sexta-feira, 1 de maio de 2026

As instituições estão doentes, Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Decisões do Congresso são vitória do bolsonarismo e derrota de Lula, STF e Congresso

Está confirmado: uma semana, duas derrotas para o presidente Lula, que vai perdendo energia, vantagem segura nas pesquisas e a confiança de possíveis aliados que poderiam ir para um lado ou outro e estão indo em massa para o dos seus adversários. Lula, porém, não é o único derrotado. Também perdem as instituições, em particular STF e Senado, e o andamento do caso Master.

O pacto entre o ministro do STF Alexandre de Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não foi só para impedir que Jorge Messias vestisse a toga da Corte nem para se desconectar de vez de Lula.

Ambos estão enrolados no escândalo do Banco Master e o tal pacto, ou acordão, tem cara e cheiro de “você salva a minha pele e eu salvo a sua”.

Ex-ídolo nacional antigolpe, Moraes tem bons motivos para temer o Senado e um pedido de seu impeachment, algo praticamente inédito, mas que parece avançar contra Moraes e outros ministros do STF, em especial os envolvidos no caso Master, como ele, depois da revelação dos R$ 130 milhões de contrato entre o banco e o escritório da sua família.

Já Alcolumbre teme o STF tanto no caso das emendas quanto no do Master, com foco no fundo de previdência dos funcionários do Amapá, que, apesar dos alertas, investiu R$ 400 milhões no banco de Daniel Vorcaro. Alcolumbre pôs um aliado na presidência e o próprio irmão no conselho fiscal da entidade.

A sequência é clara: a articulação contra uma CPI do Master, a liminar, depois retirada, para dificultar o impeachment de ministros do STF no Senado, a aproximação de Moraes e Alcolumbre e o afastamento de ambos do Planalto.

O resultado são as duas derrotas de Lula e vitórias do bolsonarismo: contra a nomeação de Jorge Messias para o STF e os vetos do presidente ao projeto de dosimetria que favorece os golpistas do 8/1 e, lá na ponta, Jair Bolsonaro.

Curioso o ineditismo da derrubada do nome do presidente da República para o STF, o quórum em semana de feriadão e o fatiamento do veto de Lula para aliviar o texto aprovado no Congresso e excluir, por exemplo, crimes de facções criminosas. Aí, era demais...

Lula escancarando os cofres para comprar votos pró-Messias (nome questionável desde o início) e o jantar de Moraes e Alcolumbre, na noite anterior à sabatina de Messias, são sintomas do quanto as instituições andam doentes no Brasil, sem previsão de recuperação.

É bom ficar de olho no caso Master. Com Messias, o relator André Mendonça ganharia mais um aliado para ir fundo. Sem ele, o grupo que manda no Supremo vai continuar com a faca e o queijo na mão. A favor, por exemplo, de Moraes e de Alcolumbre. Eles merecem?

 

Nenhum comentário: