Folha de S. Paulo
Governo e parlamentares travam corrida de
bondades eleitorais
Armadilha fiscal tem ingredientes políticos
que dificultam solução
Executivo e Legislativo parecem empenhados
numa espécie de corrida
armamentista para ver quem gasta mais a fim de extrair benefícios
eleitorais. As contas estão longe de ser precisas, mas, numa estimativa
grosseira, o pacote de bondades de Lula para
o pleito deste ano custará aos cofres públicos um pouco mais de R$ 200 bilhões.
Pelo lado do Parlamento, tramitam nos escaninhos do Congresso Nacional nove propostas que, se aprovadas, teriam um impacto orçamentário de R$ 111 bilhões por ano ao longo de vários anos, segundo cálculos de técnicos do governo.
A generosidade de nossos políticos é um dos
motivos pelos quais a relação entre dívida pública e PIB deu um
salto de sete pontos percentuais durante o mandato do petista. Não é preciso
ser um gênio das finanças para perceber que essa trajetória não é exatamente
sustentável.
Não sou muito otimista em relação à
possibilidade de desarmar essa cilada fiscal. Ela tem ingredientes políticos
que não desaparecerão tão cedo. Pelo lado do Executivo, a crescente
beligerância ideológica modifica os cálculos posicionais. Em tempos normais,
perder uma eleição majoritária e passar um tempo na oposição é coisa da vida.
Nas atuais circunstâncias, a derrota é vista não como um percalço, mas quase
como uma ameaça existencial. Se antes havia alguma barreira moral ou
psicológica que limitava a disposição de governantes para estourar as contas
públicas, ela se foi.
Pelo Parlamento a situação não é menos
complexa. Se no presidencialismo é mesmo um pouco mais difícil responsabilizar
os legisladores por suas decisões, no presidencialismo à brasileira, com grande
fragmentação partidária e Câmara eleita por meio de voto nominal em lista
aberta, esse problema assume dimensões ainda maiores. Para o parlamentar, é
mais importante posar para seu nicho eleitoral do que seguir a disciplina
partidária. A farra das emendas de execução obrigatória dá-lhes ainda mais
liberdade e incentivos para pensarem só em seus próprios interesses.
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário