O Globo
Petista larga como favorito à reeleição, mas
não tem folga que esperava nas pesquisas
Luiz Inácio Lula da
Silva lança hoje sua sétima campanha à Presidência. Será um tira-teima com a
História. O petista foi derrotado nas primeiras três tentativas de chegar ao
Planalto, em 1989, 1994 e 1998. Venceu as outras três, em 2002, 2006 e 2022.
Aos 80 anos, o candidato à reeleição lembra
pouco o metalúrgico que enfrentou Fernando Collor no início da Nova República.
O Lula de 1989 falava em enfrentar a classe dominante e criar condições para o
socialismo. O de 2026 promete estabilidade, temperança e defesa das
instituições.
O petista já havia vestido o figurino “paz e amor” nas três campanhas vitoriosas. Agora também se apresenta como antídoto ao radicalismo e ao golpismo. “Não vou deixar a extrema direita voltar”, prometeu, na quinta-feira.
Ele ainda planeja empunhar a bandeira da
soberania contra o intervencionismo americano. “Enquanto eu for presidente,
ninguém de fora vai meter o bedelho nas eleições brasileiras”, disse na quarta,
em ato que selou a reedição da chapa com Geraldo
Alckmin.
Apesar das múltiplas crises no front
adversário, Lula larga sem a vantagem que esperava ter nas pesquisas. O
presidente estacionou no patamar de 40% das intenções de voto. É favorito, mas
não ostenta a folga necessária para projetar uma vitória no primeiro turno.
Um dos desafios é melhorar a avaliação do
governo. Segundo o Datafolha, a gestão é aprovada por 49% e reprovada por 48%.
Isso indica um eleitorado tão polarizado quanto em 2002, quando o petista bateu
Jair Bolsonaro no photochart.
Lula já expressou frustração com o
descompasso entre os números do governo e os índices de popularidade. “A
situação econômica é boa, mas a percepção da sociedade ainda não é”, admitiu,
em março.
O mal-estar com o custo de vida e o
endividamento das famílias não é o único problema à sua frente. A abertura de
dois inquéritos para apurar suspeitas de tráfico de influência do empresário
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ameaça criar novos embaraços.
O presidente sabe que esta será sua última
eleição. Para dar tom épico ao início da campanha, voltará no dia 16 ao estádio
da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. Discursará no palco das greves de
metalúrgicos que o lançaram na política, há quase cinco décadas.
Se conquistar o inédito quarto mandato, ele
ficará no poder até os 85 anos. Além de cuidar do próprio legado, terá que
escolher um sucessor entre aliados que já buscam se posicionar para o pós-Lula,
em 2030.
Um brasileiro na guerra
Nos 90 anos do início da Guerra Civil
Espanhola (1936-39), o jornalista Flavio Pinheiro resgatou a história de um
combatente esquecido: o catarinense Alberto Amílcar Besouchet.
Tenente do Exército e militante do Partido
Comunista do Brasil (PCB), ele desembarcou na Espanha para lutar nas Brigadas
Internacionais que defendiam o governo republicano contra as tropas golpistas
de Franco. Num tempo de autofagia na esquerda, foi executado por stalinistas
que o acusaram de trotskismo.
“Alberto é um mártir pouco conhecido de uma aventura política arriscada, mas que valia um sonho”, escreve Pinheiro na newsletter Pasmado.

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