Folha de S. Paulo
Quando o ex-deputado fugiu para os EUA,
indicou Filipe Barros para substituí-lo na presidência de comissão
Subitamente, o órgão começou a se meter na regulação do setor financeiro, algo completamente fora de sua alçada
Leitores desta coluna já sabem que o deputado
bolsonarista Filipe Barros (PL-PR) apresentou um
projeto de lei (PL 4395/2024) para elevar a cobertura do FGC e
salvar o Banco Master.
Graças à coluna da jornalista Malu Gaspar, agora sabemos que sua atuação a
favor do banco de Vorcaro foi muito mais longe. E pode ter envolvido Eduardo
Bolsonaro.
O projeto de lei de Barros, é bom lembrar, era exatamente igual à proposta de Emenda 11 à PEC 65/2023, redigida pelo Banco Master e apresentada no Congresso Nacional pelo ex-chefe da Casa Civil de Bolsonaro, Ciro Nogueira. Se tivesse sido aprovado, o rombo deixado pelo Master no sistema financeiro teria sido muitas vezes maior do que foi.
Ciro Nogueira
ganhava uma mesada de Daniel Vorcaro, segundo a PF. Pelo que se
sabe, Filipe Barros não ganhava mesada. Por que, então, tentou exatamente a
mesma manobra para salvar o Master?
Quando Eduardo Bolsonaro fugiu para os
Estados Unidos para conspirar contra o Brasil, indicou Filipe Barros para substituí-lo
na presidência da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional do
Congresso Nacional (CREDN).
A Eduardo agradava o currículo de golpista de
Barros: em 30 de novembro de 2022, o deputado paranaense pediu golpe militar
por artigo 142 em pleno Congresso Nacional.
Na última sexta-feira (12), a coluna de Malu
Gaspar relembrou o que Eduardo Bolsonaro disse, na época da troca de comando na
CREDN: "Para quem acha que eu não [vou] estar sentado naquela cadeira, eu
perdi o poder na CREDN, negativo, tá"?
Positivo, Bananinha. Agora vamos ver o que
Filipe Barros fez sob suas ordens.
Subitamente, a CREDN começou a se meter na
regulação do setor financeiro, algo completamente fora de sua alçada. Sempre
jogando na mesma direção: convocando autoridades da CVM e do Banco Central, os
órgãos que àquela altura já investigavam o Master, para comparecer na comissão.
As autoridades eram, então, submetidas a ataques da bancada bolsonarista e dos
influencers pagos por Vorcaro.
Esses fatos me dão o direito de perguntar:
Filipe Barros, você protegeu o esquema Master por ordem de Eduardo? Ele disse
para todo mundo que continuaria mandando na CREDN por seu intermédio. Mentiu?
A relação de Eduardo Bolsonaro com o Banco
Master é muito mal explicada. Não há qualquer motivo razoável para o dinheiro
dado por Vorcaro a
Flávio Bolsonaro –que, em tese, financiaria um filme rodado no
Brasil– ter circulado pelos Estados Unidos. O Intercept Brasil mostrou, em
matéria de 15 de maio, que Eduardo Bolsonaro constava em um
contrato como produtor executivo de "Dark Horse",
com poder para decidir sobre o orçamento do filme.
Matéria
desta Folha de 14 de maio de 2026 mostrou que a Polícia Federal
suspeita que dinheiro de Vorcaro teria sustentado Eduardo
Bolsonaro nos Estados Unidos. As investigações continuam.
O público brasileiro precisa saber se o
Master pagou pelas conspirações golpistas de Eduardo Bolsonaro e Paulo
Figueiredo nos Estados Unidos. Quantos voos de primeira classe de Eduardo foram
pagos pelos aposentados do Rio de Janeiro, pelos contribuintes do Distrito
Federal, pelos paulistanos cujo prefeito colocou dinheiro público em "Dark
Horse", pelos correntistas lesados pelo Master?

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