segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Jarbas ataca PT em evento de Geraldo

Senador se incorpora à campanha da Frente Popular no Recife durante um ato com artistas plásticos e reage às críticas afirmando que os petistas estão em “desespero”

Sheila Borges

Pode até ter demorado, mas o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) entrou de vez na campanha do candidato do PSB a prefeito do Recife, Geraldo Julio. A 35 dias do primeiro turno, em um evento de campanha, ontem, no ateliê do artista plástico Ferreira, o peemedebista disse que o PT entra na reta final da campanha dando sinais de “desespero e insegurança”. “A principal demonstração é quando querem pautar o adversário. Numa candidatura estável, isso não acontece”, falou, referindo-se ao discurso petista contra a sua presença no palanque de Geraldo.

Com tranquilidade, o senador afirmou não se preocupar com a campanha promovida pelo PT, que ressalta, dentro e fora do guia eleitoral, seu papel de opositor do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff. Como Lula tem forte penetração no eleitorado do Recife e apoia o candidato do PT, Humberto Costa, os petistas apostam que o discurso pode tirar votos de Geraldo. “Quem não gostaria de ter o apoio de Jarbas?”, indagou o governador Eduardo Campos (PSB), no evento de ontem, ao lado do senador, seu ex-desafeto político.

“Estamos recebendo o apoio de Jarbas, um apoio importante na cidade, a uma chapa encabeçada pelo PSB, que tem como vice o PCdoB. Apoio que, no passado, o presidente Lula já teve do próprio Jarbas. Eu vi várias vezes, em altos dirigentes do PT, a tentativa de atrair Jarbas para um projeto em 2006. E isso era dito com todas as letras. Se Jarbas serviu (para o PT) no passado, se tentaram um apoio dele recentemente, ele só não serve para apoiar o candidato do PSB, é? Isso é uma incoerência”, disse Eduardo.

Apesar da estratégia adotada pelo PT, Jarbas não acredita que Lula venha ao Recife e acuse Eduardo de tê-lo “traído” ao lançar um candidato próprio do PSB e de ter recebido o senador peemedebista de volta na Frente Popular. “Eduardo é um correligionário de Lula, faz parte da base. Querer chamar Eduardo disso e daquilo não tem propósito”, ponderou Jarbas. “O peso de Lula já foi mais forte, a administração do PT está desaprovada. Por isso, a influência de quem vem de fora é reduzida”, acrescentou.

Para Jarbas, o eleitor não quer uma campanha nacionalizada, quer discutir o Recife. E como Geraldo tem feito isso, o senador acredita que a Frente pode ganhar no primeiro turno. Se houver uma segunda etapa, ele garante que todos já estão “preparados”. Uma reunião da cúpula da coligação decidirá hoje onde Jarbas fará a primeira caminhada com Geraldo. Dois percursos estão sendo estudados: o centro do Recife e os mercados públicos. Ontem, no ato com artistas plásticos, Jarbas gravou depoimentos para os guias eleitorais de TV e rádio, que serão exibidos a partir de hoje. E frisou que foi ele quem pediu ao deputado Raul Henry (PMDB) para aparecer no guia de Geraldo sugerindo propostas para “ocupar” o espaço do PMDB.

FONTE: JORNAL DO COMMERCIO (PE)

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