Valor Econômico
Se não perder nenhuma batalha, o partido poderá começar 2027 governando São Paulo e Minas Gerais, os Estados mais ricos do país
Por volta de 2023, quando Progressistas (PP) e União Brasil intensificaram o diálogo para criar a federação que, dois anos depois, se tornaria a maior força política do país, tentaram, à exaustão, atrair o Republicanos. Em conversas privadas, o presidente da legenda, deputado Marcos Pereira (SP), explicava a interlocutores que no jogo do poder, é melhor ser “cabeça de sardinha do que rabo de baleia”.
Um ano após o anúncio da super federação, que
nasceu com 109 deputados federais e quase R$ 1 bilhão de fundo eleitoral
(projeção com base em valores do pleito de 2024), a percepção de aliados de
Pereira é de que ele não errou ao optar por investir no fortalecimento do
Republicanos. Embora preserve o fundo bilionário, a federação PP-União encolheu
para 98 deputados, e perdeu quadros relevantes, como o senador Efraim Filho
(PB) que trocou o União pelo PL a fim de concorrer ao governo da Paraíba; e o
ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado que deixou o União para disputar o
Palácio do Planalto pelo PSD.
Num momento em que a polarização parece
restringir a política brasileira ao embate entre PT e PL, é hora de prestar
atenção no projeto de poder do Republicanos. No melhor cenário, se não perder
nenhuma dessas batalhas, o partido poderá começar 2027 governando São Paulo e
Minas Gerais, os Estados mais ricos do país, e com os maiores eleitorados.
Deverá, ainda, reconduzir o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta
(Republicanos-PB), para mais dois anos à frente da Casa. Lembrando que o cargo
é o segundo na linha de sucessão da Presidência da República, logo depois do
vice-presidente.
Toda eleição é uma estrada longa e sinuosa,
mas as pesquisas servem de bússolas. Assim, há meses, o governador Tarcísio de
Freitas (Republicanos), que busca a reeleição, lidera a corrida para o governo
de São Paulo. Da mesma forma, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) vem
encabeçando os levantamentos sobre a disputa para o governo de Minas Gerais.
Há quem enxergue mais longe, para além de
onde a vista alcança. Nas projeções para 2030, nos cálculos que consideram o
pós-Lula e o fim da polarização, o Republicanos poderá estrear na corrida presidencial
com um dos prováveis nomes mais competitivos: Tarcísio de Freitas. Para isso,
antes, cabem duas ressalvas: se Tarcísio se reeleger em outubro, e se fizer uma
ótima gestão no segundo mandato. “No pós-Lula, sem a polarização, vai se abrir
um desenho mais claro para as forças de centro”, disse à coluna uma liderança
do Republicanos.
Porém, muito antes que tantos projetos se
materializem, há impasses a serem contornados, a começar pela divisão interna,
em que uma ala atua para que o Republicanos formalize a aliança com o
presidenciável do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ); enquanto outro grupo, que
prefere fazer campanha para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defende que
o partido fique neutro no plano nacional.
Quem se opõe à aliança com o PL argumenta que
caminhar com Flávio Bolsonaro não é bom para o Republicanos, que tem tudo para
continuar crescendo nos próximos cinco anos. O cálculo é de que, se eleito,
Flávio poderia ficar até oito anos no poder, e ainda abrir caminho para outro
“Bolsonaro” sucedê-lo, enquanto Lula, se reeleito, só terá mais quatro anos no
poder. “A vitória do Lula é muito melhor para o Tarcísio e para o
Republicanos”, sustenta um aliado do governador. Ele defende que o foco da
sigla nestas eleições seja ampliar a bancada federal, hoje com 43 integrantes,
e se fortalecer nos Estados. A meta é eleger entre 50 e 55 deputados federais.
Segundo essa fonte, a ala que defende a
aliança com Flávio, encabeçada pelos senadores Hamilton Mourão (RS) e Damares
Alves (DF), lideranças do bolsonarismo, teve mais influência na virada do ano,
mas perdeu fôlego com o desgaste do aliado. A aliança formal com o Republicanos
é estratégica para o PL, porque ampliaria o tempo de propaganda eleitoral no
rádio e na televisão, que mesmo em tempos de redes sociais, mantém relevância.
Em outra frente, um grupo maior, que
contempla lideranças como Hugo Motta, o ex-ministro Silvio Costa Filho e o
líder da bancada, deputado Augusto Coutinho (PE), militariam pela independência
do Republicanos no pleito de outubro. Em seus Estados - Paraíba e Pernambuco,
respectivamente - o partido marchará com o PT.
Mas o partido ainda enfrenta percalços em São
Paulo e Minas, mesmo com o favoritismo de Tarcísio e de Cleitinho. No primeiro
caso, o governador não tem um time expressivo de prefeitos do lado dele. Mas um
aliado minimizou essa ausência. Relembrou que em 2022, ele tinha 9 prefeitos
com ele, contra um esquadrão de 550 prefeitos junto com o então governador
Rodrigo Garcia (PSDB). “Tarcísio não é um político tradicional, ele consegue se
eleger sem os prefeitos com ele”, justificou.
Em Minas, o que se desenha é uma chapa pura:
o candidato a vice de Cleitinho seria o ex-prefeito de Patos de Minas Luís
Eduardo Falcão, também do Republicanos, ex-presidente da Associação Mineira de
Municípios. A principal interrogação continua sendo o próprio candidato: há
receio de que na última hora, Cleitinho recue. A principal aposta dos
adversários, e o maior temor do Republicanos convergem para a conhecida
instabilidade do senador mineiro.

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