O Estado de S. Paulo
Trump, os Bolsonaros e Alcolumbre miram Lula, mas acertam no coração do Brasil
Assim como a família Bolsonaro usa a Casa
Branca, o senador Davi Alcolumbre usa e abusa do Senado para impor danos graves
à economia, não de um governo que está no fim, mas do próprio Brasil.
Alcolumbre, Flávio e Eduardo Bolsonaro miram o presidente e pré-candidato Lula
e acertam nos próximos governos e no coração do Brasil.
Já que estamos em tempos de Copa do Mundo, vale dizer que tanto os Bolsonaros quanto o presidente do Senado estão “trocando as bolas”, ao confundir suas questões políticas e pessoais com o que realmente interessa e pesa, ou deveria pesar, acima de tudo: o interesse nacional.
O humor instável de Alcolumbre piorou de vez
com a escanteada do senador Rodrigo Pacheco e a indicação do AGU Jorge Messias
para o STF, e ele aproveitou a véspera da abertura da Copa para três
“pautas-bomba” do Senado num único dia.
O plenário aprovou a renegociação das dívidas
de produtores rurais; a comissão social aprovou aumento significativo de piso,
horas extras e adicional noturno de médicos; e a de Constituição e Justiça, a
aposentadoria especial de agentes da área da Saúde.
Alcolumbre agiu a favor dos três setores ou
por birra? Lula fica contra a parede exatamente quando recupera a dianteira na
Genial/Quaest, com dez pontos à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e
seis no segundo, no rastro das ligações entre Flávio e Daniel Vorcaro.
Os benefícios a produtores rurais, médicos e
agentes de saúde têm boa dose de justiça, mas o impacto fiscal é enorme. Logo,
Lula está entre o que esses setores e parte da sociedade consideram justo e o
que a economia e outra parte da sociedade acham correto para o bem geral.
Do ponto de vista eleitoral, Alcolumbre
embolou o agro, historicamente adversário de Lula, os médicos, que votaram em
massa contra ele em 2018 e 2022, e o setor Saúde, considerado dividido. A
quatro meses das urnas, bater de frente com eleitorados tão fortes não é nada
bom, como não foi para os senadores.
Alcolumbre e Lula estão como Donald Trump e
Irã: todo dia é anunciada a paz, mas os ataques continuam. Lula recorre ao STF
e o Senado se alia à Câmara em novas bombas, como isenção fiscal de igrejas
(outro espinho para Lula) e 31 projetos aumentando o piso salarial de várias
categorias.
Assim, o Brasil está sob ataque. De Trump e
Bolsonaros, com as repercussões econômicas da classificação de PCC e CV como
“terroristas”, novas tarifas com base na “Seção 301” de comércio e mais outras,
por “trabalho forçado”. Já Alcolumbre, Senado e Câmara atacam fazendo “caridade
com chapéu alheio”. Chapéu de quem? De você, contribuinte.

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