Folha de S. Paulo
A expressão em breve fará dez anos e continua
a ser o sustentáculo de Trump e Bolsonaro
Mestre da fake news, Bolsonaro convenceu
milhões de que, no governo dele, não havia corrupção
Você se lembra de quando ouviu pela primeira vez a expressão "fake news"? Foi em 2017, nos noticiários de TV. E sabe por quem? Donald Trump, candidato à Presidência dos EUA. Trump não a inventou. Com ou sem este nome, as fake news sempre foram uma arma política dos regimes autoritários e totalitários, para jogar seus apoiadores contra opositores, minorias e potenciais adversários. Ou para criar confusão, como neste exemplo real: "Papa Francisco apoia Trump". Até ser desmentida, causou grande estrago.
Vencedor, Trump não só elegeu as fake news
seu método de governo como aperfeiçoou-as, ao passar a acusar seus opositores
de justamente propagar fake news. E estas incluíam qualquer informação vinda da
mídia independente. A intenção era desmoralizar essa mídia e convencer os
americanos a só acreditar no que liam, viam e ouviam nos canais que lhe eram
fiéis. Deu certo, porque ele voltou ao trono.
No Brasil, Bolsonaro, o Trump jeca, mas tão
finório quanto o original, levou seus 1.461 dias no poder dedicando-se a
defecar fake news. Exceto as relativas à pandemia, que ajudaram a matar 700 mil
brasileiros, a principal foi a de que em seu governo não havia corrupção.
Bolsonaro repetiu-a dezenas de vezes, contrariando os fatos que expunham as
tripas de um governo tão corrupto quanto qualquer outro —e que, à falta de
um mensalão,
também podia se orgulhar de formidáveis assaltos ao dinheiro público.
Alguns deles: rachadinhas flavianas,
funcionários fantasmas, cheques de Fabrício Queiroz para dona Michelle, senador
aliado com dinheiro na cueca, gabinete clandestino do MEC, extração ilegal de
madeira pelo ministro e superfaturamento na compra de vacinas, tratores, ônibus
escolares e caminhões de lixo. Etc., etc. Culminando o rombo, o orçamento
secreto —a distribuição de bilhões de reais em verbas federais para o centrão,
a fim de lhe garantir apoio, proteção contra o impeachment e ajuda na
reeleição.
Para Bolsonaro, tudo era fake news. Ainda se
ouvem suas gargalhadas ao dizer aquilo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário