O Estado de S. Paulo
Por decisão unânime, o Copom cortou os juros
básicos (Selic) em 0,25 ponto porcentual, para 14,25% ao ano. Confirmou, assim,
as previsões dos analistas.
Desta vez, a sintonia com o mercado pode ter
sido a principal razão desse corte. Esta diretoria do Banco Central (BC) já deu
sinais de que não só procura formar as expectativas, como também, em caso de
alguma falta de clareza, costuma segui-las.
O dado mais importante é o de que a inflação voltou a dar seus pinotes. Os números de maio mostraram que, no período de 12 meses, a inflação saltou para 4,72%, acima do teto da meta, que é 4,5%. Foi o suficiente para que o mercado, sondado pela Pesquisa Focus, projetasse a inflação do ano para 5,3%. É indicação de que o BC teria de acionar sua política de juros para voltar a conduzir a inflação para a meta.
Isso não é tudo. É preciso saber quais forças
vêm empurrando a inflação para cima. Dois são seus principais fatores. Há a
alavanca de custos, que tem a ver com a alta do petróleo e de insumos de
produção provocada pela Guerra do Irã. Se o acordo entre Estados Unidos e Irã
está para reabrir imediatamente o Estreito de Ormuz, então, por esse lado, a
inflação perderá boa parte de sua força.
A outra alavanca da inflação tem natureza de
demanda. É aumento do consumo em ritmo superior à capacidade de oferta,
acionado pela brutal gastança do governo, que injeta recursos na economia
destinados a azeitar o consumo e, com ele, a boa vontade do eleitor. Os números
mostram forte alta dos serviços e um mercado de trabalho apertado por escassez
de mão de obra em setores chave da economia.
Além de turbinar o rombo fiscal e a dívida
pública, esse despejo de moeda na economia pelo governo federal trabalha contra
o BC, que se empenha em retirar dinheiro da economia por meio de sua política
monetária. O comunicado divulgado logo após a reunião do Copom é, como sempre,
discreto sobre esse jogo contra, mas suficientemente enfático ao denunciar
essas pressões fiscais.
Os diretores do Copom não ousaram antecipar os próximos passos, porque o nível de incerteza continua alto. Não há segurança de que as hostilidades no Oriente Médio terminarão. O governo de Israel vem demonstrando insatisfação com esse acordo e poderá aumentar os ataques ao Líbano, com objetivo de neutralizar o Hezbollah, força por meio da qual o Irã vem terceirizando sua guerra contra Israel.

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