terça-feira, 4 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Faltar a debates é desrespeito ao eleitor

Por O Globo

Lula e Flávio não deveriam fugir ao questionamento a suas propostas dentro de ambiente jornalístico

Os debates entre candidatos servem de guia ao eleitor antes de depositar o voto na urna. Postulantes aos mais altos cargos da República deveriam se empenhar em participar desses eventos para apresentar suas propostas e compará-las às dos adversários, sem receios de se expor a perguntas ou situações incômodas. Infelizmente não é o que se vê. São frustrantes os sinais dados até agora pelos candidatos à Presidência pelo PT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, líderes nas pesquisas de intenção de voto.

Disputa pela Presidência está aberta e polarizada na largada eleitoral, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O horário eleitoral gratuito de rádio e televisão, embora já não tenham o mesmo peso de outras eleições, será um instrumento de projeção nacional de candidaturas regionais

A realização das convenções eleitorais foi marcada pela polarização nas eleições à Presidência de República, que está aberta, com pequena vantagem para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pleiteia a reeleição, em relação a Flávio Bolsonaro (PL). Esse cenário provavelmente se manterá até o início da campanha eleitoral no horário gratuito de rádio e televisão, em 28 de agosto. Essa data é importante para os demais candidatos que aspiram um lugar no segundo turno e estão embolados em torno de 3% ou 4% dos votos.

Acontece que os ex-governadores de Goiás Ronaldo Caiado (União) e de Minas Romeu Zema (Novo), por serem menos conhecidos fora de seus estados, até agora não conseguiram nacionalizar suas candidaturas. O horário eleitoral gratuito de rádio e televisão, embora já não tenham o mesmo peso de antes nas eleições, será um instrumento de projeção de suas candidaturas para fora dos dois estados. O raciocínio vale também para o candidato do Missão, Renan Santos, mais conhecido em São Paulo.

Os sem-sem, por Merval Pereira

O Globo

A eleição presidencial dentro de dois meses parece mais uma etapa da travessia política para 2030 do que a possibilidade de renovação

A eleição presidencial dentro de dois meses parece mais uma etapa da travessia política para 2030 do que a possibilidade de renovação que dê ao brasileiro esperança de quatro anos iniciais de uma retomada do crescimento econômico e melhoria social. Nada de “50 anos em 5”, como o slogan de JK em 1955. Nada parecido com o Plano Real de 1994. Nada comparável à vitória de Lula em 2002, depois de três derrotas seguidas. Nessas e noutras ocasiões, a maioria votou com o olho no futuro imediato, com a sensação de que as coisas melhorariam. Agora, vota-se para impedir a continuação de Lula ou Bolsonaro.

Baixarias na Casa Branca ajudam a tornar o mundo estranho, por Fernando Gabeira

O Globo

Quando não está bombardeando o distante Irã, Trump está insultando os repórteres que cobrem o governo americano

A gente vive dizendo que o mundo anda estranho. Não pretendo dissecar toda a estranheza do mundo, apenas afirmar que parte dela vem do norte, onde vive o homem mais poderoso do mundo, Donald Trump. Quando não está bombardeando o distante Irã, está insultando os repórteres que cobrem a Casa Branca. É nossa ração quase diária de amargor.

Trump tem problemas cognitivos. Mas talvez essa seja a parte mais amena de seu embate com a imprensa. Está ficando gagá, e sua sobrinha, Mary Trump, psicóloga, acha que é Alzheimer, escorando-se no histórico familiar, com base na doença do avô. É impossível diagnosticar dessa forma, mesmo porque os escorregões de Trump não têm um padrão. Podem ser influenciados pela agenda intensa.

Socialistas e conservadores terão de aprender a conviver, por Pedro Doria

O Globo

Cultivamos dois grupos intolerantes na sociedade

Falsa equivalência. Dentre os muitos vocábulos e expressões que entraram em nosso cotidiano político nestes últimos dez anos desde o impeachment, essa é uma das mais perigosas. Quando gente de esquerda saca a frase do bolso, quer dizer, na verdade, que não vem de seu campo a ameaça de golpe de Estado. E é verdade, não vem mesmo. Mas quem resume a crise da democracia brasileira ao golpismo do ex-presidente Jair Bolsonaro não entendeu o tamanho do buraco.

Democracia não se resume a instituições de pé. Deputados batendo ponto na Câmara de terça a quinta, o presidente aparecendo no Planalto de segunda a sexta, e ministros do Supremo Tribunal Federal decidindo processos semanalmente não tornam uma democracia plena. O que faz uma democracia funcionar é a capacidade de a sociedade acreditar nela. E nós, coletivamente, não acreditamos na nossa. Afinal, acreditar numa democracia quer dizer confiar que a maior parte das pessoas, numa sociedade, vota de boa-fé. Vota com as melhores intenções. Vota partindo de valores legítimos, mesmo quando distintos dos nossos. Mais: tem plena capacidade de avaliar as melhores escolhas de acordo com sua leitura de prioridades.

O dilema fiscal do próximo governo, por Míriam Leitão

O Globo

Campanhas evitam detalhar cortes de gastos, mas o fato é que o próximo presidente terá de lidar com o desequilíbrio das contas públicas

O governo tem discutido internamente que, se for reeleito, terá que fazer no próximo mandato um ajuste nas despesas de 2 pontos percentuais do PIB. O projeto de Orçamento, já enviado, prevê um superávit primário crescente de 0,5% no ano que vem, 1% em 2028, e 1,5% em 2029. O atual governo não reajustou o Bolsa Família, que continua com o mesmo valor de R$ 600 desde 2022. Além disso, ele aprovou um gatilho que limita o gasto de pessoal. É isso que explicam as autoridades da área econômica quando se pergunta o que será feito diante do aumento do déficit e da dívida pública. Dizem que têm trabalhado pela consolidação fiscal e que vão continuar melhorando as contas.

Economia e Política, por Luiz Gonzaga Belluzzo

Valor Econômico

O verdadeiro poder, aquele capaz de determinar o alcance das opções práticas dos países e dos cidadãos, tornou-se virtualmente global

Peço licença ao caro leitor de nosso Valor para invocar Carl Schmitt, cientista político alemão, ideólogo do nazismo, em seu livro “O Nomos da Terra”, publicado em 1950.

Schmitt demonstra que a dominância dos Estados Unidos consolidaria, nas relações internacionais, a hegemonia econômica. Isto implica necessariamente o surgimento de uma forte tendência a ultrapassar e a negar as barreiras territoriais e políticas impostas pela existência dos Estados Nacionais. Ele diz: “A soberania territorial se transforma num espaço vazio, aberto aos processos socioeconômicos. O espaço da potência econômica determina o campo de ação do direito das gentes”.

Schmitt vira pelo avesso a ideologia da globalização: o predomínio do econômico, ou seja, a lógica da expansão mercantil-capitalista, exige uma enorme concentração e centralização do poder e, por isso, políticas permanentemente agressivas em relação às pretensões de autodeterminação dos povos, às suas formas de vida e aos seus costumes.

Duas velocidades da reforma institucional, por Luiz Schymura

Valor Econômico

Algumas instituições sabem se reformar sozinhas, outras transformam qualquer tentativa em mais uma peça do próprio mecanismo que as protege

Em busca de uma gestão mais eficaz da política monetária, os bancos centrais vêm passando por um processo constante de aprimoramento institucional. Não por acaso, Kevin Warsh já chega ao Federal Reserve seguindo essa lógica: em vez de anunciar mudanças, criou cinco forças-tarefas para estudar os pontos mais sensíveis da política monetária americana antes de decidir o que fazer. Os grupos reúnem ex-banqueiros centrais, acadêmicos e executivos financeiros, gente de fora do círculo mais estreito do próprio Fed, e os resultados só devem aparecer daqui a alguns meses. Warsh tem opiniões fortes sobre quase todos esses temas, mas não as impôs de saída. Escolheu primeiro construir, com evidência e deliberação coletiva, o consenso técnico que lhe permitirá convencer o resto do Fomc. É um caso de livro-texto de reforma institucional bem conduzida: o ritmo é lento, mas a legitimidade do resultado tende a ser maior. Contudo, nem toda instituição consegue se reformar dessa maneira.

Na era da IA, MG opta pela degradação natural, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Nem a inteligência artificial seria capaz de reproduzir o capítulo final da novela da candidatura Cleitinho

A inteligência artificial tem sido a geni desta reta final de campanha, com peças como o avatar do ex-presidente Jair Bolsonaro na convenção do PL, mas não se pode atribuir aos seus predicados o capítulo final da novela da candidatura ao governo de Minas do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). O vídeo divulgado na tarde desta segunda-feira pelo presidente do Republicanos e deputado federal Marcos Pereira (SP), ao lado do senador e do presidente estadual do partido, Euclydes Pettersen, é fruto da degeneração natural da política brasileira.

Favorito à disputa estadual, o senador, que foi eleito em 2022 nas asas do bolsonarismo, manteve suspense até a semana passada. Faltou à convenção de 25 de julho, mas publicou um vídeo de inteligência artificial em que aparecia com dois parentes já falecidos, o pai e o irmão. Recebia, do primeiro, um incentivo e, do outro, a bandeira de Minas.

Na cronologia dos fatos exposta por Marcos Pereira, o partido esperou uma decisão de Cleitinho até a noite de terça-feira. Como esta decisão não aconteceu, o Republicanos divulgou, em nota, que ele não seria candidato. Na quarta-feira, Cleitinho deu uma entrevista em que, exaltado, diz ter 40% nas pesquisas e reitera a candidatura: “a voz do povo é a voz de Deus”.

Minas e o Brasil choram, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Ao chorar, encerrar uma novela enfadonha e dizer, finalmente, que não vai disputar o governo do Estado, o senador Cleitinho produziu uma imagem bastante adequada ao desmantelamento da política em Minas Gerais, que, além de ser uma síntese do Brasil e do eleitorado nacional, passou a ser também o retrato da balbúrdia da disputa presidencial de 2026.

Assim como Cleitinho, campeão de votos, passou a campanha no vai não vai e chorou ao deixar Flávio Bolsonaro na mão, acontece de tudo nesta eleição pelo País afora. O distinto público, massacrado por escândalos de todo lado e pelas versões das redes sociais, não sabe se é para rir, chorar – ou votar.

Melhor evitar, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

É abismante a hipótese de que os donos de partidos do que se chama de Centrão resistam a se aliar a Flávio Bolsonaro “por medo” do Supremo. Para além do já paralelamente constituído Tribunal Xandônico Eleitoral, seria o “fator STF” interferindo na eleição por meio de “recomendações”: juízes da Corte constitucional que usariam o poder togado para fazer carga sobre agentes políticos que têm foro por prerrogativa de função naquela mesma Corte constitucional.

“Recomendações” prudentes de quem controla a informação e a caneta para materializá-las em decisão serão “recomendações” autoritárias. “Recomendações” autoritárias daqueles que são os gestores dos tempos de inquéritos não serão recomendações.

Otoni de Paula desafia bolsonarismo ao defender voto em Lula, por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Deputado é sintoma das desconfianças e decepções de evangélicos com a campanha de Flávio

Rompimento aconteceu em 2024, quando ex-presidente não o apoiou para concorrer à Prefeitura do Rio

O principal adversário de Flávio Bolsonaro entre os evangélicos é um ex-bolsonarista. Na semana passada, o pastor e deputado Otoni de Paula (PSD-RJ) anunciou uma proposta ousada: que a direita apoie Lula contra Flávio, caso os dois se enfrentem no segundo turno.

O PT nunca precisou tanto de apoio para intermediar sua relação com evangélicos. Otoni cumpre essa tarefa melhor do que um pastor de esquerda: por se identificar como conservador de direita, suas falas chegam à massa de pentecostais pobres, que têm se distanciado do PT pelas pautas morais.

Gente ou passarinho? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Banco Central Europeu lança consulta pública para ajudar a definir desenho de cédulas de euro

É preciso escolher entre personagens históricos ou figuras de aves para estampar a frente das notas

O Banco Central Europeu (BCE) lançou consulta pública para ajudar a definir o desenho das futuras cédulas de euro. A questão mais premente é determinar se o anverso (frente) das notas será ilustrado por personalidades históricas ou por figuras de aves. O convite para votar foi feito a cidadãos europeus, mas qualquer um pode opinar. A consulta não tem efeito vinculante. A decisão final caberá ao BCE.

A metamorfose ambulante troca de pele, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

O candidato que já foi vários personagens agora se lança nas vestes do sujeito 'porreta'

O presidente precisa convencer o eleitor de que desta vez fará o que não fez em governos passados

O candidato Luiz Inácio da Silva tem dois meses daqui até a eleição para convencer os brasileiros indecisos a aderir às fileiras dos convertidos, para os quais apresentou um esboço de plano de governo na convenção petista de domingo último (2).

O presidente Lula, por sua vez, tem a difícil tarefa de, no mesmo espaço de tempo, explicar ao público em geral por que nos 18 anos de governo que o PT está prestes a completar já não se fez o prometido para adiante, quando o partido fizer 22 anos de poder.

Desastres climáticos: falta prevenção, sobra desculpa, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

No vendaval da semana passada houve falhas no sistema de informação

Agenda do Congresso a favor do agro fragiliza proteção à natureza

As explicações meteorológicas que se seguem a um evento climático extremo não podem funcionar como desculpa ou álibi para a falta de prevenção aos desastres cada vez mais rotineiros e intensos.

O vendaval que atingiu o litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro na semana passada, causando destruição e mortes, ganhou um nome chique: "bore ondular". O fenômeno se dá quando uma massa de ar frio avança sobre o ar excepcionalmente quente. Sua magnitude foi inédita para padrões brasileiros. Ok.

Poesia | Para viver um grande amor, de Vinicius de Moraes

 

Música | Chico Buarque: eu te amo (DVD Anos Dourados)