Folha de S. Paulo
Flávio Bolsonaro cai nas pesquisas porque não
consegue explicar dinheiro de Vorcaro
Presidente do TSE, Nunes Marques prometeu
neutralidade, mas agiu de modo intervencionista
Foi mais um tiro no pé de quem vive fazendo
gesto de arminha, levantando o polegar e estendendo o indicador para simular o
cano e o gatilho de uma arma.
Se houvesse menos autoritarismo, vida inteligente ou mesmo harmonia (os dois principais articuladores, Valdemar Costa Neto e Rogério Marinho, não se bicam) na campanha presidencial do filho 01, o PL pensaria duas vezes antes de pedir ao Tribunal Superior Eleitoral a suspensão da pesquisa Atlas/Bloomberg que mostrava queda de seis pontos nas intenções de voto do senador.
Um tiro no pé disparado por quem se diz
defensor da liberdade de opinião —desde que seja a seu favor. Ao investir
contra um levantamento divulgado em 19 de maio que mediu o impacto negativo das
mensagens íntimas trocadas com Daniel
Vorcaro, Flávio contribuiu para que o problema não saísse da pauta. Com o
tempo, a crise se cristalizou, como atestam os institutos de pesquisa (ainda)
não censurados. A Quaest mostra que Lula abriu 13 pontos entre os chamados
independentes. No primeiro turno, está 39% a 29%.
Seis em cada dez brasileiros condenam o
pedido de dinheiro ao picareta das surubas.
Ao propor a censura, Flávio agiu como o pai
agiria (ou foi instruído pelo pai de dentro da cadeia). Sob Bolsonaro, em
outubro de 2022, o deputado Ricardo Barros, então líder do governo na Câmara,
apresentou um PL de fazer inveja aos ditadores da Coreia do Norte e do
Afeganistão, criminalizando pesquisas e estipulando pena de prisão para donos
de institutos. Na época, Jair aparecia atrás de Lula nas sondagens e fazia de
tudo para desacreditar o processo eleitoral.
Se Flávio
Bolsonaro quiser evitar o colapso da candidatura, só há uma saída:
explicar o destino do dinheiro sujo do esquema Master supostamente repassado ao
filme. Só que ele não consegue.
Em tempo: para quem assumiu a presidência
do TSE prometendo
neutralidade, o ministro Kassio
Nunes Marques, ao suspender a pesquisa Atlas, começou mal. Sua decisão
intervencionista vai acabar, como de praxe no país, no STF.
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