriado de Primeiro de Maio? A questão é explosiva e a tendência é contra Lula, a favor de Bolsonaro. Mas nesta semana?
A sessão para analisar o veto total de Lula
ao PL da Dosimetria será conjunta, do Senado e da Câmara, e o quórum para a
derrubada é de metade mais um das duas Casas. Ou seja, é preciso que 257 dos
513 deputados e 41 dos 81 senadores fiquem em Brasília, atrasem viagens, praias
e passeios para votar na véspera do feriado.
Também tensa, a votação de Jorge Messias para
o STF foi marcada para amanhã, mas é só na CCJ e no plenário do Senado, exige
muito menos políticos em Brasília e Messias aplainou o terreno no STF e no
próprio Senado. A previsão é de que seja aprovado, cinco meses depois de
anunciado, mas não dá para apostar; se ele passar, será com placar apertado. O
maior obstáculo é Davi Alcolumbre.
O PL da Dosimetria, aprovado pelo Congresso e vetado por Lula, altera o Código Penal e a Lei de Execução Penal, com efeito retroativo, para impedir, ou limitar, a soma de penas para crimes similares, especialmente contra o estado democrático de direito. Um efeito seria a redução das penas, com troca do regime fechado para semiaberto ou aberto.
O alvo formal são os condenados pela invasão
de Planalto, Supremo, Câmara e Senado no 8/1, mas o objetivo real é melhorar a
vida do ex-presidente Bolsonaro, que foi condenado por tentativa de golpe, a 27
anos e 3 meses de prisão, e isso pode cair para 13 anos, apressando o fim
efetivo do regime fechado. Hoje, ele está em prisão domiciliar, por saúde
debilitada.
Lula vetou integralmente o projeto, e as
relações entre Executivo e Legislativo, já nada bem, seguiram a regra, nua e
crua, de que “tudo que está ruim sempre pode piorar”. Uma regra que continua
bastante válida no caso, ao menos, até a eleição. Bolsonaro tem uma base sólida
no Congresso e Lula vive às turras com a Câmara de Hugo Motta e numa gangorra
com o Senado de Alcolumbre.
A bola está de novo com o Congresso, que vai manter o veto de Lula ou derrubá-lo, para reavivar seu projeto original. No meio disso, Suas Excelências, o cidadão e a cidadã – neste ano, particularmente, chamados de eleitores – se colocam majoritariamente, segundo as pesquisas, contra a redução de penas para golpistas. A oposição será mais leal ao ex-presidente ou à maioria da sociedade?

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